10/02/2018

Você tem razão



Um debate vez por outra não faz mal a ninguém. Se for sobre algo irrelevante é até divertido. Quem jogou mais: Pelé ou Maradona; Maradona ou Messi; Pelé ou Messi? Se a discussão envolver gente mais vivida, que teve a honra de assistir, mesmo em videotape ou nos documentários do Canal 100, no cinema, Pelé ganhará de lavada. Se o debate for na terra de Gardel, o caso muda de figura. Racionalmente, porém, sabemos que não dá para comparar coisas de grandezas diferentes, de tempos diferentes. Como se dizia há algum tempo: cada um no seu quadrado.
Nos dias atuais, no entanto, há um fascínio exagerado, quase obsessivo, de manter discussões intermináveis sobre determinadas questões que parecem ser os grandes problemas de humanidade. O tatame onde estas quase lutas se arrastam são as redes sociais. Uma das técnicas mais usadas nesta guerrinha virtual é desqualificar radicalmente o argumento do outro. Se houver insistência: soltar o verbo recheado de impropérios, procurando criar constrangimento ao oponente.

29/12/2017

Ano Novo, vida nova

VIDA NOVA- Ano novo vida nova: diz uma surrada expressão otimista, hoje um tanto quanto sem uso. Talvez para um que outro coincida o avanço do calendário com a fase de transformação da existência. Pensando bem, que bom seria que num passe de mágica as transformações necessárias ocorressem com a simples mudança do ano. A magia, no entanto, não ocorre assim num flash. No processo natural, é necessário tempo de maturação para que as coisas se consolidem.
Porém, para quem está necessitado de uma quinada na existência, o clichê bem que pode funcionar como uma mola. Mas, cuidado: até uma mola cansa.

19/12/2017

Imagem não é tudo

"Faz anos uma rede de tevê juntou especialistas para dar um rosto mais verdadeiro ao Mestre Jesus. O que saiu foi algo muito diferente das imagens costumeiras".

Luzes de Natal - Com salários parcelados e sem o décimo terceiro pingando nas contas bancárias, boa parte do funcionalismo público gaúcho vai se acostumando à mudança de hábitos. Como a economia é a uma estrada de muitas vias, o dinheiro que falta na conta do servidor público vai faltar ao comércio, que pagará menos impostos repassando menos recursos para o Estado. E o círculo não se fecha para por aí. Faltando recursos furam os orçamentos. Com isso, saúde, educação, segurança e outros serviços, que já são capengas há décadas, vão decaindo ainda mais. Ano que vem, fortes refletores voltam a iluminar os candidatos a governador para garantir boa imagem no horário eleitoral. Certamente, não faltará alguém que exporá números e mais números e dirá que resolveu a crise financeira que abateu sobre o Estado. Juro que não vou rir.

06/12/2017

Contagem regressiva

"E o seu deputado já vem aí. Com santinho na mão. Aperto de mão, tapa nas costas e beijo nas crianças. Tenho certeza que vai gritar seu nome de longe que é para você saber que ele tá lembrando. Que você é importante no processo. Sem você ele não garante a eleição e o futuro da família".


Vamos combinar que a contagem regressiva, se não começou oficialmente, já está na cabeça das pessoas. Cada um dos dias que passa é um a menos na conta de 2017. As horas avançam e o ano de 2018 está chegando a galope. A gente pode até nem pensar sobre isso, mas, no fim, não há como ficar imune a este sentimento de final de ciclo e início de outro.
Quem assiste tevê já tá vivendo o 2018. “Compre agora e comece a pagar só no ano que vem”. Tudo fácil e sem frescura. Juro embutido é mero detalhe. Uma coisinha que não se leva em conta. Afinal, a economia vai de vento em popa. O presidente tem o apoio do mercado. Os altos empresários estão reservando grandes expectativas na recuperação econômica. A estabilidade política está garantida. E, com isso, está tudo certo. Está tudo tranquilo.
Não importa muito se uma parcela de 90% da população reprova os métodos do governo. Isso conta muito pouco. É um detalhe mínimo. João e Maria não valem nada. O que importa é que o mercado está tranquilo. A gasolina sobe todo o dia. Os preços sobem todo o dia. Tudo aumenta. Menos a esperança de quem pega no pesado. Calma lá: João e Maria querem demais. Silencio gente: o mercado tá feliz. E é isso que verdadeiramente importa.

04/12/2017

Yes, nós temos racismo

Foto: Wikimedia

"Até pouco tempo atrás imperava a fantasia de que o brasileiro é um ser pacífico e que não levava em conta as diferenças pessoais. Ou seja, imperava por aqui um sentimento de democracia racial plena, um exemplo para o resto do mundo".

Sou tentado a afirmar que não existem raças. Que etnias são simplesmente definições culturais para reunir povos pelas suas características físicas. Que só existe uma espécie humanoide na Terra: o ser humano. Mas, quem entende do assunto, diz que, mesmo não havendo razões científicas para a separação do homem em grupos, ainda assim, não há porque prescindir do conceito de raça.
O professor Dr. Kabengele, congolês, diretor do Centro de Estudos Africanos, da USP, de São Paulo, ressalta que, “embora alguns biólogos antirracistas tenham chegado a sugerir que o conceito de raça fosse banido dos dicionários e dos textos científicos, ele persiste tanto no uso popular como em trabalhos e estudos produzidos na área das ciências sociais. O uso justifica-se como realidade social e política, considerando a raça como uma construção sociológica e uma categoria social de dominação e de exclusão”.

22/11/2017

Onofre não precisava de dinheiro

Nestes tempos de tanta variedade, de ofertas abundantes, de buscas incessantes e de produção ininterrupta, não há orçamento que chegue. Quem tem precisa mais porque todos os dias surgem coisas novas, produtos atualizados que vão tornando outros obsoletos da noite para o dia. Quem não tem assiste a tudo e se contenta. Ou não!
A sociedade atual é baseada na informação. E a geração de conteúdo não para. Ninguém dorme. Aliás, dorme sim. Mas, sempre haverá alguém em algum lugar do planeta produzindo informações que precisarão ser jogadas na rede para atualizar os sistemas. Aplicativos, sistema de segurança, notícias, vídeos, filmes, imagens, comentários, informações falsas e uma infinidade de coisas que atravessam o mundo num piscar de olhos.
Como a informação se renova numa velocidade descabida, tudo o mais também tem necessidade de renovação. O novo fica velho rapidinho. A mudança é permanente. Assim, para o antenado, dormir já é um desperdício porque o mundo não dorme.  Quem acha que está fora de tudo isso, engana-se. Esse movimento incessante de algum modo vai exigir atualizações de todo o mundo, podendo mesmo chegar à produção do veículo, da geladeira, do barbeador, do macarrão e de tudo o que há para ser vendido. E os custos vão sendo repassados, porque as grandes corporações não estão aí para fazer caridade. Então, quem acha que não está nem aí, acaba também pagando a conta.

17/11/2017

Sois Deuses

A Criação de Adão, afresco de
Michelangelo no teto da Capela Sistina 
Algumas expressões ouvidas e ditas aqui e ali, em fontes diversas, vão se constituindo como aqueles velhos enigmas que se construíram ao longo da história da humanidade. Não digo que alimente qualquer tipo de expectativa como se fosse vencer as limitações e adquirisse o direito de sair pelo mundo afora, como faziam os velhos filósofos, a semeando verdades e revelando segredos que alguém sabiamente escondeu atrás de intrincadas fórmulas e leis só conhecidas por grandes sábios ou por iniciados secretamente nas artes do conhecimento. É bem verdade que não chego a perder o sono. Mas, não dá para negar que, às vezes, uma ideia fica por dias, por meses e até por anos em algum lugar esperando a hora de que alguma conclusão apareça.

16/11/2017

O Trabalho Escravo

De vez em quando, algumas dessas grandes empresas, que gozam de muita credibilidade, de reputação forjada pela qualidade e pela visibilidade midiática, são atingidas por denúncias de uso de trabalho escravo no seu processo produtivo. O assunto nem novo é. Mas, é sempre repugnante.
A escravidão faz parte da história humana. Nas primeiras guerras, aprisionar o inimigo e torná-los escravos era parte do jogo. Não era grosseiro e desumano. Não causava repulsa. Era coisa normal. Que perdia a batalha virava coisa. Perdia nome, família, endereço, pátria. Virava propriedade de alguém. Dizia-se que os perdedores foram abandonados por seus deuses.
Como o tempo, a ferro e fogo, as coisas foram se modificando. É certo, porém, que no nosso tempo, aqui e ali, ainda há culturas que mantém viva esta tradição que revela a mais profunda brutalidade carregada pelo ser humano que vive com os pés num passado muito distante.