08/05/2017

Felicidade em tempos de crise

"Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça".

Sabe aquela novela que praticamente mudou a forma de contar um folhetim televisivo? Não assisti! Aquela outra que apresentou a favela, com seus pequenos e grandes dramas, fugindo dos apartamentos bem decorados da zona sul carioca? Pois é, também não assisti! Não é brincadeira, não. Creio, mesmo, que meu currículo está recheado de algumas dezenas de novelas não vistas. Talvez possa esteja atingindo à marca de uma centena. Afinal, são algumas décadas afastado das lides novelescas.
Apesar desta aparente aversão, não tenho preconceito. Só não vejo. Não vejo porque não gosto da linguagem. Aproveito o tempo para ler alguma coisa, ver algum outro tipo de programa, documentário ou mesmo algo totalmente lúdico nos canais de tevê por assinatura. Porém, quando ainda assistia com alguma regularidade à programação dos canais abertos, cheguei a ver uma campanha publicitária de lançamento de um destes folhetins onde uma personagem dizia que só seria feliz quando juntasse seu primeiro milhão. Não sei o nome da novela, muito menos os nomes dos personagens. Mas, posso garantir que a moça não encontrou a felicidade na marca do primeiro milhão. Se é que juntou alguma coisa, é certo que a meta foi se movendo cada vez mais para frente e a sua felicidade, assim, foi sendo adiada. 
A busca da felicidade está na berlinda. Místicos, pensadores, escritores e filósofos têm se debruçado mais e mais sobre a caminhada humana em direção a este alvo móvel e escorregadio. Onde se encontra esta tal felicidade? Como se chega até ela? Quem chega até ela?
Meu amigo Jerri Almeida (foto acima), professor, palestrante e escritor, não foge da raia e enfrenta o desafio. Está lançando seu novo livro Felicidade em tempos de crise. A obra tem a chancela da Livraria e Editora Francisco Spinelli, da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, destacando-se pelo cuidado editorial. Não é um livro religioso, moralista. Apresenta isto sim, uma interessante abordagem destacando os aspectos filosóficos, científicos, sociológicos e espirituais sobre a caminhada humana e seu constante anseio por atingir o estado de felicidade. Não é pouca coisa. Daria muito mais do que uma novela.  Dezenas delas, talvez.  

03/05/2017

O Medo e a Morte

“Eu tenho medo e já aconteceu/ 
Eu tenho medo e inda está por vir/ Morre o meu medo e isto não é segredo/ 
Eu mando buscar outro lá no Piauí”*

Um dia alguém disse que tudo isso que nos rodeia nem é real. É uma ilusão. A verdade estaria bem longe do aparente. E só a percebe quem se desprende deste cenário. Confesso que, por mais que tentasse, a mim sempre pareceu mais uma destas tantas teses loucas que saltam de livros escritos ou ditados por místicos, por gurus ou por seres que nem corpo físico possuem.
Senti certo alívio ao ver que a dificuldade não era só minha. É mesmo muito difícil crer e até mesmo admitir que o que os olhos enxergam não existe. Mas, o tempo passa e cada vez mais começo a admitir que os nossos olhos nos enganam. E o Brasil está aí, nem tão firme nem tão forte, para ajudar nesta intrincada questão.

26/04/2017

Outros tempos

Os tempos são outros. As pessoas são outras. As diversões são da mesma forma, outras. Mas, os dramas se repetem. As preocupações de pais e de mães são os mesmos de 20, 30, 50 anos atrás. Lá no passado, meio distante é verdade, tudo o que era novo representava a falência do indivíduo e da família. Foi assim quando surgiu o rock and roll, nos anos 50,nos EUA. A música alta, frenética, punha corpos de jovens a dançar loucamente. Meninos e meninas saíam do sério. O ritmo demoníaco mostrava que o mundo chegava ao seu fim.
A televisão foi outra que chegou causando certo furor. No começo, porém, era programa de família. O pai ligava o aparelho no começo da noite. Naqueles tempos, ligar o botão e selecionar um canal para assistir um ou outro programa era um acontecimento. A presença do chefe da casa era o reconhecimento explícito de que ver tevê era coisa séria. Os pequenos não eram autorizados nem a pensar na ousada iniciativa de ligar o aparelho fora do horário estabelecido.

17/04/2017

A arte

Um filme, uma música, uma pintura, uma obra de arte qualquer vai além da câmera, das luzes, dos enquadramentos, da edição, da partitura, do arranjo, do ritmo, ou da tela, dos pincéis e da moldura. O expectador assiste a um filme não como se residisse ali alguma falsidade, alguma interpretação. A história existe por si só. Ela é viva. Ficção científica, comédia, drama. Não importa: há verdade, dor, riso, sofrimento e tudo o quanto os personagens revelam nos diálogos, nos atos e nos gestos.
Uma pintura bucólica deixa de ser uma simples pintura quando recepcionada por um olhar acolhedor e sincero. A tinta deixa ser tinta. Ganha vida. Envolve e convence. Emociona se o sujeito assim permitir.

10 anos: o desafio

Manter órgãos de imprensa nos pequenos centros é um desafio diário. Rádios e jornais locais navegam contra a maré, permanentemente. Os grandes anunciantes preferem gastar muito dinheiro nas redes nacionais e regionais. Criam, com isso, um padrão. Não importa se o indivíduo está nos interiores do Nordeste ou enfrentando o outono às vezes frio e às vezes quente no Sul do país: todos sabem que ingresso para o Rock in Rio tem lá no Posto Ipiranga.
A verba se esgota na rede nacional. Dá visibilidade. Vende bem. Afirma a marca. Uma corrida pelas ruas da cidade, um circuito pelas lagoas, um show de jovens talentos na praça da cidade, uma campanha de solidariedade  ou uma iniciativa qualquer importante dentro de uma comunidade não seduz o grande anunciante nem a grande mídia. Ali não está o Posto Ipiranga.
A dificuldade aumenta quando a crise aperta. Na província então, o aperto é sentido com maior intensidade. A primeira ação de um pequeno empresário é não confiar em publicidade.  Em sua contabilidade verá publicitária como gasto nunca como um investimento. E há razões concretas para isso: há encargos e mais encargos, custos fixos e variáveis que crescem sem o necessário crescimento das vendas e uma série de outros eventos que os administradores têm na ponta da língua. Enfim, um ciclo que parece nunca acabar.

06/04/2017

O Futuro

Em regra, a ficção científica apresenta um futuro sombrio para a humanidade. Nosso planeta passará por uma séria fase de desatinos até que a vida por aqui se torne insuportável. A humanidade, então, tratará de criar alguma forma de garantir que meia dúzia de seres sobreviva à hecatombe. Esse minúsculo grupo sairá por aí tentando reconstituir tudo o que foi destruído pelo desatino da grande maioria ou, ainda, pela insensatez de algum poderoso líder, movido pela ganância, que comprometeu a existência humana.
O grande problema para os remanescentes será viver entre os escombros ou em alguma estação espacial. Se ficarem por aqui, certamente enfrentarão a radiação que infectará os recursos naturais. Se, por outro lado, ficarem orbitando em algum ponto do espaço, é mais do que certo que precisarão de um porto seguro.

03/04/2017

Filme Triste

A impressão que se tem nestes dias é de que vivemos em uma embarcação perigosamente lançada em meio a corredeiras. O capitão tem pouca prática. Os marujos, da mesma forma, são especialistas em juntar tesouros, porém, mal sabem executar as tarefas que garantam alguma segurança à tripulação.  O serviço que importa este momento: cruzar as águas violentas e traiçoeiras não é prioridade. Estão todos, capitão e marujos, preocupados em posição de defesa, escondendo os baús cheios de moedas de ouro e pedraria que amealharam aqui e ali. Faz-se irritante silêncio. Dizem as más línguas que acordos são costurados aqui e ali. Muito confete, muita serpentina, muita manchete e ações deliberadamente lentas para um lado e rápidas para o outro. O enredo é arrastado. Os mocinhos são canastrões. Só os ingênuos não enxergam que estamos diante duma peça de teatro mal ensaiada. Os atores são medíocres. Mas convencem quem quer se convencido.

O Governo

Quando surgiram por aqui, os humanos tinham como única meta a sobrevivência. As questões filosóficas não faziam parte das preocupações cotidianas. O objetivo básico era manter-se vivo. E não eram poucos os obstáculos: as temperaturas extremas, as feras, a falta de recursos, a falta de conhecimento. Viver mais um dia era um desafio.  A felicidade possível era a possibilidade de dormir e acordar para enfrentar um turbilhão de dificuldades. Deus não existia ainda. O paraíso não era aqui.
Como vasos ruins, os mais fortes não se deixaram quebrar. Com raro esforço, foram vencendo o frio, as tempestades, os trovões, a falta de comida. Eliminaram os inimigos naturais um a um. Chegou um tempo, depois de muito suor, de sofrimento e de medo que alguns poucos puderam estender o olhar para o entorno. Já não havia tanto perigo. Já sabiam defender o corpo. Já eram maiores que as feras que outro dia os eliminavam.