Aqui
perto há um terreno baldio na esquina. Outro grande logo ali. Por
aqui há também algumas áreas grandes com gramado e bem
arborizadas. Ainda que esteja chovendo um pouco, os pássaros são
insistentes. Pelo pouco que conheço, noto que há sabiás, pardais e
quero-queros ocupando o mesmo território. Não são os pingos da
chuva que os colocam a descansar. Na hora em que escrevo um
verdadeiro alarido de sons vai tomando conta do ambiente. Parece que
cada pássaro quer ser ouvido mais longe. Se estão dialogando falam
línguas distintas. Como cantam com decisão estes pequenos.
Contam
os mais entendidos sobre o costume dos pássaros que um deles, o
quero-quero, coloca-se a cantar longe do ninho para afastar os
invasores e garantir a segurança dos filhotes. Serzinho inteligente,
faz um alarido com se o ninho estivesse por ali prestes a ser
invadido. Dá rasantes, canta desesperadamente demonstrando sua ira e
sua determinação. Às vezes, conta com a solidariedade de um ou
outro que se junta no intuito de atacar com mais insistência e
efetividade o ameaçador. É conhecida a sua ferocidade,
especialmente pelo esporão que apresenta na ponta das asas. Acuado,
torna-se um gigante, apesar de medir algo em torno de 37 centímetros
e pesar insignificantes 280 gramas.
Por
ser um defensor intransigente de seu território, o quero-quero foi
adotado como símbolo do Rio Grande.