Nosso campo era diminuto. Para nós, no entanto, era um local mágico. A grama era verde como estas dos melhores estádios do país. Exagero meu. Hoje, pensando bem, acho que não era tanto assim. Mas, para os olhos de meninos que fomos um dia, aquele verde era verdadeiramente um espetáculo. Tudo era um espetáculo grandioso. Cada joguinho, cada jogada. Tardes e tardes a fio, sem muitos intervalos. No máximo alguns minutos para o consumo de um copo de água quente, retirada de um suspeito poço. Geladeiras aquela turma não dispunha. Água tratada também não havia chegado à periferia.
Mas, tínhamos um campo. Cedido provisoriamente por alguém que não tinha ainda o apetite de construir. E isso, pelo menos naqueles tempos, era o que bastava.







