11/09/13

O mal que entra na boca do homem

Doce é bom. Bom é pouco, é muito bom. Ambrosia é o preferido pelos deuses. Seu sabor inigualável, associado ao néctar, confere às divindades nada mais do que a imortalidade.  E isso não é pouca coisa.
Rapadura e pé-de-moleque são imbatíveis entre a gurizada. Nos aniversários de crianças nada bate o brigadeiro, por aqui chamado singelamente de negrinho. Tantos outros sabores poderiam ser lembrados como os simplórios sagu e a torta de bolacha, que aparecem tanto na mesa trivial ou naquela que guarda certo requinte; a abóbora, desde que apresente uma casca durinha porque molenga ninguém atura; as musses de toda a ordem (de chocolate, de limão ou de maracujá). Tudo muito bom.
O problema é esse. Se é bom para o paladar é quase certo que vai agredir o organismo. O açúcar, que conduzia os deuses à imortalidade e encanta as crianças e mesmo os adultos, é um dos maiores vilões da saúde humana. Conforme os estudiosos, as generosas doses de açúcar, ao invés de conduzir os mortais para a transcendentalidade, mais o que fazem é abreviarem a existência.  
Pensando bem, em regra os sabores que mais gostamos são exatamente os mais prejudiciais à saúde. Que o diga o irresistível refrigerante, que nasceu para ser remédio, e, neste terceiro milênio, é também um inimigo mortal para todos aqueles que o consomem. Além de não contarem com nenhum valor nutricional, concentram cafeína, corantes e conservantes, além de altas taxas de açúcar.  Mesmo as chamadas versões light contêm adoçantes artificiais, cujo consumo também não traz benefícios ao corpo.  
A saída, então, são os sucos. Meia verdade. Se os sucos forem produzidos em casa, com todo o cuidado, sem a adição de açúcar, tudo bem. Porém, se a alternativa for adquirir um daquele da prateleira do supermercado, é sabido que o consumidor está levando água, açúcar, corantes tartrazina e amaranto, além de conservantes diversos.  
E o mesmo se poderia dizer de tantas outras delícias industrializadas que, por vezes, encantam nossos olhos, fazem nossa boca salivar, mas, desde que adentram nosso corpo começam a fazer uma verdadeira revolução interna, levando embora alguns nutrientes essenciais e atuando na concentração de gordura. 
Cristo lembrou aos escribas e fariseus que o que contamina o homem não é o que entra em sua boca, mas o que sai. Na realidade falava sobre as palavras preconceituosas e as observações intempestivas que se lançam ao vento, agredindo os outros. Nos dias de hoje, no entanto, não só o que sai da boca do homem é o mal. O doce sabor e a beleza que a indústria empresta aos seus produtos enganam nossos olhos e invadem nossas bocas, contaminando nossos corpos. 

Um comentário:

  1. É um fato. Um dos alimentos que mais agride o ser que se vale de alimentos industrializados é o açúcar refinado.

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