27/03/14

O tempo, a vida e o amor

Daqui a pouco o Romário me manda uma mensagem: “e aí, tá pronta a coluna?”. Respondo, invariavelmente não importando o estado em que se encontra: “te mando em um minuto!”. Força de expressão, é claro. Neste caso, um minuto dura bem mais do que isso. Já chegou a durar uma hora ou mais. O Romário, que trabalha na redação do Jornal Bons Ventos, sabe como poucos que o tempo é relativo.
E não é especulação. Trata-se, isto sim, de uma verdade absoluta. Está comprovado de que a percepção do tempo depende muito da visão do indivíduo. O multitarefado, que faz um monte de coisas no mesmo instante, sente a passagem dos minutos e das horas diferentemente daquele que vive no ócio. Muitos conseguem acessar às redes sociais, dando pitacos geniais ou bestiais (depende do gosto e da capacidade de cada um), preenchendo o malfadado Imposto de Renda, ouvindo The Kooks, lendo as notícias do site e ainda produzindo alguma coisinha para a firma. Tudo ao mesmo tempo, com o telefone celular notificando a cada segundo as atualizações das mensagens e dos aplicativos. Já na ilha dos que nada fazem, seja por aposentadoria, por inaptidão ao trabalho ou por deliberação própria mesmo, a segunda-feira e o domingo são a mesma coisa. Com a diferença, é claro, de que na segunda-feira o Faustão está descansando em Miami e gozando o doce sabor que deve proporcionar alguns milhões de dólares.
Aliás, por falar em Faustão, que coisa bem escroncha a tal da escolha dos destaques do ano de 2013. Vixi, em termos de música estamos perdidos e mal pagos. Confesso que não acompanhei o programa, mas fiquei sabendo pelas mídias sociais. Se Chacrinha tivesse vivo daria o troféu abacaxi para muitos daqueles que saíram agraciados. Mas Chacrinha é de outro tempo, quando escracho era escracho e coisa série era coisa séria. Agora, como diria meu filho, tá tudo bugado!
O que ficará para o futuro? Será mesmo que alguém está preocupado com isso? Não será um mero devaneio do cronista que pensa em projetar coisas lá para a frente?
E assim passa o tempo. E assim o reloginho vai avançando, lento, mas decidido. Independente da nossa vontade.
Decisivamente, me dei conta de que o tempo passa assim de maneira tão altiva e independe nesta semana. Isto porque, na segunda-feira, dia 17, eu e minha esposa, Marta, completamos a eternidade de 30 anos de casados. E digo uma eternidade de propósito, eis que diante dos padrões atuais três décadas é algo impensável. Em tempos de conexões substituindo relacionamentos posso dizer que somos seres em extinção. Para montar um videozinho com fotos da nossa história tive que fazer uma verdadeira ginástica tal o número de casais que não mais convivem.
Não estou aqui recriminando ninguém. Nestas questões tão íntimas, não cabe qualquer reparo. Trata-se de uma mera constantação prática.
Certo é que não há como viver sem um processo de aprendizado. A vida é isso. Temos um tempo disponível para realizarmos os nossos projetos. Chegamos aqui cheios de expectativas e vamos agindo, construindo convicções, revendo posições, dando alguns passos à frente e muitos para trás. Falando grosso, às vezes, ou sendo doces como crianças em outros. Correndo apressados ou marchando lentamente conforme a necessidade. Não importa. Estamos aqui de passagem.
E trinta anos passam. E se constroem coisas boas e bonitas, como os filhos, como as amizades verdadeiras. E continuamos vivendo com carinho, com compreensão, com amizade, com açúcar e com afeto. E, mais uma vez contrariando o tempo atual, onde o amanhã é uma incerteza, estamos fazendo planos para o futuro. Vivendo o hoje sim, mas vislumbrando tempos que virão. Pois em tudo isso reside uma certeza: construímos nosso destino, nossa felicidade e nossa história através da colaboração mútua. Sem isso, não há como avançar no tempo.

O tempo passa diferente é claro, quando se ama e se é amado. E vamos em frente, porque viver é preciso.  

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