13/05/2011

Vitórias no futebol e na vida

O ex-presidente Lula utiliza com rara maestria a linguagem do futebol para explicar os fenômenos da política e da economia. Confesso que não sou um ardoroso defensor do reducionismo futebolístico. Porém, como se sabe, nada conquista tanta simpatia entre os brasileiros do que o distinto esporte bretão. Dentro de um barraco da favela carioca, nas casas rodeadas de jardins de inverno da serra gaúcha, nos casarões existentes dentre os muros dos condomínios mais pomposos do país, residem os técnicos mais inteligentes do futebol brasileiro. Jamais perderam uma partida, conhecem todos os atalhos para a vitória e identificam a quilômetros a burrice dos luxas, dos falcões, dos renatos e dos tites.

11/05/2011

O Guaraná Fruki do Beckhan

O astro inglês David Beckhan descobre agora o que descobri lá no início dos anos 70: o doce sabor do guaraná!  É o que conto nesta pequena crônica.

 Aqui pelas bandas dos pampas, nos anos 70 e 80, quando se falava em refrigerante (ou refri como preferia a turma do Bom-Fim), não estava se falando da Coca-Cola. Os gaúchos foram os últimos a se entregar aos encantos da Coca. Foi o reduto onde a Pepsi resistiu bravamente na preferência popular.
Mas a Pepsi tinha os concorrentes locais. Dois deles se destacavam entre a garotada. Minuano Limão e Guaraná Frisante Polar eram os grandes refrigerantes desta terra. O Minuano, fabricado pela Vontobel, era delicioso. Na sua publicidade um gaudério exclamava no final: Eu bebo porque gosto, tchê!
O Guaraná Polar tinha um jingle especial que não saia da cabeça dos meninos: "Guaraná Frisante Polar, refrescante, refrigerente, Guaraná Frisante Polar...".

03/05/2011

A ruidosa morte de Osama Bin Laden

Osama (Arte sobre foto)
A segunda-feira havia iniciado apenas para os madrugadores ou para aqueles que haviam alongado o domingo. Na longa guerra travada nos bastidores do mundo, um novo capítulo se iniciava. Considerado o gênio do mal na atualidade, Osama Bin Laden sucumbiu ao ser surpreendido pelos americanos. Protagonista da ação mais espetaculosa de todos os tempos, a destruição das Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, no coração financeiro de Nova Iorque, Bin Laden impôs aos americanos o gosto amargo da impotência, coisa inédita até então à grande potência mundial.
A audaciosa ação, que resultou na destruição de um dos ícones da cultura americana, cenário de filmes, videoclipes e desenhos animados, somada à dor resultante da perda de quase três mil vidas, impôs o medo de que outros ataques terroristas viessem a ocorrer da mesma maneira, surpreendendo os órgãos de segurança dos EUA. Milhões de dólares gastos na reestruturação do sistema antiterrorismo e, mesmo assim, o medo de ataques ainda persiste.

27/04/2011

A guerra do bem no mundo virtual

Imagens antigas trazem
o passado de volta
As ferramentas atuais do mundo virtual, as redes sociais, como Facebook e outras, são belas oportunidades de compartilhamento de informações. Familiares, amigos do passado, conhecidos, ex-colegas de aula, apartados do convívio pelos caminhos que a vida vai traçando, podem se reencontrar, ao menos na tela do computador. É um bom serviço que estes tempos de informação instantânea tem prestado a todos nós. Outro é o lado do entretenimento, importante também nestes tempos de stress, de busca de resultados e de competição exagerada. 
Os álbuns de fotos do passado que os amigos publicam são muito interessantes. Têm a força de chamar o passado para o presente. Além disso, é um exercício no mínimo interessante observar os modelitos usados pelos jovens, os cabelos esvoaçantes de outrora, os acessórios que se encontravam na moda. Aí se denota, também, o efeito que a passagem do tempo impõe ao indivíduo. Por aqui e por ali nota-se que o tempo, este impecável senhor que consome a cada dia um pouco de cada um de nós, tem sido bondoso com alguns e extremamente cruel com outros tantos. O bonitão do passado, com algumas décadas de intervalo, virou um senhor de respeito. A bela jovem, cristalizada no meio de tantas meninas no baile de debutantes do GAO, parece favorecida pelo passar dos anos.

20/04/2011

Digas o que vestes que te direi quem és

Simplicidade nos trajes do homem
pré-histórico

Não se sabe ao certo quando iniciou o costume humano de cobrir o corpo. As primeiras vestes, afirmam os estudiosos, eram pedaços de peles de animais largados aleatoriamente  visando reduzir o impacto das intempéries. Já na Pré-história, identificam-se os primeiros sinais de que a roupa poderá diferenciar os homens. O valentão, que eliminou um urso, desfilava garbosamente introduzindo aquilo que, milhares de anos depois ficou conhecido como marketing pessoal. Esnobismo, exibicionismo e outros ismos são, assim, meras decorrências do ato primitivo.

13/04/2011

As mães de Realengo

(Arte sobre foto)
Em Aquele Abraço, Gilberto Gil nos apresenta um Rio de Janeiro sorridente, lindo, leve e solto. Entre os alôs, Gil destina um ao Realengo, bairro de classe média alta, tranquilo e próspero. A história do bairro, no entanto, mudou radicalmente na semana passada. Ao invés da tranquilidade, da serenidade, a insegurança, a reocupação, a dor e o sofrimento espalharam-se para todo o mundo. Um único ser, em sua insana vivência, movido pelo seu lado mais sombrio, sepultou 12 adolescentes, que insuspeitadamente se dedicavam a uma das tarefas mais gratificantes que a civilização implementou: a busca pela instrução.

07/04/2011

Fortunas e merrecas no mundo do espetáculo

O mundo do espetáculo é um mundo diferente. Os valores que circulam por ali são surreais. Em Hollywood, um único ator, segundo levantamento da Revista Forbes, pode receber a montanha de 130 milhões de dólares em uma única película. Foi o que recebeu o ator americano Johnny Depp, o mais bem pago do cinema americano. Diante dele, Brad Pitt, 10º colocado na lista, é um pobre coitado, com meros 27 milhões de dólares.
Lógico que, se o ator principal ganha tudo isso, é porque o produto vai arrasar. O estúdio recuperará o valor logo em seguida, através de uma bilheteria estupenda nos cinemas. Lucrará, ainda, vendendo o filme para as tevês fechadas, lançará DVD, bonés, camisetas, bonecos, jogos e uma série de produtos que darão um lucro substancial.

30/03/2011

A magia dos bolinhos de chuva

É um despropósito o que tem chovido neste início de Outono. Quem aguardava algo como um prolongamento do Verão, enganou-se. O tempo mais parece o Inverno, com seus dias chuvosos e frios.
E a chuva me remete a um tempo de tardes vazias. Uma verdadeira tortura. Com a chuva presente, nada de atividades na rua. Os amigos de bola, de diversão, de traquinagens, permaneciam inertes em suas casas. As mães não permitiam qualquer incursão à rua. Com sete, oito ou nove anos, entendiam que era necessário o resguardo. Restava-me a pequena janela, de onde observava um mundo onde a atividade mais vibrante era a dos pingos de água caindo e formando poças no nosso campinho. Até os cuscos se escondiam nos dias de chuva.