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Reprodução da pintura
de Maximilian Philip – séc. XIX
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No final
da Rua Costa Gama havia o Barcelar. Era um armazém no estilo antigo.
Tinha de tudo um pouco. Querosene Jacaré, farinha, arroz, feijão,
uma mesa de mini snooker e uma tevê no alto. Acho que aquela foi a
primeira tevê que assisti. Era final dos anos 60 ou começo dos anos
70, não lembro bem. No ringue dois lutadores fantasiados se
agarravam de maneira intrigante no meio de rabiscos e chuviscos em
branco e preto. Davam golpes improváveis. Um era do bem, outro do
mal. Os homens, enquanto bebericavam uma mistura de cachaça com
bíter ou coisa que o valha, denunciavam aos berros a deslealdade do
maldoso mascarado. Era lutinha de mentira. Uma encenação. Mas,
havia quem levasse tudo aquilo a sério. Do alto dos meus nove ou dez
anos não acreditava naquilo tudo. O melhor era o intervalo
comercial: “Seu Cabral ia navegando/quando alguém logo foi
gritando: Terra à vista/Foi descoberto o Brasil/A turma gritava: bem
vindo seu Cabral...”