Ao contrário do que se imagina, o brasileiro é um indivíduo que
sabe valorizar sua pátria. E esse patriotismo sempre esteve
relacionado às conquistas. Jamais com governantes. Jamais quando se
sente obrigado. Nos anos 80 e 90 o Brasil era só festa e reverência
à sua bandeira e ao seu hino. Ayrton Senna, Nélson Piquet, o vôlei,
o basquete, a vela traziam alegria e satisfação. Nem o mais tosco
deixava de se emocionar quando a bandeira subia se destacando ao lado
de potências esportivas. Fórmula 1, natação, Daiane dos Santos e
seu salto duplo twist carpado, o Manezinho Guga e suas tacadas
certeiras, Brasil nas copas sem tantas firulas, dando gosto de ser
ver. Era orgulho puro. Não havia necessidade de major, de general,
de governante dizer nada. A alegria contagiante valorizava o país.
As pessoas deixavam o coração falar. Sem memorandos internos, sem
ordens, sem circulares.
08/04/2019
28/03/2019
Os homens e os deuses
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| Monte Olimpo - representação de Zeus na Grécia Antiga |
Os maçons chamam-no de Grande Arquiteto do Universo. Os indígenas
de o Grande Espírito. Os judeus são proibidos de dizer Seu nome. O
Inominado é, então, substituído pela expressão Adonai, que
significa Senhor. Alá é o deus dos Árabes. Há vários títulos
também atribuídos ao Criador dos mundos, do tempo e de tudo o que
há, o que haverá e o que houve. Elohim, Elohá, El Shadday,
Yhwh/Yahweh/Jeová são algumas das designações religiosas para o
Criador poderoso e forte.
Já Xuxa Meneghel, há algumas décadas, preferia tratá-Lo como o
Cara lá de Cima. Isso fez com que ela permanecesse no centro de
algumas teorias conspiratórias enquanto fez sucesso. Tratar a
divindade desta forma tão íntima e desleixada, tão desrespeitosa e
arrogante, revelava que a loira tinha selado um pacto com o inimigo.
Esse pacto, segundo as teorias mais malucas, faria com que ela fosse
impedida de todas as formas de tratar a divindade como deveria. Caso
ela claudicasse, perderia todo o sucesso e a dinheirama que amealhou
ao longo de sua carreira exitosa. O Capeta estaria por trás de tudo
isso. Só ele poderia garantir que uma artista que não sabia cantar
fizesse tanto sucesso como cantora, que não sabia atuar fizesse
tantos filmes.
20/03/2019
O perigoso mundo dos remédios
O pensamento até que tem alguma lógica: surge uma doença,
pesquisadores analisam o caso, laboratórios investem pesado e
desenvolvem um remédio. Uma revista científica publica o trabalho
assinado por um escritor. O médico receita a medicação. O paciente
toma. E a doença vai embora.
Assim deveria ser. Porém, nem sempre é assim que ocorre. Existem
inúmeros alertas de que esta tabelinha entre doença, pesquisa,
desenvolvimento de medicação e cura não se estabelece como
deveria. O mais contundente deles é de Robert Whitaker, jornalista
americano, escritor especializado em medicina e ciências, que
publicou quatro livros sobre o tema e venceu inúmeros prêmios de
jornalismo nos EUA. Segundo ele, a indústria farmacêutica investiu
na relação com a psiquiatria e o que se vê hoje é uma sociedade
altamente medicada e sem uma resposta positiva para os transtornos
que atingem o ser humano.
14/03/2019
A caça e o caçador – A lei da selva
É da natureza dos animais a luta pela sobrevivência. Nas florestas
que restam em todo o planeta, notadamente cercadas e mantidas por
governos como reservas biológicas, é normal a luta encarniçada das
espécies para matar a fome e prosperar até o dia seguinte. Não há
dó nem piedade. Um leão ou um leopardo não viverão dramas
existenciais quando avistarem um filhote de gazela disperso de sua
manada e, portanto, indefeso. A graça e a beleza se vão para
sempre. Restam pedaços de carnes e ossos trucidados por dentes
fortes e engolidos por uma boca faminta.
Entre os homens civilizados, cultos e pretensamente conhecedores das
razões da existência esta ação natural que acomete todos os seres
bem que poderia ficar ao largo. Mas, vez por outra, essas guerras
animalescas bem que tomam conta da realidade humana.
26/02/2019
Sobre memes e vírus
Os
meios de comunicação influenciam sobremaneira na forma como as
pessoas se manifestam no seu dia a dia. Há algumas décadas, a
informação circulava com alguma lentidão. Houve um tempo em que os
maneirismos dos programas de tevê, os bordões dos programas
humorísticos, eram incorporados no vocabulário da molecada e mesmo
dos adultos sem noção. “Vai pra casa, Padilha!”, “tem pai que
é cego!”, “e o salário, ó!”, “o macaco tá certo!”,
“Cacildis”, foram algumas dessas expressões criadas por
humoristas como Jô Soares, Chico Anysio e Mussum que os meninos
gostavam de usar no meio de suas conversas um tanto quanto
despretensiosas. A ingenuidade ainda dava as caras.
A Visão da Montanha
O mundo
é mental dizem os entendidos. Vão mais longe, dizendo que há uma
mente inteligente por trás de tudo o que existe, do que existiu e do
que existirá. Boa parte da civilização chama esta mente
inteligente de Deus. É uma forma de reduzir a complexidade e tornar
palpável o que não é. Ou, até mesmo de certa desídia e
conformidade.
Porém,
enganamo-nos todos quando cremos que a mente inteligente substitui a
mente da gente. Nossa visão de mundo depende mais de nosso foco e da
nossa lucidez do que da intervenção de terceiros.
Pode
parecer muito complexo isso tudo. Mas, no fundo, reside alguma
simplicidade por aqui. Senão vejamos: imaginemos agora, usando este
atributo fantástico que é nosso cérebro (um mundo infinito de
conexões que geram realidades distintas a cada um), que vamos
subindo uma montanha. Olhando do sopé da montanha avista-se um
horizonte. Ora, este horizonte vai sendo modificado cada vez que a
marcha avança em direção ao topo. Chegando lá em cima, a escalada
revelará um horizonte mais amplo. O panorama será muito diferente
daquele observado do sopé.
11/02/2019
Roda Pião
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| Pião. Imagem: Wikipedia |
Essas
tragédias que vez por outra consomem vidas, comovem a todos e trazem
dor e sofrimento, especialmente aos mais próximos, os familiares, em
regra, apresentam pontos em comum: falta de fiscalização,
relaxamento de entes públicos e privados, legislação frouxa que
permite que empresários e dirigentes continuem jogando com a sorte e
a demora excessiva no estabelecimento de culpados, gerando uma total
garantia de impunidade.
Foi
assim na Barragem de Mariana, será assim na de Brumadinho, talvez
assim seja no Ninho do Urubu, do Flamengo, onde meninos sonhadores
tiveram seus sonhos interrompidos por um desses “acidentes” que
bem poderiam ter sido evitados. Tivesse a tragédia ocorrido no
centro de treinamento do Cacimbinhas ou de um dos clubes do Acre,
ainda assim, seria lamentável. Mais lamentável ainda quando se sabe
que o Flamengo tornou-se uma potência econômica nos últimos anos,
tendo faturado só com a venda de dois jogadores no ano passado
(Lucas Paquetá e Vinícius Jr.) algo em torno 80 milhões de euros
ou 340 milhões de Reais, aproximadamente.
As minas
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| Mina terrestre, artefato de guerra |
Os dramas coletivos são capazes de inscrever no mapa locais até
então desconhecidos da grande maioria das pessoas. Em 2015, Mariana,
a primeira capital da Província de Minas Gerais, vinha vivendo um
período de pouco destaque, muito embora a grande produção de
minérios. A mineradora Samarco protagonizou um desastre com o
rompimento de uma barragem matando 20 pessoas e causando praticamente
a destruição do Rio Doce. Até o momento era o maior desastre
ecológico registrado no país.
Agora foi a vez de Brumadinho, uma pacata cidade mineira de menos de
40 mil habitantes, vivenciar um drama ainda maior. Entre mortos e
desaparecidos mais de 300 pessoas. A Vale, empresa que explora a
mineração na área, lamentou muito o ocorrido. Suas ações na
bolsa de valores caíram 20%, diz a manchete do jornal.
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