Quem trabalha com impressos sabe
muito bem: é necessário revisar, revisar e revisar, sempre. Mesmo assim,
revisado, revisado e revisado, o produto final pode surpreender o leitor mais
atento. Jornais e revistas já foram às bancas com erros constrangedores nas
capas, contracapas e matérias especiais. É da vida. Há alguns erros que se
tornam clássicos como o de um jornal do interior do Paraná que publicou uma
manchete tentando acalmar a população local que passava por num momento de
grande preocupação com surtos de gripe: “Gerente da Saúde garante que não vai
faltar vagina”. Imagino uma corrida às bancas para garantir o curioso exemplar.
11/08/2017
07/08/2017
Os Leões
A história seria diferente se
quem a contasse fossem os leões e não os caçadores de leões, diz um sábio
ditado africano. Se os escravos africanos, capturados em suas tribos e levados
à força mundo afora para construir riquezas, fossem os historiadores de seu
tempo, certamente os livros seriam romances recheados de cenas de terror, de
dor e de medo, tal a agressividade reinante nesta relação entre os
colonizadores e os bichos-homens da África. Os negros africanos, segundo
religiosos europeus e boa parte da elite pensante, eram animais brutos. Não
tinham alma. Assim, a escravidão era uma benção, pois colocava a fera em
contato com a cultura de homens civilizados, sábios, conhecedores da vida, da
justiça e tementes a Deus.
26/07/2017
A Liberdade de Escolha
Os soldados derrotados nas
batalhas tornavam-se escravos dos vencedores. A força da vitória impunha a
submissão. Os vencidos alienavam suas crenças, seus bens, suas vidas.
Tornavam-se sombras daquilo que foram um dia. Perdiam a voz. Perdiam a
liberdade. Perdiam tudo. Alternativas
não existiam. A lei era essa. O jeito era vencer as batalhas e subjugar o
outro. No caso de insucesso, muitos
guerreiros preferiam a morte no campo de batalhas. A morte assegurava alguma
dignidade. A escravidão nenhuma.
Naqueles
tempos primitivos, onde a vida se resumia a meia dúzia de convenções, tudo era
muito simples. A submissão de um derrotado era algo justo, certo e
incontestável. Não sobravam dramas de consciência e nem lamuriações quanto à
injustiça da medida. Os deuses assim queriam e pronto. Não se falava mais nisso
porque ninguém era louco em afrontar os deuses da guerra.
20/07/2017
Os dias frios
![]() |
Os últimos dias têm sido
implacáveis em termos de temperatura. Os
termômetros despencaram. De um improvável veranico de julho fomos jogados num
inverno rigoroso, daqueles com direito a chuva, vento e neve no noticiário da
tevê. De camisetas e bermudas a blusões
pesados, casacos e toda a parafernália que se encontrava guardada nos roupeiros
de quem tem.
Na
fruteira, um vento gelado entrava quase sem respeito pela porta da frente
entreaberta. Os viventes encasacados, que aguardavam a hora de pesar suas
cenouras, beterrabas, chuchus, aipins e batatas doces, encolhiam-se a cada
lufada mais forte. Alguém disse que saiu
desprevenido. Dentro de casa é
quentinho. Saiu pela garagem. Dentro do carro também não sentiu muito bem a
temperatura ambiente. Achou que não era
tão frio. Quando o nariz encarou o ar gelado, o arrependimento tomou conta do
indivíduo. Havia colocado pouca roupa para o tamanho do frio que se apresentava.
05/07/2017
Conhecer a si mesmo
No mundo da filosofia há milhões
de ideias, milhões de fórmulas e de receitas. Há remédio para tudo. Porém,
entre todos os pensamentos, talvez o mais simples deles seja, também, o mais
complexo. Apesar de altamente conhecido,
não há certeza sobre quem o pronunciou. Para muitos foi Tales de Mileto. Para
outros tantos foi Sócrates, Heráclito ou Pitágoras. O aforismo grego
“conhece-te a ti mesmo” é um desses pensamentos que se adaptam a inúmeras
situações da vida e pode servir de passaporte para viagens intermináveis na
busca pelo aperfeiçoamento do indivíduo.
Inscrita na
entrada do templo de Delfos, construído em honra a Apolo, o deus grego do sol,
da beleza de da harmonia, a frase aparece em inúmeras manifestações religiosas
no sentindo de incentivar o mergulho interno do indivíduo.
29/06/2017
Os ditados populares
![]() |
| "Não adianta chorar o leite derramado" |
Os provérbios são aquelas expressões prontas que ditas e
repetidas de longa data tornam-se fórmulas mais que perfeitas para descrever
uma situação, sem exigir grandes esforços intelectuais. Carregam alguma
sabedoria e se adaptam às situações do dia a dia. Porém, o uso reiterado dos
tais ditados populares vai reduzindo a linguagem chavões, que vão apequenando o
processo de comunicação entre as pessoas.
Portanto, muito cuidado quando algum ditado aparecer no meio da
conversa. Atenção é importante. Além disso: “cuidados
e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém”.
22/06/2017
Umas e Outras
VOZ DO BRASIL – Segunda-feira deu na Voz do Brasil: “Pauta da
Câmara ficará trancada neste período. Deputados aproveitam para visitar as
festas juninas que tomam conta do interior do Nordeste”. É uma piada pronta. Sabe-se que é
significativo o número de parlamentares em todo o país que não dispensam uma
quadrilha.
FRIO/CALOR/FRIO – Um dia a temperatura chega a quatro graus aqui no
Rio Grande. Casacos, luvas, mantas, gorros, vinhos e, porque não, quentões e
tudo mais o que é de direito. No outro, larga dos quinze e pode chegar a vinte
e sete. Haja jogo de cintura e repertório para suportar essa ciranda!
16/06/2017
As Vergonhas
"Alguns povos não por falta de etiqueta, mas por razões culturais, até hoje não usam os utensílios na mesa. Na Índia, por exemplo, somente os locais mais ocidentalizados, como os restaurantes e nos grandes centros, é possível servir-se conforme s nossos costumes".
...
Nem sempre as coisas foram como
são. Houve um tempo, que a memória humana impede que alguém se lembre, que nada
tinha nome. Os costumes eram outros. Os utensílios eram outros ou nem existiam.
Em síntese, o mundo era outro, mais simples, mais grosseiro, sem tantas
alternativas e confortos.
Os
povos antigos, por exemplo, atacavam a mesa com total falta de finesse. Aliás,
mesa não existia. No quadro A Última Ceia, Jesus está cercado de apóstolo ao
redor de uma grande mesa bem posta, com toalha, pratos e talheres. Liberdade
criativa de Leonardo Da Vinci. A mesa de jantar, com tolha, talheres copos e
pratos foi introduzida somente no século XIV, ou seja, 1300 anos depois da cena
retratada pelo genial pintor italiano. Nos
tempos de Jesus de Nazaré, os homens humildes usavam as mãos para comer os
alimentos sólidos, como carne e raízes, e colheres para os líquidos. Mesmo a
alta classe atacava à mesa sem nenhuma parcimônia.
Assinar:
Postagens (Atom)






