Quando ouvimos a expressão ponto de vista, em regra, pensamos logo
em opinião. Popularmente assim é. Para o senso comum, ponto de
vista, opinião, parecer vem a ser tudo a mesmíssima coisa. Porém,
se estas frutas receberem algum aperto darão origem a sucos
distintos. O ponto de vista é uma opinião mais fundamentada, é um
parente próximo do parecer. Já o parecer carrega no seu íntimo
algum cuidado técnico, algum conhecimento prévio e resulta sempre
em alguma responsabilidade posterior.
Um palestrante, um expositor, um comunicador, por exemplo, quando
desejar entregar para a plateia uma mensagem carregada de alguma
credibilidade usará em seu discurso menos opinião e mais ponto de
vista. Eu acho, então, está descartado. É o fim da várzea. O
enterro da narrativa. O eu acho é quase um acidente: “Estava ali
na rua, olhei para a direita sem muita pretensão e achei tal coisa”.
Tive um professor que detestava o “eu acho”. “Não achas nada,
filho!”, dizia de vez em quando.






