Minha
mãe não contava histórias de boi da cara preta nem de bicho papão.
A vida era dura e ela não tinha tempo para isso. Os tempos eram
outros como são sempre outros os tempos que se vão. O mundo era
mais simples. Vivia-se com menos. Muito menos do que se tem hoje. Na
verdade, vivia-se como dava.
No
caso dela, mulher, pobre, cheia de filhos, a vida nunca foi um conto
de fadas, da Cinderela ou da princesa. Sempre havia coisas mais
importantes a fazer: uma roupa para lavar, um pão no forno assando,
uma casa para varrer, alguns filhos para cuidar, buscar água no
poço, juntar lenha para o fogão. Assim, não sobrava tempo para
ensinar a filharada a ter medo. Além disso, era econômica nas
palavras. Não era de muitos rodeios. Porém, quando falava acertava
o alvo.






