Sou uma pessoa musical. Não tenho preconceito. Nasci ouvindo música. O Teixeirinha, o Gildo de Freitas, o José Mendes, o Pedro Raimundo, os trovadores do Grande Rodeio Coringa, da Rádio Farroupilha, foram parceiros de infância. Depois surgiram os sertanejos antigos, aquelas duplas mineiras, goianas e paulistas que cantavam o Brasil interiorano a plenos pulmões. Léo Canhoto e Robertinho, Pedro Bento e Zé da Estrada, Milionário e José Rico, sempre apresentados pelo talentoso Zé Bétio. Coisas de interiorano, de um Brasil com vocação rural.
Minha vocação, no entanto, revelou-se urbana. A enxada e a pá não fizeram calos na minha mão. Já no fim da infância surgiram outros nomes como Secos e Molhados, Raul Seixas Rita Lee, Erasmo Carlos e Milton Nascimento. Conforme crescia, me aproximava um pouco das canções com conteúdo. O ouvido foi gostando de Chico, Caetano, Elis e Gil foram parceiros de adolescência. Muita coisa não entendia. Meias palavras, metáforas, jogos de linguagem, expressões que pareciam dizer uma coisa, mas no fundo queriam dizer outra bem diferente. Eram os subterfúgios usados para fugir da censura e até da porrada dos defensores do regime do medo.







