02/04/2018

A Pressa

John Wayne
Nos velhos filmes do Velho Oeste só sobreviviam os que eram rápidos no gatilho. A rapidez era sinônimo de vida. A lerdeza era punida com um punhado de balas. Ao menos assim era nos filmes estrelados por John Wayne e Clint Eastwood, que faziam justiça com as próprias armas e eliminavam os valentões e bandidos que saqueavam os rancheiros norte-americanos. A mesma destreza valia para eliminar os temidos indígenas que atacavam os colonos numa luta sanguinária pela terra. Mas, neste caso, já é outro história. Os índios, retratados como cruéis assassinos eram os mocinhos da história, mas isso não era levado em conta por roteiristas, diretores e pelos expectadores. Naqueles tempos, índio bom era índio morto.

Hoje, amanhã e depois


O Facebook pergunta: o que você está pensando. O Facebook responde: não, não precisa dizer. Nós sabemos o que você pensa!

Não vou cair na esparrela de repetir tudo o que se disse nos últimos dias. Nem vou usar este espaço aqui para jogar ainda mais negatividade quanto ao futuro do país e da humanidade. Muito menos vou aproveitar para lamentar que uma desembargadora, do alto de sua respeitável posição jurídica, tenha usado argumento de discussão de mesa de bar para condenar o morto ao invés de quem matou. Nem vou lembrar outra desembargadora, que se valeu de ironia para criticar uma jovem com Síndrome de Down que exaltava sua alegria em ter concluído um curso para educadora. O Brasil vem surpreendendo o mundo.  E não é pelo bolão que vem jogando. É pela bola que não joga.

15/03/2018

Mudam os tempos


Periodicamente chegam por aqui informações sobre mudanças profundas. Mudam os hábitos. Mudam os tempos. Mas, mudanças significativas na forma de viver aqui na Terra são poucas. Mesmo hoje, nestes dias marcados pelo avanço tecnológico e científico, continua a vida como há muito tempo atrás. E olha que a humanidade avançou em termos de invenções. As comunicações ficaram mais rápidas, instantâneas, as bibliotecas estão à disposição de todos no mundo virtual, o conhecimento juntado pelos homens por milhares de anos está todo disponível para consulta.

10/03/2018

A Boa Sorte


Boa dose de sorte acompanha os afortunados. Carência de sorte assiste os desafortunados. Há boa sorte e má sorte. Ela bafeja alguns poucos e parece ignorar a grande maioria dos sujeitos.
A sorte é um desses seres pouco compreendidos. Há dúvidas reais se realmente existe. Para alguns é uma criação da sabedoria popular, um  mito que vem se perpetuando para explicar de um modo muito pouco preciso os caminhos vitoriosos de alguns e os  tropeços de outros.
Cientificamente não há explicações plausíveis para a sua existência. Nos últimos tempos, porém, com a difusão do conceito quântico de que o observador pode alterar a reação das partículas ínfimas, não se duvida tanto de que existam princípios ainda não provados que favorecem a ocorrência deste ou daquele fenômeno desconhecido.  Assim, a inexistência de uma comprovação científica não é taxativa quanto à existência ou não de alguma coisa neste vasto mundo do desconhecimento.

21/02/2018

As Curtidas


As redes sociais vieram para mudar tudo. Eu disse tudo. Mas, nem sempre foi assim. No começo era mais uma brincadeira de nerd. Hoje é coisa séria. A vida passa por ali. Se não tá na rede não existe. O mundo virtual é o mundo real. A vida chata de alguém que carrega dentro de si uma carga enorme de infelicidade pode ser filtrada de tal forma que os outros a percebam como a mais feliz das criaturas.
Não é discurso moralista. Nem estou dizendo que um dia foi melhor. Não é isso. Na verdade, o homem vem, desde os tempos da penumbra das cavernas, tateando. Saiu da escuridão para a luz sem óculos escuros. Viu seu reflexo na água e ali nasceu um deus.  E foi criando deuses e mais deuses porque se encantou com tudo o quanto era majestoso e inexplicável.

18/02/2018

Sobre cães e músicas


Perseguição – É final de tarde. Três cães se encontram na praia. Um é de madame. Os outros nem tanto. Mesmo diferentes juntam-se pelo mesmo ideal. Perseguem insanamente três quero-queros que voam baixo sobre a cabeça de corpos bronzeados e de branquelos de toda a ordem que ainda resistem na faixa de areia. Os pássaros se divertem e os cães também. Os caninos talvez pensem que é possível alcançá-los. Na vã tentativa, às vezes chegam a dar saltos. Coisa pouca. Sem resultados práticos. Os pássaros parecem zoar. Dão voltas e voltas pela praia. Voam baixo dando alguma esperança aos perseguidores. Súbito sobem um pouco mais. É risível a brincadeira. O pescador esquece o anzol na água e ri. A senhora sisuda ri também. Ri o menino pequeno que toma banho de cuequinha do Batman. Minutos depois, extenuados, os cães vão desistindo da brincadeira. Voltam a marchar seriamente. Os quero-queros seguem voando baixo.

10/02/2018

Você tem razão



Um debate vez por outra não faz mal a ninguém. Se for sobre algo irrelevante é até divertido. Quem jogou mais: Pelé ou Maradona; Maradona ou Messi; Pelé ou Messi? Se a discussão envolver gente mais vivida, que teve a honra de assistir, mesmo em videotape ou nos documentários do Canal 100, no cinema, Pelé ganhará de lavada. Se o debate for na terra de Gardel, o caso muda de figura. Racionalmente, porém, sabemos que não dá para comparar coisas de grandezas diferentes, de tempos diferentes. Como se dizia há algum tempo: cada um no seu quadrado.
Nos dias atuais, no entanto, há um fascínio exagerado, quase obsessivo, de manter discussões intermináveis sobre determinadas questões que parecem ser os grandes problemas de humanidade. O tatame onde estas quase lutas se arrastam são as redes sociais. Uma das técnicas mais usadas nesta guerrinha virtual é desqualificar radicalmente o argumento do outro. Se houver insistência: soltar o verbo recheado de impropérios, procurando criar constrangimento ao oponente.

29/12/2017

Ano Novo, vida nova

VIDA NOVA- Ano novo vida nova: diz uma surrada expressão otimista, hoje um tanto quanto sem uso. Talvez para um que outro coincida o avanço do calendário com a fase de transformação da existência. Pensando bem, que bom seria que num passe de mágica as transformações necessárias ocorressem com a simples mudança do ano. A magia, no entanto, não ocorre assim num flash. No processo natural, é necessário tempo de maturação para que as coisas se consolidem.
Porém, para quem está necessitado de uma quinada na existência, o clichê bem que pode funcionar como uma mola. Mas, cuidado: até uma mola cansa.