Nos tempos de colégio, os
professores, vez por outra, pediam uma composição. Era assim que chamavam o que
se convencionou chamar depois como redação. Vinte linhas era o mínimo que
pediam. Suplício para uns, moleza para outros. Os temas eram abrangentes. As
ideias que apareciam nas composições eram restritas. Não havia muitas fontes de
informação. Entre a população de baixa renda, um rádio na casa era obrigatório.
Uma tevê quase um luxo. Jornais e revistas eram artigos raros.
Um colega tinha uma letra miúda. Numa
linha cabiam dezenas de palavras. A composição dele era formada por pequenas
formiguinhas azuis, quase todas do mesmo tamanho naquele vasto fundo branco
atravessado por linhas negras. Era a exceção à regra. Para ele, convencionou-se
que dez linhas eram suficientes. Dava
para contar sua vida toda, de sua família e, talvez, dos vizinhos mais
próximos.







