A placa diz PARE.
Colocada num cruzamento de duas vias no interior de Maquiné, o sinal
de trânsito recebe um acréscimo. Alguém, com alma de vândalo
poeta, grafou em letras pretas: “não pare de sonhar”. Não
obstante o flagrante dano ao patrimônio público, o alerta ou
desabafo de um desconhecido pode ser um conselho extremamente válido
nos dias de hoje.
Enquanto a cidade
descansa: a menina sonha. No dia seguinte encontrará aquele que a
fará feliz. Será por acaso. Caminhando num dia chuvoso, feio,
baterá de frente com seu guarda-chuva no rapaz. Quase o derruba na
calçada molhada. Ele sorrirá como um príncipe. Ela, estabanada,
não conseguirá falar. Não sabe se dá atenção ao guarda-chuva
que caiu, ao seu celular que se estatelou no chão ou ao rapaz.
Murmurará um desculpe-me que não sairá de sua boca. Ele continuará
a sorrir. E depois seguirá seu caminho. A menina, por sua vez,
lamentará não ter falado, não ter explicado, não ter trocado o
número de telefone. No fundo, sonha que o verá de novo.







