12/12/2010

O amigo secreto

Há algumas coisas que não podemos deixar de fazer, mesmo contrariando nossa vontade.  Nesta época então, de Natal e final de ano, crescem sobremaneira estas situações. Uma delas é participar do amigo secreto, amigo oculto, amigo x ou outro nome qualquer que a brincadeira possa receber. Fora de questão está, por exemplo, ser o único a não participar do amigo secreto em nosso local de trabalho. Ficar de fora não é uma boa atitude. 
Já que é inevitável mesmo, alguns cuidados devem ser tomados, especialmente se houver o clássico momento da revelação. Cuidado, muito cuidado na hora de caracterizar o nosso amigo. Atenção, não é hora da desforra! Não é hora de jogar na cara do sujeito aquela verdade que ficou oculta, escondida secretamente em nosso íntimo. Não é de bom tom usar este momento para a vingança, mesmo que lá no íntimo resida a certeza de que o sujeito bem que merecesse.

08/12/2010

A bactéria sutil

A NASA, após pesquisar a sobrevivência de uma bactéria em local desprovido de Oxigênio, Hidrogênio, Fósforo, Carbono, Enxofre e Nitrogênio, anunciou que existe viabilidade de vida fora das formas admitidas pelo conhecimento até então existente. É uma revolução. A partir daí, dizem os especialistas no assunto, os cientistas estão obrigados a mudar seus conceitos sobre a vida. Isto porque a teimosa bactéria, contrariando a lógica até então aceita, se desenvolveu em meio hostil, em contato com o venenoso Arsênico.
A descoberta abriu o leque de discussões. Ora, se depois de tanto tempo um dos princípios basilares do conhecimento foi debelado por uma simples bactéria, tantos outros haverão de cair ao longo do tempo. Aparentemente duros, inquebráveis, irremovíveis como uma rocha, os princípios científicos, como se vê, são tênues. Isto porque o Universo é grandioso, infinito e nosso conhecimento, convenhamos, ainda é rasteiro.

06/12/2010

Viagem pelo universo

O canal de televisão History apresenta uma série onde o astro central é nada menos do que O Universo. Não é pouca coisa. Ainda mais nos tempos atuais onde as nossas preocupações estão relacionadas às tarefas mais instintivas, automáticas e desprovidas de sabor. Manter o trabalho em dia, levar as crianças para a escola, cuidar da pintura da casa, pagar os carnês no final do mês, enfim, tarefas de administração doméstica. Claro que os cuidados com a rotina são indispensáveis. Não devemos, de forma alguma, descuidar sob pena de incomodações futuras.
No entanto, mesmo que mantenhamos literalmente os pés no chão, é indispensável que vez por outra nossas preocupações sejam um pouco mais transcendentais. Afinal de contas, há muito sabemos que existe mais do que a vivência física. Embora a ciência atual esteja tateando o mundo imaterial, os homens primitivos já mostravam, entre as diárias lutas sangrentas para transformar as feras de então em uma apetitosa refeição, que não é só de carne que vive o homem. Foram eles, os seres não-intelectualizados, dotados de grandes doses de instinto, que intuíram a grandiosidade das coisas.

01/12/2010

Um Rio em chamas

O sofrimento dos cariocas, acossados por tiros de todos os lados, pela opressão do tráfico, pela invasão de policiais, começou há pelo menos 40 anos atrás. O Estado de Direito deixou de existir nas zonas mais pobres. O malandro carioca, que viva de pequenos delitos, ingênuo, divertido, sumiu do mapa. É peça de museu. Em seu lugar surgiram outros tipos, nada ingênuos. Dispostos a comandar o pedaço, constituíram um estado próprio, cuja economia se baseou no comércio de drogas.
O estado da marginália governou por muito tempo. Acostumados à impunidade, criaram normas de conduta, tribunais e até mesmo programas sociais. Conveniência política e incompetência administrativa, dizem os especialistas, foram os responsáveis pelo fortalecimento deste governo da delinquência. Teve tempo para tomar corpo, crescer e se tornar indispensável para muitos. Milhares de cidadãos, residentes nestas zonas hoje em conflito, não conhecem outra realidade.

29/11/2010

Os Bons Tempos da Discoteca

Jerri e Solano Reis no comando do som
Os anos 70  e 80 foram musicalmente ricos. Rock, das mais variadas matizes, MPB e Discoteca deram o tom daqueles anos. Algumas das músicas da época marcaram de tal forma que nas festas de hoje aparecem com relativo destaque. Tornou-se comum, também, a promoção de festas específicas, destinadas aos mais maduros. Porém, chama a atenção a presença de inúmeros jovens nestas promoções.
No sábado, no GESB, na Festa Os Bons Tempos da Discoteca a regra se confirmou. Noite quente, um pouco de chuva, luzes e som. The Beatles, Rolling Stones, Madonna, Michael Jackson, Bee Gees, Chic e a turma do rock brazuca dos anos 80 animaram os que lá se encontravam. Foi a última do ano. Ano que vem, quem sabe, teremos outras oportunidades de curtir momentos tão bons.

24/11/2010

A ética em jogo

As rodadas finais do Campeonato Brasileiro têm suscitado alguns questionamentos que vão além do desempenho dos times, dos erros de arbitragem, dos desfalques, da tática empregada pelas equipes. No fechamento de mais uma edição do Brasileirão até a Filosofia entrou em debate. Antes que alguns doutos torçam o nariz, eu explico!
A fórmula da disputa, onde todos jogam contra todos em dois turnos distintos, está possibilitando que as equipes, além de depender de suas próprias forças, fiquem na torcida por algum clube rival. E quando se fala em rivalidade em futebol, o negócio é muito mais sério do que se imagina. Há torcedores que não são meros admiradores dos times. Elegem o futebol como uma religião. Erguem totens e os adornam com as cores do time. Não raro criam-se altares em casa. O time é tudo. É um caso patológico. Uma relação de amor e ódio, de vida e de morte.

17/11/2010

Cheiro de maçã verde


“Quando eu era criança o cheiro de maçã verde era tão forte que tomava conta de toda a casa”, disse a jovem trabalhadora, lembrando, em seguida, que as maçãs de hoje não têm o mesmo cheiro das de então. Certamente não têm, disse, me intrometendo na conversa que mantinham os colegas de trabalho. Disse mais, abusando da atenção que me davam naquele breve instante, as coisas no passado não tinham só mais cheiro, tinham sabor e textura diferentes. E não foram só as coisas que mudaram. Mudamos nós.
E não é para menos.  Com a passagem do tempo mudaram os produtos, a forma de produção, o processo de maturação e outras variáveis. Porém, a mudança maior ocorreu na menina. Quando tinha seus cinco, seis anos de idade, seus sentidos aguçados e atentos, percebiam com nitidez as nuances do perfume exalado pelas frutas, pelas flores. Os doces, os sorvetes, os picolés que ganhava do pai - comprados num armazém, num bolicho ou numa venda-, as iguarias que a mãe, a avó ou uma tia preparavam apresentavam, com certeza, um sabor especial, inigualável e irrecuperável.

12/11/2010

Uma volta ao passado

Os tempos atuais, ditos pós-modernos, passam numa rapidez assustadora. Claro, os dias ainda contam com 24 horas, os minutos continuam com os tradicionais 60 segundos. Porém, apesar desta inalterável realidade, o nosso dia a dia sofreu sim algumas alterações importantes e que devem ser levadas em conta.  Diferente do passado, quando o tempo parecia escorrer tranquilo, temos muita pressa. E a impressão que fica é que não damos conta de todas as tarefas e nem daremos conta no futuro.