23/12/11

Sirenes abertas

Arte sobre foto
Moro no trecho entre a Estrada do Mar e o Hospital São Vicente de Paulo. Assim como eu, todos os milhares de moradores deste longo trecho estão acostumados à cena que se repete insistentemente. Não importa o dia, a hora. É certo que uma ambulância ou um caminhão de bombeiros irromperá em disparada pela av. Santos Dumont. Poucos minutos depois o veículo retornará em alta velocidade, com as sirenes abertas abrindo espaços no trânsito. No seu interior uma equipe de salvamento acompanhando um indivíduo ferido em mais um dos incontáveis acidentes de trânsito. Nos desastres de maior proporção as ambulâncias vão e voltam rapidamente socorrendo os envolvidos.
Houve um tempo em que se dizia que as mortes no trânsito são o resultado de uma guerra silenciosa. As sirenes abertas em sinal de socorro, que nossos ouvidos percebem a longa distância, porém, nos alertam para um problema que cresce assustadoramente apesar dos alertas das autoridades e da ampla divulgação que a mídia proporciona.
Os especialistas refutam a expressão acidente de trânsito. Com razão dizem que as mortes nas rodovias não são acidentais. Muitas das vezes são causadas por ações delituosas dos motoristas. A embriaguez e a imprudência na condução dos veículos são apontadas como as causas mais frequentes de mortes no trânsito. O sono, especialmente no caso de transportadores de carga, onde o motorista de caminhão é submetido a uma jornada de trabalho absurda visando garantir a entrega da carga em tempo mínimo, também contribui para os desastres nas estradas brasileiras.
As mortes e as mutilações ocasionadas no trânsito não são acidentais são previsíveis.
Ás vezes somos tentados a simplificar. O excesso de veículos circulando nas estradas é um dos itens que, vez por outra, se destacam quando a questão é abordada. Porém, isto não é uma verdade. Conforme o jurista Luiz Flávio Gomes, os países da Europa possuem uma frota cinco vezes  que a do Brasil. Mesmo assim, as estatísticas indicam que anualmente o número de vítimas nas estradas daquele continente é muito menor que o índice brasileiro. E mais, vem caindo ano a ano algo em torno de 5%. Os europeus investem pesadamente em campanhas publicitárias impactantes deste os anos 90 e também no processo de educação e conscientização dos motoristas.
Campanhas publicitárias vêm sendo feitas no país. Porém, pecamos e muito nos quesitos educação e consciência. Por aqui o nosso jeitinho brejeiro de levar vantagem parece ser um embaraço, um obstáculo sempre presente. Os choques de veículos podem ser evitados se as leis de trânsito foram respeitadas. A conta é simples e objetiva: menos choques, menos vítimas. Menos sofrimento. Chavões como “bebida e volante não se misturam” continuam valendo. Se beber não dirija. Não tenha pressa no trânsito. A vida vale muito mais do que os segundos ganhos quando o acelerador é apertado sem cerimônia.

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