Há certas obviedades que escapam à percepção. De tão claras, tornam-se invisíveis aos olhos mais desatentos. De tão frequentes, corriqueiras, usuais, parecem sofrer uma estranha mutação. Fingem-se de invisíveis. Quietinhas permanecem escondidas por um fino tecido, quase transparente. Estão ali, mas não são vistas.
A importância da palavra talvez seja uma destas obviedades. Logo ela, a palavra, que nos cerca diariamente. Exagerando, poderíamos dizer que as palavras movem o mundo. São ditas, escritas, cantadas, recitadas e lidas. As palavras estão em todos os lugares. Para elas não há vácuo. As palavras estão ali, espreitando. Ficam em repouso, aguardando o momento para atuar.






