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No final da tarde, quando o sol
se escondia e a escuridão da noite ameaçava tomar conta, a vovó, colocada
providencialmente perto de uma janela aberta por onde entrava um ventinho que
empurrava a cortina branca para lá e para cá, dizia para seus netinhos, do alto
de suas décadas de existência: “a vida dá voltas e voltas e nada acontece por
acaso neste vasto reino que se move lentamente”. Não havia porque ter medo.
Porque o medo afasta o indivíduo do seu caminho. Ele torna a vida mais difícil.
Ele é capaz de mudar as cores das coisas mais belas. Ele mostra perigo onde não
há. Ele inibe e impede o avanço.
E
distribuía regularmente tantas mensagens no meio de histórias tão simples para
aqueles olhinhos atentos. Os dias passavam com certa tranquilidade. A noite,
então, era lenta. Parecia que não acabava
mais. Não havia tevê ali. Só um rádio antigo que captava mais chiado do
que a voz, do que a música. Raramente era ligado para poupar luz.







