04/01/2011

Hábitos desprezíveis na praia

A beira da praia é um local aprazível.  Ali a temperatura é alguns graus mais baixa. O vai e vem ininterrupto das ondas é um relaxante natural. Eventualmente, porém, somos chamados à dura realidade pelos maus hábitos que se disseminam a cada veraneio. Campanhas são infrutíferas, placas explicativas não surtem efeito, folheto com advertências são ignorados. 
Não adianta. Entra verão, sai verão e o modus operandi continua o mesmo. E ele é igual na orla gaúcha ou na catarinense. Gente velha, gurizada, marmanjos, meninada, enfim, parece que todo mundo se combinou e ninguém dá a mínima para as boas maneiras na beira mar. Também aqui em nossos dois balneários a turma anda exagerando.

30/12/2010

Presságios para 2011

Existem muitas formas de encarar os fenômenos naturais como este da passagem do ano, do fechamento de uma década. O comportamento dos indivíduos varia conforme sua personalidade, seu momento e mesmo sua necessidade. Há os que são indiferentes, que não prepararão nada, que se distanciarão do ritual de passagem, se esconderão na hora da contagem regressiva, dos pulinhos sobre as ondas, da lentilha no bolso e de tantas outras artimanhas construídas ao longo do tempo por supersticiosos de toda ordem. Há os empolgadíssimos, movidos pela magia da mudança, que apostam em venturas sem trabalho, em resultados mágicos, como a sorte fosse escolhê-los entre todos os outros e, embalados por um cervejão ou por espumante, quando as badaladas anunciarem a chegada de 2011 e da segunda década do século, após todos os rituais possíveis e imagináveis, repetirão a velha canção que animava o fim de ano da Globo nos anos 70: “o tempo passa e com ele caminhamos todos juntos, sem parar, nossos passos pelo chão vão ficar”.

29/12/2010

O tempo voa

O tempo passa. O tempo voa. Dizia uma peça publicitária do banco Bamerindus, de presença marcante nos intervalos comerciais dos anos 80 e 90 na TV brasileira. A instituição financeira foi engolida nos anos 90 pelo processo de quebradeira, venda e fusões do sistema bancário. O bordão, no entanto, permanece vivo. E, mais do que isso, auxilia no entendimento de algo que já foi de difícil compreensão: a relatividade do tempo.
O tempo passa conforme o nosso ritmo. Contemplativos, diante de uma paisagem relaxante, na praia – acompanhando o vai e vem das ondas; no campo – ouvindo o leve deslocar das folhas respondendo à brisa; o tempo, com certeza, passa de uma forma vagarosa. Envolvido em atividades repetitivas, o dia parece pequeno diante do número de atividades que devemos completar. Aí falta tempo.

28/12/2010

Lista de boas intenções para o novo ano

Costume é costume. Inevitável, mesmo para os céticos de toda a ordem, que sejam formuladas listas e mais listas de boas intenções para o ano vindouro. Alguns dos itens são arroz de festa, outros nem tanto. Encontrar um tempo para praticar uma atividade esportiva, aderir a uma causa nobre, economizar, nem que seja alguns trocados por mês, assumir um humor diferente, comprar um carro, pode até ser um usadinho, em bom estado, evidentemente.
O certo é que ninguém escapa da tentação de planejar algumas coisas para o ano que vem. O fechamento de um ciclo e a abertura de um novo nos impulsiona, nos dá coragem para realizar um balanço de nossas vidas. E isto, convenhamos, é muito bom. Raramente temos momentos de análise verdadeira sobre o caminho que estamos trilhando. Poucas são as oportunidades que se apresentam mais adequadas para planejar mudanças. Mais raros, ainda, os momentos em que paramos e chegamos à conclusão de que há mudanças por fazer.

22/12/2010

Os meninos e o tempo

O tempo passa rápido. É o que se diz! Natal, amigo secreto familiar, festa de final de ano, espumante, ceia, fogos de artifício. Verão, Carnaval, início de aulas para a garotada. IPVA, IPTU. Quando se vê, lá se foi o verão, as frutas amadurecidas começam a dar o ar da graça. A brisa dá lugar, lentamente ao frio, que vai aos poucos se tornando mais intenso. Inverno, chuvas e mais chuvas, ventos e mais ventos. Primavera, flores, dias mais longos. O sol aparece com mais decisão, enterrando os finais de tardes sombrios e encasmurrados. Dia da Pátria, do Gaúcho e, num passinho os papais noéis, que pareciam aprisionados, partem desfilando pelas ruas de Gramado e Canela. Invadem a cidade, a tevê, os jornais, tomam de assalto todos os espaços possíveis.

15/12/2010

Papai Noel fuma charuto e bebe Coca-Cola

A figura lendária do Papai Noel ganha, nestes tempos, um destaque extraordinário. Ela ativa em todos pelo menos dois sentimentos o de dar e o de receber. Vocacionado marqueteiro, midiático, o Bom Velhinho é o grande personagem do momento. Sua imagem, porém, foi sendo construída ao longo dos séculos até chegar ao que é hoje, um idoso fora de forma que usa roupas inadequadas ao Sul do Equador.
Conta-se que São Nicolau, bispo católico, é a origem histórica de Noel. Em sua cidade três irmãs em idade de casar, de família pobre e sem condições de oferecer dote, viviam as agruras dos excluídos. As opções seriam a solteirice eterna ou a prostituição. Conhecedor do caso, o Bispo Nicolau rondou a casa e, à noite, jogou três saquinhos de moedas para amenizar a dor do paupérrimo pai. Um deles foi jogado pela lareira e caiu dentro de uma meia colocada estrategicamente para secar. Divulgada a história, difundiu-se na comunidade o hábito de presentear os desafortunados.

O imponderável Mazembe

Goleiro Kidiaba (arte sobre foto)
Um dirigente colorado, com quem convivi durante bom tempo nas coberturas diárias como repórter no Beira-Rio pelo Correio do Povo - lá na distante década de 80 -, quando encontrava-se em dificuldades para explicar problemas que pareciam sem solução se utilizava com frequência da expressão "imponderável". No dicionário o vocábulo é, entre outras coisas, definido como circunstâcia difícil de avaliar, de prever . E esta foi a impressão que me ocorreu no decorrer do jogo entre Inter x  Mazembe, pelo Mundial de Futebol e, especialmente, no final da partida.

12/12/2010

O amigo secreto

Há algumas coisas que não podemos deixar de fazer, mesmo contrariando nossa vontade.  Nesta época então, de Natal e final de ano, crescem sobremaneira estas situações. Uma delas é participar do amigo secreto, amigo oculto, amigo x ou outro nome qualquer que a brincadeira possa receber. Fora de questão está, por exemplo, ser o único a não participar do amigo secreto em nosso local de trabalho. Ficar de fora não é uma boa atitude. 
Já que é inevitável mesmo, alguns cuidados devem ser tomados, especialmente se houver o clássico momento da revelação. Cuidado, muito cuidado na hora de caracterizar o nosso amigo. Atenção, não é hora da desforra! Não é hora de jogar na cara do sujeito aquela verdade que ficou oculta, escondida secretamente em nosso íntimo. Não é de bom tom usar este momento para a vingança, mesmo que lá no íntimo resida a certeza de que o sujeito bem que merecesse.