10/01/2019

Andam dizendo por aí


Gatos caem do telhado – Os felinos são fortes, lépidos, rápidos, espertos e ágeis. Na linguagem popular, dizem que os domesticados, notadamente os gatos, contam com sete vidas. É crença antiga, é claro, despudoradamente falsa. Os bichinhos são sensíveis. Mudanças são um pesadelo para eles. E, tanto quando nós, morrem um dia independentemente de seis outras possibilidades. Outro pensamento popular é de que os gatos não se machucam na queda. Apesar da agilidade, caem do telhado. Machucam-se. O conhecimento popular construído através do achismo e da primeira impressão, em regra, encontra-se muito distante da realidade científica.

Todo o poder emana do povo – Pensamento basilar da democracia e princípio constitucional pátrio, a assertiva é uma dessas pérolas que encantam nos discursos dos políticos e enchem de orgulho quem ouve. Faz bem ao ego acreditar que realmente o poder é do povo. Mas, não é bem assim. O poder do povo está em eleger. Feito isso, babaus. O eleito, bom ou ruim, de centro, de direita ou de esquerda, arrogante ou simpático, honesto ou nem tanto, está autorizado a governar como quiser. Isto porque, os votos recebidos são uma espécie de salvo conduto. O povo vota, mas não governa. A menos que se alie e crie exércitos de defensores que têm como papel básico combater qualquer crítica, qualquer citação ou mesmo qualquer manifestação de humor nas redes sociais.

A igualdade – Todos são iguais perante a lei. É outro desses princípios tão belos quanto ineficazes. Num mundo ideal talvez fosse a grande lei. A igualdade de todos os seres abaixo da luz solar. Os budistas pensam assim. Quem conhece o templo de Três Coroas bem sabe que há plaquinhas alertando os visitantes sobre os carreirinhos das formigas. Pedem respeito à vida das formiguinhas porque elas também são seres dignos de respeito. Porém, mesmo quem se dedica a lançar olhares encantados aos corpos celestes reage com algum furor de estiver em cima de um formigueiro. Lá se vai o respeito ao ser criado pela Perfeição.

Racionalismo – O racionalismo, se levado ao extremo, é capaz de eliminar em muito o impacto das ideias. O debate próprio de quem pensa, que se estabelece após o surgimento de uma ideia, talvez tenha o poder de reduzir o impacto daquilo que aparece através da intuição. Muitos artistas, escritores, pintores, acordam na madrugada quando surge alguma mensagem intuitiva. Jogam-se sem pensar no trabalho. Nem tudo vira obra de arte, é claro. O Rolling Stone Mick Jagger disse, certa vez, que ouve algumas músicas compostas por ele mesmo e nota que a peça não veio de seu cérebro. Não sabe de onde surgiram os versos, as notas, os arranjos. Acha tudo isso muito estranho porque não encontra uma explicação para o fenômeno. Agora nem busca mais uma resposta. É isso jovem Jagger: nem tudo o que ocorre por aqui tem uma explicação racional. Ou tem?


29/12/2018

Ser feliz é o que se quer


O foco da existência humana deveria ser a construção da felicidade. Não é. A educação formal, por exemplo, tende a se expandir na busca da construção de uma carreira rentável que proporcione uma boa renda para a aquisição de bens. Dinheiro, imóveis, conforto, viagens, boas roupas, uma boa imagem são os ideais de vida, na atualidade. O ideal de vida meio que se confunde com o status de felicidade ostentado nas redes sociais. Ao mesmo tempo que se expande para um lado, o processo educacional se restringe por outro: bem-estar, satisfação, construção de um caminho mais livre e, até certo ponto, despreocupado com os bens materiais e o culto à imagem perdem espaço cada vez mais.
A educação tende a correr cada vez mais em direção ao mercado. Formar profissionais que possam construir carreiras de sucesso é a norma. A competição começa cedo. A busca pelos melhores não poupa ninguém. Algumas décadas depois da implantação deste tipo de filosofia, que prega a luta desenfreada pela vitória profissional, pela carreira que dá visibilidade, status e grana, ocorre uma tímida retração. Ocorre que o mercado está saturado de profissionais competentes e infelizes. Gente que faz o que pensou que era o correto e abandonou seus talentos e seus sonhos porque estavam ligados a coisas que não davam dinheiro.

20/12/2018

A força das palavras

"Diante do resultado atingido no experimento, além de tudo o que se conhece sobre os efeitos da força impulsionadora da linguagem no contexto humano, pode-se afirmar que as palavras repetidas como mantras carregam energia capaz de contribuir para a construção de realidades".


As palavras carregam algum peso. Algumas expressões mais do que outras são marcantes pela carga que expressam. O que num momento primeiro pode parecer um ajuntamento de letras, na verdade, é um veículo condutor de energia. Não é blá-blá-blá, não! Há estudos empíricos ou nem tão empíricos assim que demonstram a força emanada pelas palavras. De algum modo, pode-se afirmar que a expressão linguística se não é por si só determinante, ao menos pode influenciar no resultado conquistado.

15/12/2018

A Magia

 "O ilusionista é o artista que encobre a realidade visível entregando uma outra realidade a quem se permite ver. Artistas criam. Iludem quando podem. O indivíduo que descubra, que desvende. O mistério desfeito perde a graça. O encanto se afasta".

O universo é mágico. Ou, pelo menos, deve ser. Restam incertezas a seu respeito, eis que é um gigante desconhecido. Conhecidas são algumas das leis que o regem. Outras, no entanto, ainda carecem de descoberta. Porém, uma coisa é certa: ele se expande sem parar. Ao menos é o que dizem os cientistas. Assim, se cresce ininterruptamente, pode-se crer que essa imensidão, que se convencionou chamar de universo, é um ser vivo que está se criando aos poucos. Dedução lógica. Mas, a lógica nem sempre prevalece. Não há palavra definitiva sobre isso. Então, especular é possível.

05/12/2018

As certezas. As dúvidas. A relatividade

 "Neste novo contexto, os certos e os errados vão sendo amenizados. Nas boas conversas não mais são admitidas teses onde a certeza reside na bipolaridade."


Tinha mais certezas do que idade. Era adolescente, mas carregava uma carga imensurável de certos e de errados. Dúvidas eram poucas. Pelo menos era o que acreditava. O tempo, no entanto, vai passando e com ele as coisas vão se modificando aos poucos. A vida avança, as experiências vão chegando, as opções sendo feitas, os caminhos construídos e as certezas vão sendo desfeitas. Um engano aqui outro erro lá, uns acertos neste setor e outros no lado de lá. Com o andar da carroça misturam-se os certos e os errados de tal forma que pode chegar uma hora em que o embaralhamento transfigure tudo.
Bem se sabe hoje que a Teoria da Relatividade, descoberta pelo físico alemão Albert Einstein, considerada a grande mente do século XX, incide não só na Física. Deixando a complexidade de lado, resumidamente pode se dizer que a Teoria da Relatividade afirma que o tempo não é igual para todos, podendo variar de acordo com a velocidade, a gravidade e o espaço. A relatividade saiu das garras da Física e se influenciou outros ramos de conhecimento. Não há, por exemplo, como se conceber hoje um pensamento que não preveja certo grau de variação, de concessão e de alternatividade justamente pela “relatividade das coisas”.

24/11/2018

Tombos e tropeços

"Uma das maiores características dos dias de hoje, apesar do excesso de fontes de informação, é justamente a falta de informação de qualidade."

Nunca se produziu tantas notícias quanto nos dias hoje. O planeta ficou pequeno demais para atender à demanda da comunicação em massa. A Terra, às vezes, parece uma pequena aldeia. Num passado não muito distante a notícia chegava a cavalo. Sim, era desta forma que o jornal se deslocava de sua sede até as mãos do leitor que morava no recanto mais distante. O rádio veio a agilizar a chegada da informação. As ondas não necessitam do lombo do cavalo para chegar até o ouvinte. Bastava um receptor, uma antena e o locutor levava ao respeitável público o que de novo acontecia na cidade, no estado, no país e no mundo. A tevê veio bem mais tarde. Demorou para se tornar popular.

14/11/2018

Conhecimento, consciência e opinião

Conhecimento e consciência são dois termos que caminham juntos há muito tempo. Sócrates, filósofo grego, alertava sobre a necessidade de o homem buscar as respostas para seus anseios a partir do autoconhecimento. Ou seja, sem conhecer a si mesmo não pode o indivíduo responder aquelas dúvidas tão comuns sobre a sua identidade, sobre o seu papel histórico, sobre o seu caminho, sobre suas angústias e aspirações.
Nos dias atuais é comum a confusão que se estabelece entre conhecimento e opinião. Opinião são as considerações que fazemos sobre algo a partir de algumas impressões pessoais: - como será o dia de hoje? “-acho que vai chover”. Poderia dizer que teremos muito sol. E poderia errar ou acertar. Opinião é a manifestação feita sem embasamento teórico ou mesmo prático. Assim, não é necessário que o indivíduo seja especialista para opinar sobre meteorologia, sobre esportes, sobre economia, sobre a política nacional e internacional, sobre o comportamento dos mercados ou mesmo sobre medicina. Basta um computador ou smartphone e uma conexão com a internet. Afinal, todos nas redes sociais têm opinião.

12/11/2018

A Liberdade

Liberdade, igualdade e fraternidade era o lema dos revolucionários franceses que derrubaram a monarquia e o clero instituindo uma nova ordem social, política e econômica na França, influenciando toda a Europa, no final do século XVIII. Dentre as conquistas mais significativas deste período, destaca-se a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo, assim, que um ser humano não deve ser tratado pelo Estado de forma autoritária.
Apesar de consolidado em todo o mundo, o lema vem sofrendo um desgaste significativo nestes anos de Nova Era. A pátria que o concebeu, a França, está batendo cabeça. Respeitar tão largos e abrangentes princípios tem sido um tanto quanto desafiador. E o que vem causando este tumulto é justamente a busca por uma vida melhor, mais humana, mais compreensiva e por maiores oportunidades de futuro por milhares de pessoas que fogem de zonas de conflito. Em tese, a França é o melhor local no mundo para isso. Os franceses, no entanto, não vêm pensando dessa forma. Cada imigrante significa o acirramento na disputa por vagas no concorrido mercado de trabalho e no atendimento nos serviços públicos. Como o dinheiro é finito, sobram problemas e carecem soluções.