13/06/2014

Lupicínio Rodrigues, 100 anos

Este ano marca um século do nascimento de Lupicínio Rodrigues. Compositor gaúcho, natural de Porto Alegre, veio ao mundo no dia 16 de setembro de 1914. Foi autor de obras antológicas como Nervos de Aço, Vingança, Se acaso você chegasse, Ela disse-me assim e tantas outras canções gravadas por um sem número de intérpretes brasileiros.  Como cantava preferencialmente a dor de um amor perdido, foi apelidado de cantor da dor de cotovelo. 
Aqui no RS uma parcela significativa dos desportistas tem na ponta da língua seus versos. Gremista, Lupi compôs o Hino do Grêmio, em 1953. Segundo dizem os versos "até a pé nós iremos" se referem a uma greve nos transportes coletivos, dificultando o acesso dos torcedores ao estádio gremista.  
O compositor morreu com 59 anos, em 27 de agosto de 1974.





12/06/2014

A inexistência

A ideia é instigante, mesmo que possa servir para zombarias. Uma análise mais apurada, no entanto, permitirá que se admita como possível algo impensável num primeiro momento. Falo de uma das tantas teorias que existem por aí e que procuram explicar o funcionamento do mundo e o andamento das coisas por aqui. Talvez tenha lido em algum lugar quando procurava algo sobre a existência. Na minha cabeça ficou sendo a teoria da inexistência. Confesso que, apesar de consultar os meios existentes, não mais a encontrei. Apesar disso, a considero uma ideia interessante. Vale a pena perder alguns minutos para pensar sobre ela.

05/06/2014

Os degredados

Seu Amadeu é um homem vivido. Já morou na Alemanha durante décadas. Já viveu no Brasil durante alguns anos. Fala quatro idiomas. Vive na Europa. Admira o Brasil. Diz que é o país mais belo do mundo. Seu Amadeu não entende o Brasil. Não sabe como os brasileiros falam tão mal do seu próprio país. Como desdenham do seu país. Não entende como os brasileiros desprezam com tanta facilidade o chão em que vivem. Ele não é um privilegiado: o brasileiro não entende o Brasil.
Este é um fenômeno que parece ter nascido com o próprio país. O Brasil já existia quando foi invadido pelos colonizadores. Aqui já havia gente que aproveitava a sua maneira as potencialidades. Desfrutava das matas, dos rios cristalinos, do mar gelado do Sul, das águas quentes do Norte e do Nordeste. Gente que se perdia na mata infindável correndo dos sacis e do curupira.

27/05/2014

O amor de Inês

Inês não desejava um reino. Não queria ser uma rainha. Vivia na corte, é verdade. Era dama de companhia da D. Constança, uma princesa doente. Inês era jovem e bela, era loira e tinha os olhos verdes. Nas suas veias corriam sangue nobre galego. Porém, por ser filha ilegítima, era tida como uma plebeia qualquer. A morte de D. Constança mudará sua vida. Inês sairá de sua posição de subalterna e conquistará o amor de sua vida, nada menos que o príncipe galanteador Pedro. Viúvo não resistirá aos encantos da menina. E vai amá-la com toda a sua dedicação como jamais amara alguém. E seu romance entrará para a história da Corte. Enquanto ama sua pequena Inês, não desconfia o Príncipe que seu amor um dia servirá de inspiração para versos que surgirão da pena de Camões.

25/05/2014

A pequena aldeia

Quem poderia afirmar no passado que o nosso grande mundo viraria uma pequena aldeia? 
Até o final do século passado, o tempo transitava calmamente, cerimonioso, cumprindo seu ritual sem pressa.  Morosamente ia engolindo os segundos e os minutos como quem degusta o doce preparado pela mamãe, após um almoço familiar de domingo. 
O panorama mudou drasticamente. Nos dias atuais, tudo é tão rápido e tão rasteiro. Parece até que os relógios foram contaminados pela pressa dos fast-foods. Ao invés de saborear, o tempo vai consumindo sem medo de indigestão os dias, as semanas e os meses. 
Contribuiu para esta mudança significativa o aperfeiçoamento das comunicações e uma melhoria extraordinária nos meios de transporte, que ficaram mais rápidos e mais baratos, reduzindo as distâncias e possibilitando que mais pessoas cruzassem as fronteiras. Viajar deixou de ser um privilégio. Virou um costume.

20/05/2014

O navegante

Azulejo do Palácio Queluz,
Lisboa, Portugal.
A Terra é chata. É plana. Quando os limites dos mares findarem, as embarcações cairão num profundo fosso e daí jamais voltarão. E com elas se vão os homens, sua coragem, seus sonhos e seus projetos. Não adianta desespero, não adianta luta nem qualquer reação. A verdade é essa. E ponto final.
Outros diziam que quando as águas rareavam, monstros gulosos levantavam-se e abriam suas bocas enormes e, sem esforço, engoliam todas as embarcações. Adeus navegação, adeus homens, adeus vida. Enfrentar as águas rudes do mar nos tempos antigos era uma viagem sem fim. Sem glória, sem qualquer possibilidade de vitória. Era a viagem definitiva, sem qualquer possibilidade de apelação. Era quase uma pena capital. Um suicídio que só os loucos e os desequilibrados poderiam cometer. Navegar era desprezar a vida. Era correr para a morte. Era entregar a alma aos monstros e daí jamais ser resgatado.

06/05/2014

Paus e pedras

A "justiça" primitiva era imposta
 pela força 
Dia desses circulava pela internet imagens de um rapaz que foi amarrado a um poste. Segundo consta era um ladrão. Antes de ser amarrado ele foi brutalmente agredido por populares e teve parte de sua orelha arrancada. O texto esclarecia que a população havia tomado conta do rapaz e feito justiça. Centenas de comentários. Outro dia alguém postou imagens de alguém que seria um estuprador. Choveram comentários para que todos compartilhassem exaustivamente. Amigos nossos, pessoas de bom caráter, pais de família, empresários influentes, gente da melhor espécie vem curtindo estas monstruosidades.
Noutro lance da mesma história, quando era lembrada, no mês passado, a passagem do infeliz aniversário da ditadura militar no país, parece que houve certo acirramento de ânimos. A saudade do coturno e do fuzil parece que mexeu com a cabeça dos amigos. Alguns deles, justificando a necessidade de que os bandidos realmente paguem pelo que fazem, chegaram a pedir a pena de morte ou a institucionalização de trabalhos forçados ou coisa que o valha.

01/05/2014

A eternidade

Qual o maior desafio que nos aguarda? Para muitos, acometidos por enfermidades, talvez seja vencer o dia de hoje, avançar no dia seguinte, ganhando outros e outros dias melhores. Para outros tantos, conseguir aquele emprego sonhado há muito, projetado há tempos, mas que teima em não chegar, gerando sentimentos de angústias e de incertezas. Alguns poderão lançar seus sonhos lá para frente, quando poderão, enfim, ser felizes.
A verdade é que é da natureza humana esta expectativa pelo que vem pela frente. Quanto mais jovem, mais intensos são os sonhos, maiores os desafios. Felizmente, pois quanto mais novo o indivíduo maiores são as energias possíveis de serem canalizadas na busca da satisfação.O processo não é exclusivo dos homens. Entre os animais, mesmo os de grande porte, o desafio do dia seguinte é comum. Penso nisso após ver um documentário, destes que abordam aspectos curiosos da psicologia selvagem, que revelam a luta cruel dos animais em seu meio na conquista de territórios, de fêmeas e do respeito entre os seus semelhantes. É o projeto de vida dos conquistadores.