Anos 70/80




A volta dos musicais

O final dos anos 70 marcou a volta de um gênero que havia sido abandonado pelo cinema: os musicais. E ninguém brilhou tanto quanto John Travolta. Empurrado pela febre da onda Disco, que tinha como trilha Village People, Gloria Gaynor, KC and Sunshine Band, Barry White, entre outros, Saturday Night Fever (Os Embalos de Sábado à Noite, no Brasil) uniu o astro emergente Travolta aos Bee Gees. Era 1977 e Tony Manero dança e se acaba na pista, lançando trejeitos que seriam imitados em todo o mundo. Na onda do sucesso cinematográfico, Dancin Days é lançada pela Globo. A novela revela As Frenéticas.
Ainda no calor do sucesso, Travolta reaparece (em 1978) em Grease, um filme leve que retrata o amor de verão de jovens no final dos anos 50 e início da década de 60. O rock reaparece com força. Aberta a porta, os musicais começaram a fazer parte da programação cinematográfica. Hair, Flashdance, Footloose e Dirty Dance seguiram a trilha.
Veja abaixo a abertura de Grease.


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Outros links interessantes:
Discografia de Gloria Gaynor
Adoro Cinema- Grease
Adoro Cinema- Embalos de Sábado à Noite
Bee Gees - Vagalume

Já que falamos em Dancin Days

Não sou fã de novelas. Porém, é inegável que algumas delas conquistam legiões de fãs. Dancin Days foi uma delas. Ainda na onda dos Embalos de Sábado à Noite, As Frenéticas lançaram o hit Dancin Days especialmente para a abertura da novela. A canção conquistou o país. Também na Europa foi executada à exaustão. Isto que não havia internet e nem compartilhamento de arquivos como nos dias atuais.
Relembre a abertura da novela.


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A Mulher Maravilha

A personagem da DC Comics, Mulher Maravilha, interpretada por Linda Carter, obteve grande sucesso na tevê. A série norteamericana, produzida entre 1975 e 1979. Inicialmente foi lançado um filme, mas o roteiro, que não era fiel aos quadrinhos, não agradou ao público. Posteriormente, a desconhecida atriz Linda Carter assumiu o papel na tevê e conquistou a simpatia do público. Na história a Princesa Diana recebe poderes especiais dos deuses para auxiliar os americanos contra as forças do nazismo. Veja abaixo a abertura da série.


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O Poderoso Mightor


"Durante uma caçada, Tor e seu fiel companheiro Tog salvam um velho eremita. Em agradecimento, o velho dá uma clava que possui grandes poderes. Tor levanta a clava e transforma-se no Poderoso Mightor, assim como Tog num dragão de fogo. Juntos eles se tornam os defensores dos fracos e inocentes. O Poderoso Mightor!". Esta era a abertura do desenho Might Tor, que era apresentado junto com Moby Dick. A série foi veiculada pela CBS, dos EUA, entre 1967 e 1969. Por aqui o desenho chegou nos anos 70.



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A Feiticeira

Em 1964 o canal ABC, dos EUA, lançou a série A Feiticeira, com grande sucesso. Samantha (Elizabeth Montgomery) tinha poderes mágicos, interferindo nas situações com um singelo movimento de nariz. Ela se apaixona por um humano, James. Com ele casa, apesar da contrariedade de sua família. Ela se compromete a jamais usar de seus poderes. No entanto, o instinto fala mais alto e a feiticeira causa inúmeros problemas.
A série durou oito temporada. A atriz principal passou por duas gestações. Com isso, a personagem também concebeu filhos, ambos com poderes mágicos. O sucesso fez com que surgisse a concorrente Jeannie é um Gênio (detalhes abaixo).

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Jeannie é um Gênio

Criada e produzida pelo escritor Sidney Sheldon, a série americana I Dream of Jeannie (Jeannie é um Gênio), alcançou grande sucesso entre 1965 e 1970. Foram 35 episódios. Na história, Jeannie (Barbara Eden), que vive dentro de uma garrafa, é encontrada pelo Major Nelson (Larry Hagman) numa ilha onde seu avião cai. Resgatado, o militar leva a garrafa, com Jeannie, para Nova Iorque e passa por inúmeras situações inusitadas.

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He-Man e Thundercats

He-Man e Thundercats são, talvez, os dois desenhos animados de maior sucesso nos anos 80. He-Man e os Defensores do Universo nasceram como boneco da Mattel. Entre 1983 e 1985, a Filmation Studios lançou a série animada sob encomenda da fabricante dos brinquedos. Na história He-Ma He-Man vive no planeta Eternia, um mundo aparentemente medieval, mas repleto de tecnologias avançadas. O planeta é comandado pelo justo rei Randor, o vilão Esqueleto tenta dominar o castelo de Grayskull, e assim ter o controle de todo o universo, que é protegido por He-Man, nada menos que Adam, o príncipe filho de Randor.
Já Thundercats conta a história de um grupo de felinos sobreviventoes do planeta Thundera, que foi destruído. Eles enfrentam os mutantes de Plun-Darr. Foram produzidos 130 episódios entre 1985 e 1989. Em 2012 a série foi relançada no Cartoon Network. Porém não alcançou o mesmo sucesso.


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James West


O Agente 007 no velho Oeste americano. Esta pelo menos era a intenção do produtor Michael Garrison ao criar a série James West. Mulheres bonitas, vilões, disfarces, ficção científica, mistério e, claro, muita correria. Para o papel principal foi convidado Robert Conrad. Para enfrentar os problemas, West contava com o auxílio sempre prestimoso de Artemus Gordon (Ross Martins), mestre do disfarce e responsável pelo lado cômico da série.  
O programa foi exibido pela rede CBS durante quatro temporadas, entre os anos de 1965 e 1969 e alcançou grande sucesso mundo afora. 
Em 1999 foi lançada uma super-produção cinematográfica com um novo elenco e enredo, estrelada por Will Smith. Porém, sem o apelo do velho James.
Veja a abertura do programa.


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Saiba mais sobre James West:
Robert Conrad, o eterno James West
James West




Chaparral

David Dortort inscreveu seu nome na tevê americana e mundial. Criou dois seriados no estilo western que conquistaram milhares de fãs. Bonanza (mais informações abaixo) e Chaparral. Se em Bonanza a família Cartwright se submete à autoridade do pai Ben, em Chaparral aparece o conflito de gerações. Big John (Leif Erickson) era um homem austero, mais preocupado em manter o rancho Chaparral que uma relação com o filho a quem chamava de Blue, nome que fora de seu cachorro.
Enquanto Blue tentava conquistar o amor e o respeito do pai, este se preocupava em transformá-lo em um homem a sua imagem e semelhança. Com o tempo, o ator Mark Slade, que na época tinha 31 anos, não convencia mais no papel de adolescente. Segundo Dortort, esse teria sido o motivo pelo qual o personagem foi retirado da série.
A série teve quatro temporadas, a partir de 1967. Foi reprisada pela tevê brasileira nos ano 70 e 80.  


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Bonanza

O seriado televisivo Bonanza, produzido pela NBC, foi um marco na televisão mundial. Foi a primeira série colorida. Isto em 1959 quando o gênero western vivia seus tempos áureos. O que diferenciava Bonanza dos demais era o carisma da família Cartwright, formada pelo pai Ben Cartwright (Lorne Greene) e pelos filhos Hoss (Dan Blocker), Adam (Pernell Roberts) e Litlle Joe (Michael Landon). Eles cuidam com esmero do rancho Ponderosa, em Nevada, sempre com muita bravura, honradez e coragem. A série, que conquistou fãs em todo o mundo, foi produzida até o ano e 1973 e vem sendo reproduzida até os dias de hoje, nos canais de tevê por assinatura.

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Leia mais sobre o tema:
Bonanza

Os Herculóides

Um dos desenhos de aventura mais queridos pela garotada dos anos 70 era Os Herculóides, de Hanna Barbera. Originalmente foi exibido nos EUA, na CBS, entre 1967 e 1969. No Brasil estreou em 1968 na Globo. Os episódios foram reproduzidos em diversas redes até os anos 90.
Zandor, guardião do planeta Quasar, ao lado da mulher Tara e do filho Dorno, contam com o apoio das criaturas nativas Zok, o dragão alado, capaz de emitir raios de seus olhos e cauda; Igoo, um extremamente forte e gigantesco gorila de pedra; Tundro, uma mistura de rinoceronte com um triceratops de dez patas; Gloop e Gleep, duas criaturas de um material elástico capazes de assumir todas as formas imagináveis. Este exército improvável luta contra os malfeitores que querem conquistar o planeta.
Abaixo a abertura do desenho em português.

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Sintetizadores e computadores na música


Desde a criação do fonógrafo, por Thomas Edison, em 1877, a música vem sofrendo sobressaltos. Depois disso vieram o disco de vinil, o gramofone, a era de ouro do rádio, o surgimento da tevê, a popularização do rock, a bossa nova, o reggae e, por último a música eletrônica. No caso desta última, coube a Giorgio Moroder, músico e arranjador italiano que, nos anos 70, introduziu o sintetizador nas suas composições contribuindo para o surgimento da Disco Music.
O grupo de alemães Kraftwerk, formado inicialmente por Ralf Hütter e Florian Schneider, foi quem talvez tenha melhor aproveitado a possibilidade de usar equipamentos eletrônicos na música. São pioneiros. Fizeram sucesso e ainda fazem. Seus métodos hoje são lugar-comum. Ficam os méritos de quem anteviu um mundo tomado por computadores por todos os lados.

O sucesso globalizado do Boney M, nos anos 70
O grupo Boney M foi criado na década de 70 pelo produtor musical alemão Frank Farian. Formado por quatro integrantes, o Boney M foi figurinha carimbada nas programações de rádio e nas pistas das discotecas em todo o mundo. Antes mesmo de se falar em globalização, o Boney M juntava gente de vários países, imigrantes que buscavam o reconhecimento na Europa. Os integrantes originais são  as jamaicanas Márcia Barett e Liz Mitchel, Maizie Willians, natural de Montserrat, nas Índias Ocidentais, e o ex-DJ Bobby Farell, de Aruba, nas Antilhas Holandesas,o dançarino de cabelo black power recentemente falecido.
Seus maiores sucessos foram Daddy Cool e Sunny, 1976; Rivers of Babylon e Ma Baker, de 1977; Rasputin, de 1978; Hooray, hooray, it´s Holi-Holiday, de 1979. Muitas dessas canções foram remixadas dezenas de vezes e ainda tocam em festas jovens e nas temáticas dos anos 70 e 80.


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O apelo da barata simpática
A barata é um dos insetos mais asquerosos. E, como tal, não seria indicado que fosse usada como estrela de uma propaganda. A menos que se quisesse vender o seu próprio extermínio. Porém, jamais devemos subestimar a criatividade de um bom publicitário. A baratinha do Comercial do aerossol Rodox surgiu em 1971. A peça publicitária foi tão bem recebida que até prêmio no exterior ganhou, no Festival de Veneza. A baratinha foi reabilitada depois nos anos 80. A propaganda foi concebida pela Start Anima, que também produziu as obras-primas o homem azul da Johnson e os comerciais da Faber Castel.

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O adeus da Rainha da Era Disco
Donna Summer, a Rainha da Era Disco, aos 63 anos, morreu nesta quinta-feira, 17 de maio, em virtude de um câncer. A cantora, nascida na Flórida, nos EUA, registrada como LaDonna Adrian Gaines manteve uma carreira de 37 anos de grandes êxitos. Começou cantando em corais de igrejas. Depois enveredou pelo blues e rock. Trabalhou na pela Hair e posteriormente mudou-se paraa Europa. Seu primeiro grande sucesso foi Love to Love Baby, em 1975. Em 1977, lançou I Feel Love, uma música totalmente concebida no sintetizador, um marco para a época. Foi uma verdadeira diva. Seu sucesso, no entanto, sobreviveu à era das discotecas eis que conquistou prestígio também entre os críticos especializados.
Como compositora ganhou o Grammy com a canção Hot Stuff outro grande sucesso de 1979. 


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Anos 80 na net


Há muito material publicado na internet sobre os anos 80. São milhares de blogs que destacam de tudo. Moda, comportamento, música, televisão, futebol. Alguns são dignos de uma visita, outros nem tanto. Destaco quatro deles. Aí vamos nós:

Discoteca 80
Rock 80 Brasil
Anos 80
Infância anos 80



Há 40 anos

O ano de 1973 foi singular para a música brasileira. Raul Seixas surge como um cometa meio à la Bob Dylan, recitando que devia se encontrar extremamente feliz porque havia conseguido comprar um Corcel. Benito de Paula, acompanhado de seu piano e de seu amigo Charlie Brown, lançava Retalhos de Cetim, hoje cantada pela gurizada graças à versão do Sambô. Rita Lee, ainda com aspecto angelical, deixava os Mutantes para vôo próprio. 
De repente surge algo novo, verdadeiramente novo. Um trio, com rostos pintados, um vocalista que requebrava no palco, às vezes com timbre masculino e, na maioria das vezes, com o frescor que lembrava uma mulher. Os Secos e Molhados (Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad) foram um estouro, um flash. De uma hora para outra tomaram de assalto o país inteiro. Programas de auditório (Chacrinha ainda balançava a pança, Sílvio Santos já usava seu terno impecável), rádios e jornais. A meninada cantava aqueles versos estranhos: "Bailam corujas e pirilampos, entre os sacis e as fadas", em O Vira. Tudo isso e mais Rosa de Hiroshima, O patrão nosso de cada dia e  Sangue Latino. Três pérolas num só disco cuja capa apresentava os mascados servidos em uma mesa. O Brasil, apesar da censura, os consumiu rapidinho.
O grupo, no entanto, sucumbiu logo em seguida. Antes de desaparecer, em meio aos desentendimentos normais de uma banda pop, lançou um segundo discos com a não menos clássica Flores Astrais (depois gravada por RPM nos anos 80).

Saiba mais: 

Secos e Molhados
Benito de Paula
Retalhos de Cetim (Letra)
Raul Seixas (biografia)
Os Mutantes
Fatos musicais de 1973


Cantando em inglês
 Evanilton de Souza Lima e Maurício Alberto Kaiserman fizeram muito sucesso no Brasil, cantando em inglês. Não foram os únicos.
Com dificuldade em emplacar algum sucesso, nos anos 70 uma verdadeira legião de artistas tupiniquins optou por cantar músicas em inglês. Para tanto adotaram nomes artísticos como Mark Davis e Uncle Jack (Fábio Jr.),  Crystian (José Pereira da Silva), Christie Burgh e Tony Stevens (Jessé), Michael Sullivan (Evanilton), Steve MacLean (Hélio Costa Manso).
Seguiam uma tendência que havia sido iniciada pela Banda Pholhas. Este  grupo, criado em 1969, contava composições próprias e covers sempre em inglês. Seu primeiro álbum Dead Faces foi lançado em 1972 pela RCA. Um compacto com a música My Mistake,  em apenas três meses, atingiu a impressionante marca de 400 mil cópias vendidas. Em seguida, outras canções foram lançadas em compactos, como "She Made Me Cry", "I Never Did Before" e "Forever", todas atingindo vendagem superior a 300 mil cópias.
O rei, porém, foi e continua sendo Morris Albert (Maurício Alberto Kaiserman) que, diferentemente dos demais artistas, lançou canções em inglês e conseguiu sucesso em todo o mundo. Alcançou mais de 100 interpretações em diversas línguas e está na lista das 100 canções mais conhecidas da história da música. Albert, no entanto, não é compositor de uma única música. She´s my girl, Conversasion, Memories foram sucesso. 160 milhões de discos vendidos foi o resultado de uma carreira exitosa. 


Saiba Mais: 



O goleiro é um ser humano
O cronista, sempre ávido por polêmica, brada "eu é que entendo de goleiro", depois de uma falha lamentável do atual goleiro do Grêmio no jogo contra o Fluminense pelo Campeonato Brasileiro. Marcelo Grohe realmente falhou. O chute, desferido pelo atacante Rafael Sobis, jogou a bola em direção ao goleiro. A defesa era uma imposição. A bola nem mesmo descreveu uma curva e nem sofreu algum tipo de desvio.
Ocorre que, os goleiros medíocres falham, os médios falham e os gênios da posição da mesma forma. O problema é que a falha do goleiro é irretocável. É inapelável. O goleiro é a última instância. Depois dele só a rede.
O maior deles, o fenômeno Manga, que jogou no Inter multicampeão dos anos 70 e esteve no Grêmio por curto espaço de tempo, vez por outra vazava. Ficou marcado por uma falha na Copa de 66. Era bom o Manga. Era muito bom. Em alguns momentos quase perfeito.
Taffarel, o melhor que vi jogar ao vivo, era muito bom. Era seguro, frio. Foi campeão do mundo. Ele também falhava.
Cá entre nós,a impressão que fica é de que somente alguns cronistas, somente alguns analistas é que nunca falham.
Manga, no Grêmio

Manga, no Inter










As canções que marcaram nossas vidas
Imagine reunir todas as canções que você gosta num só local. Dependendo da mídia escolhida certamente não encontraria lugar suficiente para acomodar tanta informação. No presentemente, como diria Belchior nos anos 70, existe esta possibilidade. Há inúmeros sites que reúnem as melhores canções, as mais rodadas, as mais pedidas, as que marcaram época.
Um dos bons sites de música foi criado pelo Lucimar. Ele reúne vídeos que representam o panorama musical, especialmente dos anos 70, 80 e 90. Para aqueles que  ainda não acessaram publico o link abaixo. Agora é só acessar.

http://grandescancoes.blogspot.com.br/

A volta do romantismo político
A candidata à vice-prefeita de São Paulo Luíza Erundina disse não aos anseios do PT em abraçar Paulo Maluf. Constrangeu-se. O que, convenhamos, é algo pouco usual no atual panorama político brasileiro tão marcado por acordos interesseiros em troca de alguma coisa apelidada de governabilidade e outros termos que escondem, na realidade, a necessidade de manter ou chegar ao poder.
Mas, afinal de contas, perguntariam as gerações mais novas: quem é essa Erundina? Luíza Erundina é uma cidadã, com cara de vovó, com 78 anos de idade, que fundou junto com Lula o Partido dos Trabalhadores nos distantes anos de 1980. Deputada Constituinte e prefeita de São Paulo (de 1989 a 1993), quando derrotou as figuras de Paulo Maluf e Orestes Quércia. Assistente Social, Mestre em Ciências Sociais, Erundina tem uma vida pública marcada pelo desafio. Hoje parece ser uma daquelas que nada contra a corrente.
Erundina hoje prestou um grande papel à nação. Disse não. Devolveu à política um pouco daquele clima nostálgico dos anos 80, em falta no mercado, de que é possível ser leal a princípios.

Sai de cena Robin Gibb
O mudo do espetáculo perdeu, neste domingo, dia 20 de maio, o cantor, compositor e produtor musical Robin Gibb, conhecido pela atuação frente ao trio Bee Gees. Ele morreu aos 62 anos. O músico estava internado em uma clínica particular de Londres. Ele conseguiu se recuperar de um câncer diagnosticado em 2010, mas recentemente teve de ser submetido a uma operação no intestino e descobriu um segundo câncer.
No final dos anos 70, os irmãos Gibb estiveram no centro do movimento disco, especialmente após o lançamento da trilha sonora do filme Saturday Night Fever, com John Travolta como protagonista. O filme espalhou pelo mundo a febre das discotecas.
O irmão gêmeo de Robin, Maurice, morreu em 2002. Do trio somente Barry Gibb vive atualmente.

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As manhãs de domingo com Ayrton Senna
Senna, arte sobre foto
Há 18 anos, o piloto brasileiro Ayrton Senna da Silva morria em acidente no Autódromo de Ímola, no Grande Prêmio de San Marino de F-1. Senna foi eleito, após pesquisa da revista inglesa Autosport com 217 pilotos, o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos.
Com sua morte mudou o costume dos brasileiros. Nas manhãs de domingo, entre os anos 80 e 90, a família se reunia em frente à tevê para assistir às corridas de Fórmula 1. Era um programa imperdível. Senna era sinônimo de vitória.
Reconhecidamente um dos maiores nomes do esporte, Senna foi tricampeão da categoria (1988, 1990 e 1991) e duas vezes vice (1989 e 1993).





Gre-Nal o clássico de todos os tempos
O Inter foi o grande time dos anos 70. Três vezes campeão brasileiro (75/76/79). Foram oito títulos gaúchos. Foi a equipe que mais conquistou títulos na década. O tricolor, por sua vez, passou a década apanhando. Somente em 1977 conseguiu sentir o gostinho de conquistar um título. Para os gremistas foi uma satisfação enorme.





Brasília, o carro que todos amam
Produzida pela Volks brasileira, a camioneta Brasília, fabricada entre 1973 e 1982, foi uma grande inovação no mercado nacional. Foi um dos primeiros Volkswagen a serem projetados e construídos fora da matriz alemã. Espaçosa, com linhas retas e grande área envidraçada, a Brasília fez estrondoso sucesso no país. Com motor 1600, com um ou dois carburadores. Até o ano de 1982, quando sua produção foi encerrada, a Volks comercializou 990 mil unidades no país e mais de 100 mil para o exterior, especialmente para a Filipinas, Nigéria e Portugal.
O comercial da Brasília, de 1978, é inspirado na música de Flor da Idade, de Chico Buarque. No mesmo tom do Chico, o comercial diz que "Margarida amava Beto,  que amava Lu, que amava Danilo,  Danilo amava Mila... e cada um vive feliz a sua maneira. Brasília - o carro que todos amam".
Assista ao vídeo do comercial.





Que saber mais sobre o automóvel Brasília? Acesse os links:
Verbete Brasília na Wikipedia

Chico: o homem das mil faces
Missão impossível é saber quantos personagens Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, o Chico Anysio, criou e interpretou ao longo dos seus mais de 50 anos de rádio e televisão. Bozó, Coalhada, Salomé, Deputado Justo Veríssimo, Bento Carneiro (o vampiro brasileiro), Alberto Roberto, Roberval Taylor, Pantaleão, o Profeta, o missionário Tim Tones, Tavares, Professor Raimundo, ufaaa!
Hoje ele, o homem das mil faces, se foi, aos 80 anos de idade, levando junto seus bordões, seu humor refinado e seu talento. Chico Anysio fará falta ao humor nacional hoje tão carente, tão apelativo. "Mentira, Terta!"   




Mais sobre Chico Anysio:
Notícia atualizada

O muro
Lançado em 1979 pela banda inglesa Pink Floyd, The Wall tem uma carreira longeva no mundo do espetáculo. Do disco para o cinema, do cinema para as arenas e estádios do mundo todo. O grupo musical acabou, o muro de Berlim foi derrubado, o mundo mudou. Porém, os dramas de Roger Waters (compositor e líder da extinta banda) continuam encantando. A ópera-rock sofreu mudanças, especialmente no uso de tecnologia, hoje muito mais avançada do que em 1990 quando foi lançada. Antenado com seu tempo, Waters atualiza a sua obra mais conhecida. Enquanto houver um muro, concreto ou imaginário, externo ou ligados às emoções e sentimentos, haverá alguém disposto a derrubá-lo.
Dia 25, domingo, no Estádio Beira-Rio, Roger Waters construirá e derrubará o grande muro. 

Saiba mais sobre The Wall


Solte suas feras
Na onda do movimento disco, difundido mundialmente por John Travolta em Saturday Night Fever (1977), a novela Dancing Days, de Gilberto Braga, em 78, levava o drama de Júlia (Sônia Braga) para as pistas de dança. Meias brilhantes, de lurex, roupas coloridas, luzes e som. A música de abertura, de autoria de Nelson Motta, era interpretada pelas Frenéticas. A trilha sonora nacional contava com Chico Buarque e Nara Leão (João e Maria), Guilherme Arantes (Amanhã), Jorge Ben (Amante Amado). A trilha internacional tinha, entre outras canções,  Follow You, Follow me (Genesis), Macho Man (Village People), Automatic Lover (D.D. Jackson) e Three Times a Lady (The Comodores).
Recentemente a Globo lançou a novela em DVD.

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Glória Pires fala sobre a novela: Memorial
Influência da música na moda: Moda

Adoráveis trapalhões
Didi, Dedé, Mussum e Zacarias formaram o quarteto de ouro do humor nacional. Os Trapalhões, que estrearam na Globo em 1977, era um programa imperdível no início das noites de domingo, antes do Fantástico. A história dos Trapalhões, na realidade, iniciou muito tempo antes, na década de 60 do século passado, quando a antiga Tv Excelsior de São Paulo reuniu um elenco formado pelo cantor Wanderley Cardoso, Ivon Coury, o lutador Ted Boy Marino, Renato Aragão e Dedé Santana no programa Adoráveis Trapalhões.
Os Trapalhões seguiram  no ar até 1997. Com a morte de Mussum e Zacarias, Renato Aragão e Dedé Santana não tiveram forças para seguir em frente. Entre 1995 e 1998, porém, a dupla atuou em Portugal, na SIC, no programa Os Trapalhões em Portugal. 
Durante a carreira Os Trapalhões realizaram 23 filmes para o cinema, sendo vistos por mais cento e vinte milhões de pessoas. 
A abertura do programa na Rede Globo foi concebida por Hans Donner.

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Aberturas de novelas
Muito embora não seja um admirador das novelas, é inegável a competência da Rede Globo neste quesito. Mesmo que as histórias se repitam, as polêmicas sejam as mesmas há décadas, a Globo imprime qualidade naquilo que faz. As aberturas, então, são cuidadosamente estudadas. Isto vem ocorrendo há muito tempo. A novela Te Contei?, de 1978, por exemplo, apresenta de maneira bem clara os costumes da época. Os telefone, enormes, coloridos, eram conectados por cabos que, plugados numa mesa, ligavam os falantes. Nada mais arcaico nestes tempos de comunicação instantânea. A censura, porém, não gostou do close no biquini da moça e proibiu a exibição desta abertura que publicamos abaixo.

Outros detalhes sobre a novela: Te contei?

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Ti Ti Ti
Recentemente foi ao ar o remake da novela Ti Ti Ti, na Globo. A trilha de abertura é de autoria de Rita Lee. Na versão original, de 1985, o grupo Metrô interpretava a canção. Veja como era a abertura original da novela.

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Globo de Ouro
De 1972 a 1990 a parada musical na tevê era o Globo de Ouro, da Rede Globo. Apresentado por atores, o programa destacava os maiores sucessos do momento. Nos especiais de final de ano eram apresentados os destaques em várias categorias como melhor cantor, melhor cantora, melhor grupo. Um dos frequentadores assíduos nos anos 80 foi Ritchie, cantor inglês radicado no Brasil. Menina Veneno foi seu maior sucesso.



Quer saber mais sobre Ritchie, acesse os links ao lado: O cantorDiscografia completa

Varig, Varig, Varig
Fundada em Porto Alegre, em 1927, a Viação Aérea Rio Grandense, a Varig, se tornou uma potência mundial. Além do sucesso na aviação a VARIG se destacava pelos belos comerciais de tevê. Em 1967 lançou uma peça publicitária em homenagem ao povo português. A ditadura de Salazar não perdoou e suspendeu a sua transmissão entre os lusitanos. Durante os anos 70 o comercial seguiu sendo apresentado na tevê brasileira. Assista ao vídeo clicando no link ao lado:Varig/Cabral

Ki Chute,  o tênis do Zico
O tênis Ki Chute foi o preferido da meninada nos anos 70 e 80. Era de borracha e lona, tinha garradeiras embaixo, imitando uma chuteira. Todos os meninos se julgavam um craque, principalmente quando calçavam o seu Ki Chute novinho. Astro do Flamengo e da Seleção Brasileira, Zico foi garoto-propaganda do tênis, nos anos 80.

  


Músicas animam o espaço comercial
Em plena ditadura militar o gingle da US TOP pregava que "Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada", lançado em 1976. Os jeans realmente apresentavam comerciais criativos, sendo apreciados especialmente pelos jovens (o público alvo). O comercial marcou época, mostrando os jovens uniformizados com jaquetas e calças jeans, num clima de aventura e fraternidade.




Comercial da Levi`s
Outra griffe que primava por propagandas de qualidade era a Levi`s. Um dos comerciais mais "curtidos" nos anos 80 tinha como trilha a música Graffiti do The Paris Group, até hoje na memória dos expectadores de então.




Ellus, Mania de Você
O espaço comercial na televisão brasileira, no final dos anos 70 e início dos 80, era um verdadeiro desfile de propaganda com trilha sonora de canções conhecidas do público. Os cigarros Hollywood uniam o esporte e a vida saudável ao hábito de fumar. Nada mais politicamente incorreto. No entanto, as trilhas sonoras fizeram tanto sucesso que na sua esteira chegaram a ser lançados LPs (long-plays ou discos de vinis). Outro comercial de muito impacto e sucesso foi da griffe Ellus, com Rita Lee cantando Mania de Você. Criado pela agência Fox, o anúncio foi revolucionário, num tempo em que a censura do regime militar era vigilante ao extremo.




Roupa Nova, a cara dos anos 80
O grupo Roupa Nova apareceu no cenário musical brasileiro em 1980. São 31 anos de estrada e de sucesso. Sucessos do extinto Os Famks, se caracteriza por manter sua formação original desde aquela época. São os recordistas em trilhas sonoras de novelas (mais de 35 temas). A canção instrumental Videogame foi tema do Jornal da Manchete. Outro destaque foi a gravação do Tema da Vitória usado pela Globo para exaltar as vitórias de Ayrton Senna nas corridas de Fórmula-1.
O clipe que postamos é uma das tantas aberturas de novelas que o grupo protagonizou. É de 1982, novela Sol de Verão.





Quer saber mais sobre o Roupa Nova, clic nos link aos lado: Roupa NovaDiscografia Completa ; Site Oficial

Sujismundo
Sujismundo é um personagem , criado por Ruy Perotti, que protagonizava campanhas de saúde pública nos anos 70. As primeiras chamadas foram ao ar em 1973 e prosseguiram até 1978. Sujismundo era um "porquinho", sujo, pouco educado, espalhava lixo por onde andava. "Povo Desenvolvido é Povo Limpo" era o mote das campanha de conscientização.



Sorria meu bem, sorria
Muito embora seja de bom tom desprezar a produção popularesca, confesso que tenho certo apreço por músicas bregas. Aquelas canções dos anos 70 e 80 retratavam o submundo brasileiro, as emoções do povaréu alienado, mais preocupado com as dores dos amores do que com as intrincadas tramas políticas. São canções que sabemos de cor, porém não nos permitimos cantar em público, pois não atendem ao padrão de qualidade imposto pela maioria pensadora. Num mundo complicado, com liberdade de expressão limitada, versos simples abordavam de maneira desbragada as dores de amores das classes desfavorecidas.
Um desses bregas de prestígio foi Evaldo Braga. Seu grande sucesso foi Sorria, meu bem. O cantor morreu em 1973, porém sua música simples retumba nas mentes bregas do país. Agora, para surpresa minha, ela aparece requentada em um comercial de veículos. Não é de se duvidar que daqui a pouco esteja nas baladas da gurizada devidamente remixada. 
"Sorria, meu bem, sorria/você hoje chora por alguém que nunca te amou". Veja o comercial no Youtube.   




Quer saber mais sobre Evaldo Braga, clique no link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Evaldo_Braga

As canções dos anos 70 que mais tocaram no rádio

Simon & Garfunkel, top hits 1970

Criada em 1894 visando o mercado publicitário, a revista Billboard vem desde os anos 50 publicando listas com as 100 melhores canções do ano e os 200 melhores álbuns. É um verdadeiro termômetro daquilo que é sucesso de vendas e de execução nas rádios. 
O campeão absoluto entre os homens até hoje é Élvis Presley, com  18 canções número 1. Em segundo aparece Michael Jackson, com 13 músicas número 1. Entre as mulheres Mariah Carrey, 18 número 1, e Madonna, 12 canções no topo. Entre as bandas The Bealtes é o grande destaque, com 20 músicas número 1.
Publico, a seguir, o ranking das cinco primeiras colocadas nos anos 70. 

1970
001 - Simon & Garfunkel - Bridge Over Troubled Water
002 - Carpenters - Close to You
003 - Guess Who - American Woman
004 - Bj Thomas - Raindrops Keep Falling on My Head
005 - Edwin Starr - War

1971
 001 - Three Dog Night - Joy to World
002 - Rod Stewart - Maggie May
003 - Carole King - It's Too Late
004 - Osmonds - One Bad Apple
005 - Bee Gees - How Can You Mend a Broken Heart

1972
001 - Roberta Flack -  First Time Ever I Saw Your Face
002 - Gilbert O'sullivan - Alone Again (Naturally)
003 - Don Mclean - American Pie
004 - Harry Nilsson - Can't Live if Living Is Without You
005 - Sammy Davis Jr. -  Candy Man (128 KBit/s)

1973
001 - Tony Orlando & Dawn - Tie A Yellow Ribbon
002 - Jim Croce - Bad Bad Leroy Brown
003 - Roberta Flack - Killing Me Softly With His Song
004 - Marvin Gaye - Let's Get It On
005 - Paul McCartney & Wings - My Love

1974
001 - Barbra Streisand - The Way We Were
002 - Terry Jacks - Seasons In The Sun
003 - Love Unlimited Orchestra - Love's Theme
004 - Redbone - Come And Get Your Love
005 - Jackson 5 - Dancing Machine

1975
001 - Captain & Tennille - Love Will Keep Us Together
002 - Glen Campbell - Rhinestone Cowboy
003 - Elton John - Philadelphia Freedom
004 - Freddy Fender - Before The Next Teardrop Falls
005 - Frankie Valli - My Eyes Adored You

1976
001 - Paul McCartney and Wings - Silly Love Songs
002 - Elton John and Kiki Dee - Don't Go Breaking My Heart
003 - Johnnie Taylor - Disco Lady
004 - Four Seasons - December 1963 (Oh, What A Night)
005 - Wild Cherry - Play That Funky Music

1977
001 - Rod Stewart - Tonight's The Night
002 - Andy Gibb - I Just Want To Be Your Everything
003 - Emotions - Best Of My Love
004 - Barbra Streisand - Theme From A Star Is Born
005 - Hot - Angel In Your Arms

1978
001 - Andy Gibb - Shadow Dancing
002 - Bee Gees - Night Fever
003 - Debby Boone - You Light Up My Life
004 - Bee Gees - Stayin' Alive
005 - Exile - Kiss You All Over

1979 
001 - Knack - My Sharona
002 - Donna Summer - Bad Girls
003 - Chic - Le Freak
004 - Rod Stewart - Do Ya Think I'm Sexy
005 - Peaches & Herb - Reunited

Conheci a Billboard pela Continental, a 1120 AM, de Porto Alegre. Tinha uma vinheta que dizia assim: "Billboard, via telex. Continental 1120". Depois disso rodavam as canções que estavam "estourando nos esteites". Muitas delas chegariam às rádios brasileiras dentro de algum tempo. A Continental 1120 saiu do ar há 30 anos. Porém, uma iniciativa louvável colocou na web a programação musical da antiga rádio, inclusive com as vinhetas da época. Link abaixo:


Jornal Novo Tempo


Jornal Novo Tempo - Osório
Publiquei no Facebook, no Grupo Amigos de Osório, uma série de imagens do Jornal Novo Tempo, que circulou no início dos anos 80. Formato inovador, qualidade de textos, boas fotos. Tinha tudo para dar certo. Porém, o mercado publicitário da cidade, preguiçoso, sempre achou que publicidade é despesa e não investimento. 
Restam,para o nosso consolo, os arquivos, que vamos digitalizando com tempo (sem muita pressa) e postando aqui e ali. 
Na redação, Luís Henrique Benfica, Silvio Benfica, Clóvis Brum, Ademir Brum, eu (Solano Reis) e o Mário. Tinha, ainda, o Cláudio Domingues, um Certo Capitão Rodrigo e um Quincas, que levava a vida com graça, fazendo troça da vida cotidiana em prosa e verso.
As fotos são do meu amigo Mário Sérgio Gubert, o Teca. Os modelos são adolescentes da cidade, hoje distintas senhoras e senhores, alguns mantendo o viço e a beleza de outrora, outros nem tanto. 
A seguir algumas destas imagens que não me deixam mentir.


Anúncio Seco Artigos Esportivos,
Jornal Novo Tempo - Osório - anos 80

Capa Jornal Novo Tempo


Aqui tem Mu-Mu


Uma vaquinha preta, cabeça branca, com uma florzinha na boca e a língua de fora, a inconfundível vaquinha Mu-Mu, talvez tenha sido o primeiro caso de marketing gaúcho. Não havia boteco, venda, bolicho ou  armazém que não ostentasse o anúncio no lado de fora do prédio: "Aqui tem Mu-Mu".
O Doce de Leite Mu-Mu é uma instituição gaúcha. Sua fórmula inconfundível acompanha a vida dos gaúchos desde 1945. Recentemente a empresa passou a ser comandada pela Vontobel (Vonpar Alimentos), fabricante e distribuidora da Coca-Cola no Estado. A vaquinha, porém, passou por algumas intervenções com a intenção de torná-la mais moderna. A estratégia do passado, no entanto, permanece a mesma. Agora, ao invés de plaquinhas nos comércios, a empresa preferiu utilizar grandes outdoors.
Além de potes o Doce de Leite Mu-Mu, no passado, também era embalado em sachês, em tamanhos variados, podendo ser adquiridos por pessoas de todas as rendas. Até hoje no RS Mu-Mu é sinônimo de doce de Leite.


Onde estão os meus guidis?


Kichute
Até bem pouco atrás, os gaúchos não diziam tênis. Os calçados tão apreciados pelos jovens eram chamados de guidis. Segundo consta, o primeiro modelo de tênis adotado aqui nos pampas era fabricado pela empresa americana Keds, que está até hoje no mercado. Era um calçado colorido, de lona e de solado de borracha. Pouco conhecedor do inglês, o gaúcho de então acabou corrompendo o termo que se transformou em "guidis". E guidis virou sinônimo de tênis.
As marcas mais apreciadas por aqui, especialmente entre o povo menos endinheirado, nos anos 70 e 80 eram as singelas congas azuis, que faziam parte do uniforme escolar; o Kichute - quem usava virava um craque no futebol e o Bamba - um pouco mais refinado e ideal para o futebol de salão (como o futsal era chamado na época). 
Lembro que certa feita houve uma temporada grande de chuva. Minha mãe colocou o meu Kichute a secar no forno do fogão. Era o único par que dispunha. Entretida com seus afazeres, acabou esquecendo do calçado e quando se deu conta havia passado do ponto. Ao retirar encontrava-se seco e quebradiço. Que dor! Era meio de mês e durante as semanas que se seguiam as Havaianas foram minhas companheiras. 

Tênis Bamba
Conga
    
Humor na medida certa
Em tempos de crise, muito humor. A receita deu certo nos anos 70 e 80, enquanto o pau comeu no panorama político. Ditadura, falta de liberdade, presos políticos, inflação, perseguições de toda a ordem. Era o panorama do Brasil naquele anos bicudos. Foi preciso muita paciência e boa dose de humor para suportar tudo isso.
A revista americana MAD, publicada entre nós a partir de 1974, era escracho puro. Belos desenhos, boas tiradas na sátira dos costumes tupiniquins. A brasileira Pancada era uma espécie de genérica. Contava com desenhistas de primeira linha e um humor parecido com o da MAD. 
Entre os jornais alternativos  foi O Pasquim, que tinha um time respeitável formado por Henfil, Jaguar, Ziraldo,  Paulo Francis e muitos outros, quem mais se destacou. Abordava política, costumes, música e tudo o que interessava com um viés carioca. Dava boas porradas na ditadura e, vez por outra, ficava com a edição retida pelos fiscais da censura. Tempos outros. O Brasil sonhava com liberdade!
A Pancada e o Pasquim deixaram de circular. A MAD continua na ativa até hoje.






Eu bebo porque gosto, tchê!
Aqui pelas bandas dos pampas, nos anos 70 e 80, quando se falava em refrigerante (ou refri como preferia a turma do Bom-Fim), não estava se falando da Coca-Cola. Os gaúchos foram os últimos a se entregar aos encantos da Coca. Foi o reduto onde a Pepsi resistiu bravamente na preferência popular.
Mas a Pepsi tinha os concorrentes locais. Dois deles se destacavam entre a garotada. Minuano Limão e Guaraná Frisante Polar eram os grandes refrigerantes desta terra. O Minuano, fabricado pela Vontobel, era delicioso. Na sua publicidade um gaudério exclamava no final: Eu bebo porque gosto, tchê!
O Guaraná Polar tinha um jingle especial que não saia da cabeça dos meninos: "Guaraná Frisante Polar, refrescante, refrigerente, Guaraná Frisante Polar...". 
O Guaraná Fruki, vendido em caminhões pelo interior do Estado, também tinha um bom espaço por aqui. Aliás, foi o primeiro que eu tomei. Tão logo o caminhão passou na Vila das Pererecas (hoje Loteamento Popular) sai correndo com algumas moedinhas na mão. Cheguei suado e ofegante. O vendedor, no meio de engradados aquecidos por um sol escaldante de verão, abriu a garrafinha e me entregou. Ali mesmo, o líquido quente desceu pela minha garganta!


5 comentários:

  1. Solano, o Fruki, que compro direto, tem o mesmo sabor do Frisante Polar...Aliás, lembro de almoçarmos em família cada um ou com um guaranazinho antártica ou um Frisante Polar em garrafa de cerveja, ouvindo Sérgio Jockymann, recentemente falecido.

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  2. Solano outro que fez muito sucesso foi o Guarana Cirila de Santa Maria da Boca do Monte, era vendido no trem, tinha dois sabores, Guarana e Laranja. Além da marca Minuano, tinha o concorrente que era o Guaraa Charrua.

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  3. Quem morava em Porto Alegre, la pelos anos 60 o colegio ia visitar a fabrica da Pepsi que ficava naquele estacionamento na frente do Shoping Praia de Bellas e no final ganhava uma garrafa pequena de Pepsi com bolacha Maria para lanchar.

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  5. Se não estou enganado a minha Brasilia Azul era 1976, muito boa, e atraz do banco, na tampa do motor tinha um pelego vermelho para abafar o barulho e o calor que vinha do motor na cabeça dos caroneiros, sem falar que estava sempre desrregulada.

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