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| John Wayne |
02/04/2018
A Pressa
Hoje, amanhã e depois
O Facebook pergunta: o que
você está pensando. O Facebook responde: não, não precisa dizer. Nós sabemos o
que você pensa!
Não vou cair na esparrela de
repetir tudo o que se disse nos últimos dias. Nem vou usar este espaço aqui
para jogar ainda mais negatividade quanto ao futuro do país e da humanidade.
Muito menos vou aproveitar para lamentar que uma desembargadora, do alto de sua
respeitável posição jurídica, tenha usado argumento de discussão de mesa de bar
para condenar o morto ao invés de quem matou. Nem vou lembrar outra
desembargadora, que se valeu de ironia para criticar uma jovem com Síndrome de
Down que exaltava sua alegria em ter concluído um curso para educadora. O
Brasil vem surpreendendo o mundo. E não
é pelo bolão que vem jogando. É pela bola que não joga.
15/03/2018
Mudam os tempos
Periodicamente chegam por aqui
informações sobre mudanças profundas. Mudam os hábitos. Mudam os tempos. Mas,
mudanças significativas na forma de viver aqui na Terra são poucas. Mesmo hoje,
nestes dias marcados pelo avanço tecnológico e científico, continua a vida como
há muito tempo atrás. E olha que a humanidade avançou em termos de invenções.
As comunicações ficaram mais rápidas, instantâneas, as bibliotecas estão à
disposição de todos no mundo virtual, o conhecimento juntado pelos homens por
milhares de anos está todo disponível para consulta.
10/03/2018
A Boa Sorte
Boa dose de sorte acompanha os afortunados. Carência de
sorte assiste os desafortunados. Há boa sorte e má sorte. Ela bafeja alguns
poucos e parece ignorar a grande maioria dos sujeitos.
A sorte é um desses seres pouco compreendidos. Há dúvidas
reais se realmente existe. Para alguns é uma criação da sabedoria popular,
um mito que vem se perpetuando para
explicar de um modo muito pouco preciso os caminhos vitoriosos de alguns e os tropeços de outros.
Cientificamente não há explicações plausíveis para a sua
existência. Nos últimos tempos, porém, com a difusão do conceito quântico de
que o observador pode alterar a reação das partículas ínfimas, não se duvida
tanto de que existam princípios ainda não provados que favorecem a ocorrência
deste ou daquele fenômeno desconhecido. Assim,
a inexistência de uma comprovação científica não é taxativa quanto à existência
ou não de alguma coisa neste vasto mundo do desconhecimento.
21/02/2018
As Curtidas
As redes sociais vieram para
mudar tudo. Eu disse tudo. Mas, nem sempre foi assim. No começo era mais uma
brincadeira de nerd. Hoje é coisa séria. A vida passa por ali. Se não tá na
rede não existe. O mundo virtual é o mundo real. A vida chata de alguém que
carrega dentro de si uma carga enorme de infelicidade pode ser filtrada de tal
forma que os outros a percebam como a mais feliz das criaturas.
Não
é discurso moralista. Nem estou dizendo que um dia foi melhor. Não é isso. Na
verdade, o homem vem, desde os tempos da penumbra das cavernas, tateando. Saiu
da escuridão para a luz sem óculos escuros. Viu seu reflexo na água e ali
nasceu um deus. E foi criando deuses e
mais deuses porque se encantou com tudo o quanto era majestoso e inexplicável.
18/02/2018
Sobre cães e músicas
Perseguição – É
final de tarde. Três cães se encontram na praia. Um é de madame. Os outros nem
tanto. Mesmo diferentes juntam-se pelo mesmo ideal. Perseguem insanamente três
quero-queros que voam baixo sobre a cabeça de corpos bronzeados e de branquelos
de toda a ordem que ainda resistem na faixa de areia. Os pássaros se divertem e
os cães também. Os caninos talvez pensem que é possível alcançá-los. Na vã
tentativa, às vezes chegam a dar saltos. Coisa pouca. Sem resultados práticos.
Os pássaros parecem zoar. Dão voltas e voltas pela praia. Voam baixo dando
alguma esperança aos perseguidores. Súbito sobem um pouco mais. É risível a
brincadeira. O pescador esquece o anzol na água e ri. A senhora sisuda ri
também. Ri o menino pequeno que toma banho de cuequinha do Batman. Minutos
depois, extenuados, os cães vão desistindo da brincadeira. Voltam a marchar
seriamente. Os quero-queros seguem voando baixo.
10/02/2018
Você tem razão
Um debate vez por outra não faz mal a ninguém. Se for sobre
algo irrelevante é até divertido. Quem jogou mais: Pelé ou Maradona; Maradona
ou Messi; Pelé ou Messi? Se a discussão envolver gente mais vivida, que teve a
honra de assistir, mesmo em videotape ou nos documentários do Canal 100, no
cinema, Pelé ganhará de lavada. Se o debate for na terra de Gardel, o caso muda
de figura. Racionalmente, porém, sabemos que não dá para comparar coisas de
grandezas diferentes, de tempos diferentes. Como se dizia há algum tempo: cada
um no seu quadrado.
Nos
dias atuais, no entanto, há um fascínio exagerado, quase obsessivo, de manter
discussões intermináveis sobre determinadas questões que parecem ser os grandes
problemas de humanidade. O tatame onde estas quase lutas se arrastam são as
redes sociais. Uma das técnicas mais usadas nesta guerrinha virtual é
desqualificar radicalmente o argumento do outro. Se houver insistência: soltar
o verbo recheado de impropérios, procurando criar constrangimento ao oponente.
29/12/2017
Ano Novo, vida nova
VIDA NOVA- Ano novo vida nova: diz uma surrada expressão otimista,
hoje um tanto quanto sem uso. Talvez para um que outro coincida o avanço do
calendário com a fase de transformação da existência. Pensando bem, que bom
seria que num passe de mágica as transformações necessárias ocorressem com a
simples mudança do ano. A magia, no entanto, não ocorre assim num flash. No
processo natural, é necessário tempo de maturação para que as coisas se
consolidem.
Porém, para quem está necessitado
de uma quinada na existência, o clichê bem que pode funcionar como uma mola.
Mas, cuidado: até uma mola cansa.
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