07/08/2018

A necessidade do controle


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"O universo vasto, desconhecido e imensurável não combina com a necessidade que se tem de ter sempre razão, de impor a opinião num debate ou prever a ira de Deus contra esse ou aquele".


Os comentários nos sites da internet talvez revelem, de maneira mais cristalina, a disparidade de pensamento das pessoas. Ali é possível, por exemplo, entre xingamentos e zoações, navegar de zero a cem, do céu à terra em termos de opiniões e posturas existenciais. Claro que nem sempre se tem paciência para dar uma averiguada em como a tigrada está pensando sobre os grandes temas de humanidade.
Creio que não é de hoje: arrisco até afirmar que o homem sempre agiu deste jeito, tentando demonstrar uma certeza, tentando mostrar que ele tem razão. Na religião isto é muito claro. Os europeus sempre acharam muito estranho que outros povos, como os africanos e americanos, tivessem seus próprios totens, homenageassem seus ícones e não seguissem o caminho que parecia ser o certo, o da salvação.

05/08/2018

O progresso e o retrocesso

"O mundo cresce em tecnologia. As coisas ficam mais fáceis. Mas, o homem continua sendo o que sempre foi: um ser em constante construção. Um ser inacabado que conhece muito sobre muita coisa e pouco sobre si mesmo. O mundo tecnológico, com suas facilidades, torna-se facilmente um mundo de distração".


As últimas décadas foram pródigas em avanços tecnológicos. Nada disso foi por acaso. A corrida espacial levou ao desenvolvimento dos satélites. Os satélites, por sua vez, levaram a um melhoramento inimaginável nas comunicações. Com isso, os telefones saíram da sala e viraram item obrigatório nas mãos do pobre, do remediado e do rico. Nem artigo de luxo é. É de primeira necessidade. Telefone é tudo junto reunido: rádio, tevê, cinema. E muito mais do que isso.
Não faz muito, uma ligação telefônica era uma coleção de chiados. No meio disso, vez por outra ouvia-se alguma mensagem válida. Uma rede que iniciava numa mesa e seguida por cabos e fios levava as mensagens de um lado a outro. Hoje o telefone o que menos leva é a voz. Transporta imagens, músicas, traça rotas para turistas, reserva bilhetes para o cinema e mesa no restaurante, com direito a escolha de cardápio e forma de pagamento. Atualiza o gol do time, o capítulo da novela e as notícias que interessam a alguns, as curiosidades do falso mundo das celebridades e as novidades de um mundo frenético que não tem tempo para descanso nem um mínimo segundo. Enfim, um só aparelho é capaz de colocar o mundo todo na mão de uma pessoa com tudo o que há de bom e de ruim.
Tudo isso era impensável para o humano comum. Só os autores de ficção científica poderiam prever mudanças significativas como estas.
O mundo ficou pequeno. Porém, com tudo isso, o homem não se tornou maior. O homem é o mesmo de antes. Com uma diferença básica: conta com um meio mais eficiente e rápido para suas práticas. Os avanços das comunicações que possibilitam a realização de cirurgias delicadas com grande grau de precisão, também facilitaram os exércitos de fanáticos que explodem aqui e ali, gerando pânico, incerteza e medo em vários pontos do planeta. Ou seja, o homem é capaz de usar seus avanços tecnológicos tanto para facilitar a vida como para criar tantas outras dificuldades aos seus semelhantes.
Creio que essa é uma das principais características humanas: dar largos passos à frente e, depois de um tempo, voltar alguns passos atrás. Felizmente, os passos atrás são menores e o que fica é o progresso que se impôs. É uma impressão pessoal. Acredito que muitos pensam muito diferente. Afinal, há os totalmente otimistas que enxergam insistentemente o lado bom das coisas. Há os pessimistas que lamentam o dia do aniversário porque ele representa menos tempo de vida. Há os realistas que acham que nem tanto o otimismo nem tanto o pessimismo, mas sim o que deve ser focado é o real que se revela diante dos olhos da maioria das pessoas. Há outras formas de pensamentos que seria impossível nestas poucas linhas nominar as correntes e as ideias que se defendem consciente ou inconscientemente.
Uma coisa é certa. O mundo cresce em tecnologia. As coisas ficam mais fáceis. Mas, o homem continua sendo o que sempre foi: um ser em constante construção. Um ser inacabado que conhece muito sobre muita coisa e pouco sobre si mesmo. O mundo tecnológico, com suas facilidades, torna-se facilmente um mundo de distração. Há muita coisa para se fazer. Há muito conhecimento no ar. Tudo está disponível. O homem, porém, para conhecer a si mesmo nem precisa de tanto. O mergulho interno dispensa tecnologia. É primitivo, arcaico, simples, rústico. Talvez por isso não desperte tanta atenção assim.

O Medo

Minha mãe não contava histórias de boi da cara preta nem de bicho papão. A vida era dura e ela não tinha tempo para isso. Os tempos eram outros como são sempre outros os tempos que se vão. O mundo era mais simples. Vivia-se com menos. Muito menos do que se tem hoje. Na verdade, vivia-se como dava.
No caso dela, mulher, pobre, cheia de filhos, a vida nunca foi um conto de fadas, da Cinderela ou da princesa. Sempre havia coisas mais importantes a fazer: uma roupa para lavar, um pão no forno assando, uma casa para varrer, alguns filhos para cuidar, buscar água no poço, juntar lenha para o fogão. Assim, não sobrava tempo para ensinar a filharada a ter medo. Além disso, era econômica nas palavras. Não era de muitos rodeios. Porém, quando falava acertava o alvo.

21/07/2018

Rir é o melhor negócio


O riso é uma manifestação humana. Mas, diferentemente do que acreditava-se: não estamos sós. Os macacos riem. Os filhotes de ratos quando brincam emitem uma sonoridade que pode ser identificada como riso, segundo pesquisadores. Os bebês riem aparentemente sem motivos.
Mas, nem sempre o riso foi valorizado. Um dos personagens da obra O Nome da Rosa, de Humberto Eco, que foi adaptado para o cinema nos anos 80, um monge atormentado pela dicotomia da fé no salvador e o medo do inferno pelo cometimento de pecados, dizia em alto e bom som que rir é uma manifestação do demônio. Se bem me lembro, dizia o personagem que o homem que ri se aproxima dos macacos. De certo modo, entendia que rir é um péssimo negócio para quem buscava salvar a alma.

12/07/2018

Futebol é futebol

Em 1950 a derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo foi uma hecatombe. O Brasil chorou. Outras derrota vieram. Outros sofrimentos intensos. Em 2014 um país dividido envergonhou-se após os 7 a 1 sofridos diante da Alemanha. Agora, em 2018, um país mais divivido ainda assistiu a desclassificação da Copa da Rússia. A dor já não é tanta. Afinal, há coisas mais urgentes acontecendo por aqui.

De quem é a culpa?

Em alguns casos é importante saber quem foi o responsável pelo afundamento do barco. No mundo jurídico isso geraria uma série de consequências cíveis e criminais. Alguém haveria de pagar pelo prejuízo causado. Como? Onde? Quais as causas? Quem executou ou deixou de executar a manobra? Quem falhou?
Nestes dias que se seguem à desclassificação da seleção Canarinho Pistola (mau gosto desde sempre), é o que a mídia, os torcedores e os secadores mais têm feito. Se Daniel Alves não tivesse se machucado, se o volante Arthur, hoje no Barcelona, estivesse no elenco, se no lugar do Taisson estivesse alguém mais qualificado, se Gabriel de Jesus deixasse de ser operário e se tornasse um fazedor de gols, se o treinador não ficasse apreciando suas ovelhinhas naquela grama sempre bem cuidada dos estádios russos etc etc etc.

Ganhar ou perder


Há motivos suficientes para as variações de humor. Não precisa procurar muito. Basta dar uma olhadinha ao redor. A placa do posto anuncia gasolina em promoção. Quase cinco reais o litro. Dia desses o Brasil parou. A greve-locaute jogou tudo para as nuvens. Os preços subiram devido à carência de produtos no mercado. O abastecimento voltou ao normal. Os preços ficaram nas nuvens. Tem eleição daqui a pouco e os candidatos que se apresentam não sacodem com a torcida. Desilusão em cima de desilusão.
Há motivos suficientes para as variações de humor. A bola rola na copa. A Globo se denomina a dona da bola. Pagou, comprou os direitos. Não tem oque fazer. O Galvão cria bordões e irrita o torcedor. Sem opção prefere ficar resmungando na frente da tevê; Há alguns que largaram o jogo. A política tá uma droga, dizem; o STF uma vergonha, dizem, o Brasil não se ajeita… Educação, saúde, segurança: tudo em petição de miséria. E essa tevê só fala de futebol. É copa e mais copa. Neymar no chão, cabelo do Neymar, golaço de Neymar.

A ilusão do esporte

Tsu Chu, jogo de bola chinês:
espécie de futebol primitivo

O esporte é uma fantasia. É entretenimento. É diversão. Não é tão sério assim. Um jogo é só um jogo. Nada mais. Seja vôlei, basquete, tênis de mesa, salto em distância, salto com vara, beisebol, handebol. Não interessa onde tenha surgido. O esporte é uma fantasia humana. Dispensável para quem não está no meio, para quem não entende as regras, para quem está preocupado com outras coisas.  É certo que há coisas bem mais importantes do que um sujeito correndo atrás de uma bola ou conduzindo uma bola quicando pelo chão e se livrando da marcação de outros grandalhões para arremessá-la num cesto.
Quem assim pensa pode estar enganado. Se precisar de uma prova, pergunte para um amante do basquete o que ele acha das disputas acirradas por uma bola, por um arremesso, por um cesta. É uma idiotia todo aquele esforço? Não tem coisa mais importante para fazer? Pergunte para um amante de corrida qual a emoção de assistir uma maratona. Que graça tem um monte de gente correndo e suando para chegar à frente? Tudo por uma medalha?

27/06/2018

O Nosso Jogo


Aqui na cidade, como em todos os lugares da pátria, qualquer terreno baldio apresentava o potencial para transformar-se em um campo de futebol. Não havia muita coisa para fazer naquele tempo. Uma bola qualquer, de plástico, de couro, murcha, judiada, não importava a condição, desde que fosse mais ou menos parecida como uma bola, já servia para reunir um pequeno grupo de guris de idades diversas que suariam o tempo necessário para matar a fome.
Se bola não houvesse, alguns jornais amassados dentro de um saquinho de leite até resolvia de algum modo a situação. Era um remendo, uma improvisação desesperada. Não era uma solução. O problema é que ficava uma ponta no local onde o saco de plástico era amarrado. Quando subia pouco ganhava um efeito muito doido gerando incerteza para o goleiro. Além disso, a delicada criatura rompia-se facilmente quando o chute era mais forte.