Estudava
no segundo grau, à noite. Na década de 70, era assim que se chamava
o ensino médio. Era o mais novo da turma. Tinha uns 14 anos de
idade. Minha turma era de pessoas mais velhas. Gente que havia
deixado de estudar e, agora, encarava novamente os bancos escolares.
Queridos colegas. Compenetrados, sérios. Eu era um moleque. Sério,
compenetrado mas, ainda assim, um moleque. Havia colegas com
incríveis 40 ou 50 anos. Gente calejada, experiente, com bons
empregos e família constituída.
Para
variar minha situação não era das melhores. Trabalhava durante o
dia num subemprego. Ganhava uma fortuna ao redor de meio salário
mínimo. Não precisa dizer que vivia invariavelmente pelado. A
impressão que tinha era que os bolsos da minha única calça jeans
serviam tão somente para esquentar as mãos. A dinheirama que
ganhava servia para a compra de uma blusa cacharel azul, uma camiseta
ou um par de tênis ou sapatos dos mais simples, em três ou quatro
vezes no crediário das Casas Luiz. Um produto a cada mês, é óbvio.
Num mês, camiseta; noutro calça; no seguinte, um tênis e assim por
diante. Ao final do ciclo, os primeiros itens já estavam surrados,
entrando novamente na lista da reposição.
