Naqueles
tempos em que a nossa infantilidade imperava, investíamos algumas
energias em atividades lúdicas. E, verdadeiramente, não tínhamos
preocupações ecológicas. Ninguém tinha, naquela época. Minto, o
José Lutzenberger tinha. Mas, ele era considerado louco. Um maluco
que pregava o apocalipse. Era um visionário que enxergava perigos na
derrubada de árvores, no lançamento de dejetos nos rios, nos lagos
e no mar. Era um homem estranho que aparecia na capa dos jornais
defendendo coisas que não falavam, que não se expressavam. Dava
valor aquilo que ninguém notava. Convenhamos, isso era uma coisa
muito estranha naqueles tempos em que o que mais havia era árvores e
água limpa. No nosso meio, ao menos, ninguém entendia muito bem o
que ele queria, afinal.
A
gurizada, por sua vez, longe das polêmicas, gostava mesmo era de
caçar passarinhos. E o instrumento usado era a funda ou o bodoque,
como também é conhecido. Durante a tarde juntávamos a munição,
pedrinhas redondas, e saíamos para o mato. A vontade era trazer
farta caça. Não se fazia barulho. Pé ante pé nos deslocávamos
procurando por uma presa. As pombas rolas eram as preferidas.