27/04/11

A guerra do bem no mundo virtual

Imagens antigas trazem
o passado de volta
As ferramentas atuais do mundo virtual, as redes sociais, como Facebook e outras, são belas oportunidades de compartilhamento de informações. Familiares, amigos do passado, conhecidos, ex-colegas de aula, apartados do convívio pelos caminhos que a vida vai traçando, podem se reencontrar, ao menos na tela do computador. É um bom serviço que estes tempos de informação instantânea tem prestado a todos nós. Outro é o lado do entretenimento, importante também nestes tempos de stress, de busca de resultados e de competição exagerada. 
Os álbuns de fotos do passado que os amigos publicam são muito interessantes. Têm a força de chamar o passado para o presente. Além disso, é um exercício no mínimo interessante observar os modelitos usados pelos jovens, os cabelos esvoaçantes de outrora, os acessórios que se encontravam na moda. Aí se denota, também, o efeito que a passagem do tempo impõe ao indivíduo. Por aqui e por ali nota-se que o tempo, este impecável senhor que consome a cada dia um pouco de cada um de nós, tem sido bondoso com alguns e extremamente cruel com outros tantos. O bonitão do passado, com algumas décadas de intervalo, virou um senhor de respeito. A bela jovem, cristalizada no meio de tantas meninas no baile de debutantes do GAO, parece favorecida pelo passar dos anos.
O grupo Amigos de Osório, por exemplo, se diverte no Face divulgando fotos antigas. “Quem é o fulano do lado direito?”, pergunta alguém. Segundo depois outro já responde à indagação, devolvendo outra questão. E assim vai. O tempo vai passando. É um joguinho até divertido. Quem tem boa memória, material inédito e algum tempo vai ganhando pontos neste lúdico encontro virtual.
No entanto, nada é tão rasteiro, tão superficial. Homens e mulheres, meninos e meninas no passado, reencontram pequenas lembranças, imagens que soçobraram, que foram atropeladas por outras tantas, que ficaram escondidas no meio de outras coisas, de experiências boas ou más. Mexer nestes guardados, digitalizar fotos com suas cores já desbotadas, retirar o mofo e a poeira deste material, que talvez estivesse fadado à extinção, lançá-los no mundo virtual é, sem dúvida, democratizar o passado. De alguma forma estamos aumentando a vida útil da memória, nos beneficiando da espontaneidade que não dispúnhamos nos anos 70, 80 e 90.
De minha parte, lançarei mão do arsenal que disponho para alimentar esta guerra do bem, onde o que se busca é avivar a memória coletiva da cidade. Entre meus guardados encontra-se uma coleção completa do Jornal Novo Tempo, aquele do Clóvis Brum (o Seco) e do Sílvio Benfica, onde eu, Luís Henrique Benfica (o Rico) e o Mário Gubert (o Teca) acompanhávamos a vida da cidade naquele início de anos 80. Com tempo, vou digitalizar as páginas, as fotos, os anúncios e vou ofertá-los no meio virtual. Muito embora, naquela época, alimentássemos a impressão de que éramos - todos nós do Jornal-, meros coadjuvantes da vida da cidade, vejo agora que protagonizávamos uma história interessante. Divulgar informações, opinar, também é fazer história. Percebo agora, passados todos estes anos, folheando estes velhos jornais que já apresentam muitos sinais de desgaste. Pelas folhas do velho Novo Tempo identifico um pouco do meu suor e dos parceiros de então. Cada nova semana, uma nova história. Em cada exemplar impresso vidas pulsam. Gente que partiu, gente que está  por ai, em algum lugar, neste mundo. Talvez se encontrem quando este arsenal for jogado no mundo virtual.

PS - o distinto casal da foto são meus pais: Dona Araci e Seu Dorvalino, que já nos deixaram. O texto foi editado. A coleção de jornais Novo Tempo continua guardada. Pouca foi foi digitalizada.

2 comentários:

  1. Solano, não nos conhecemos pessoalmente (saí de Osório em 1971 com 10 anos), mas achei muito bom o teu texto. Escreves bem e pinçaste um bom ângulo desta história de uma(s) geração (ões). Abração do desgarrado aqui. Rainer

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  2. Olá Solano. Sabe que a tempo atrás, eu tinha lá em casa (da mãe e do pai) uma chapa off-set do jornal Novo Tempo. Ficou lá rolando por muito tempo. Não sei como foi parar lá, e também não sei como sumiu. Mas lendo a sua crônica me veio a lembrança.
    O tempo não apaga nossas memórias...
    Abraço

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