08/07/2019

Os áureos tempos da Marshmallow


Em 2013, por ocasião dos 60 anos do GAO- Grêmio Atlético Osoriense participei de alguns trabalhos de resgate da história do clube. Um vídeo foi editado e um caderno no Jornal Bons Ventos. Na oportunidade, abordei a importância do clube no atendimento a alguns dos anseios dos jovens daquela época: entretenimento, festa e engajamento.
Eram outros tempos, outras preocupações, outra forma de encarar  a vida.Segue a matéria que nasceu de uma entrevista com um dos idealizadores da boate Marshmallow, Neimar Pacheco.



O verbete marshmallow é apresentado na Wikipedia como “um confeito que, em sua forma moderna, consiste de açúcar ou xarope de milho, clara de ovo batido, gelatina previamente amolecida em água, goma arábica e flavorizantes, batidos até tomarem uma consistência esponjosa”.
Na década de 80 não havia Wikipedia. Em Osório, no entanto, o verbete era por demais conhecido. Era sinônimo de festa, de juventude. Era sinônimo de GAO.
Seu idealizador, Neimar Pacheco, guarda na memória todos os ingredientes que levaram à sua criação. “Não havia na cidade ponto de encontro para os jovens. Fazíamos reunião dançante na garagem da minha casa e juntava muita gente”, relembra, destacando que, quando seu pai Vilmar Pacheco assumiu a presidência do clube, sentiu que dali poderia surgir alternativa de entretenimento para aquele grupo de amigos. 
Em 1981, o grupo se reuniu na casa do presidente. Surgiu a ideia de ampliar aquelas reuniões dançantes num espaço maior. O GAO aparecia como o local ideal. Neimar lembra que tudo foi acontecendo ao acaso. “Tivemos que partir para a improvisação. Não havia som profissional, não havia DJ. Foi tudo sendo construído conforme a necessidade”.

04/07/2019

O Ponto de Vista


Quando ouvimos a expressão ponto de vista, em regra, pensamos logo em opinião. Popularmente assim é. Para o senso comum, ponto de vista, opinião, parecer vem a ser tudo a mesmíssima coisa. Porém, se estas frutas receberem algum aperto darão origem a sucos distintos. O ponto de vista é uma opinião mais fundamentada, é um parente próximo do parecer. Já o parecer carrega no seu íntimo algum cuidado técnico, algum conhecimento prévio e resulta sempre em alguma responsabilidade posterior.
Um palestrante, um expositor, um comunicador, por exemplo, quando desejar entregar para a plateia uma mensagem carregada de alguma credibilidade usará em seu discurso menos opinião e mais ponto de vista. Eu acho, então, está descartado. É o fim da várzea. O enterro da narrativa. O eu acho é quase um acidente: “Estava ali na rua, olhei para a direita sem muita pretensão e achei tal coisa”. Tive um professor que detestava o “eu acho”. “Não achas nada, filho!”, dizia de vez em quando.

30/06/2019

O Triste Retrocesso da Gentileza

Por Magda Altafini

Gentileza é a qualidade do que é gentildo que é amável. Gentileza é uma delicadeza praticada por algumas pessoas, é uma forma de atenção, de cuidados, que torna os relacionamentos mais humanos, mais afetivos e mais solidários. É um degrau acima da educação propriamente dita. A Gentileza eleva o sujeito a um nível especial de humanidade, amor e de desenvolvimento espiritual. 
 José Datrino, o Profeta Gentileza é conhecido pela sua solidariedade com o povo do Gran Circus Norte-Americano que sofreu um imenso incêndio em 1961, onde morreram mais de 500 pessoas, a maioria crianças; famoso pelas suas 56 pilastras do Viaduto do Gasômetro no Rio de janeiro, chamando a atenção da população sobre o mal-estar da civilização e da necessidade urgente de mudanças na nossa sociedade e pela sua participação anônima na Eco-92, onde se colocava estrategicamente no lugar onde passavam os representantes dos povos, incentivando-os a viverem e a aplicarem a gentileza em todo o planeta e com todos os seres.

Aquilo que une, também afasta, e muito...


Por Marcelo Reis, advogado, professor, coordenador do Curso de Direito da Unicnec - Osório.
Em uma palestra sobre cybebullying em uma escola um menino de cerca de oito anos me relatou o seguinte: “quando minha mãe ganhou um celular novo, ela não saía do celular. Eu falava pra ela, “mãe, mãe, mãe”. Eu queria atenção e ela não dava. Aí eu falei pra ela: “o dia que eu tiver um celular, também não vou te dar atenção. Hoje minha mãe me chama e eu não respondo, fico de fone de ouvido e ela grita comigo”.

Liberdade de imprensa sob ameaça no Brasil

Por Gabriela Prestes (jornalista)

Desde que o novo governo assumiu o comando do país em janeiro deste ano, infelizmente, vários episódios contra a liberdade de imprensa vem trazendo prejuízos para a nossa democracia, ao acesso livre às informações e deixando o trabalho jornalístico cada vez mais tenso e difícil. Nesta última semana, presenciamos mais três formas indiretas de ataque à liberdade de imprensa. Dois jornalistas e um comentarista de grandes veículos de comunicação do país foram afastados e ameaçados nas suas funções de comunicadores.
No mais recente caso, Paulo Henrique Amorim, depois de 13 anos, foi afastado da função de apresentador do Domingo Espetacular da Rede Record de TV. O jornalista é um crítico do atual governo e usa as suas redes sociais para fazer as suas análises políticas. Antes dele, a apresentadora do SBT, Raquel Sheherazade, jornalista, foi alvo do ataque de um dos principais patrocinadores do canal, Luciano Hang, proprietário de uma rede de lojas espalhada pelo país. Ele pediu que o SBT demitisse a jornalista pelas críticas feitas por ela nas suas redes sociais contra o governo Bolsonaro.

27/06/2019

A Realidade Paralela


Um pensador francês do século XIX, Lèon Denis, disse que o pensamento é a própria voz do espírito. A conclusão que se chega, depois de algumas páginas, é a de que a realidade é aquilo que se vivencia. Ou seja, a própria pessoa a partir do que pensa vai criando sua experiência existencial. A psicanálise lida com esta questão, mesmo que de outra perspectiva, a partir de Lacan e sua conceituação de real, do imaginário e do simbólico.
Os avanços tecnológicos têm proporcionado uma mudança significativa na percepção da realidade. O pesquisador e tecnólogo americano Aviv Ovadyam tem se debruçado sobre os efeitos das mentiras virtuais espalhadas com a ajuda da tecnologia. Em recente matéria do site El País, alerta que é possível chegarmos a um ponto onde a mentira vai se agigantando de tal forma que as pessoas vão perdendo a noção do que é verdade e o que é falso. Contribuem para isso as estratégias de uso de robôs para disseminação de ideias dando a impressão de que aquilo realmente tem alguma importância. Assim, criam-se realidades a partir de falsidades.

20/06/2019

Questão de Tempo



Não restam dúvidas de que os ciclos duram menos nos dias de hoje. Sinal dos tempos: tudo, nos dias que se seguem, movimenta-se num ritmo mais acelerado. Tudo é muito rápido. Alguns dizem que a percepção do tempo vai mudando conforme o número de tarefas e o envolvimento que se tem. Como estamos todos - querendo ou não-, conectados, alguns quase escravizados a aplicativos de mensagem, nem se nota que os minutos correm como um atleta queniano na maratona. E assim apressados seguem-se as horas, os dias e as semanas.
Uma notícia, uma imagem, um meme, uma postagem prosaica, uma bomba ou uma bombinha com ímpeto atravessam o mundo em segundos. Num passado muito recente não era assim. A vida era mais lenta. As coisas demoravam mais. As novidades envelheciam até chegar nos cantões mais distantes.

11/06/2019

O Método da Desinformação


Boa parte dos meus amigos e conhecidos tem optado por garantir uma certa distância das redes sociais. Eventualmente postam uma ou outra coisinha para não cair no esquecimento total neste mundo chamado apropriadamente de virtual. Fenômeno decantado como a expressão mais vívida da democracia, não é menos verdade que as ferramentas virtuais, como o Facebook, Twitter e outros da mesma corrente, às vezes, se prestam mais a escancarar o alto grau de ignorância e truculência dos nossos tempos do que a tarefa primordial que é conectar as pessoas.
Por óbvio que é não é culpa do meio, mas de quem o utiliza. A bem da verdade, é lícito que se declare que esse uso equivocado do processo de comunicação não é uma característica do nosso povo. Não é exclusivamente retrato de nosso atraso, de nosso atavismo, de nossa falta de cultura e de traquejo social. A falta de etiqueta, de compromisso com a verdade é mundial. Claro, isso não absolve quem usa este meio para atacar, para difundir o ódio, para reafirmar os preconceitos contra grupos sociais ou defender ideias políticas ou políticos notadamente ignorantes ou mal-intencionados.