25/04/12

Tudo passa

As meninas se abraçam, cantam, riem e pulam. A alegre canção de forma mágica as une e as afasta do mundo real. A hora do recreio é a hora da fantasia. Habitam um mundo próprio, onde o riso franco cria uma carapaça que impede a entrada das preocupações cotidianas. Assim seguirão um tempo. Os meninos, de outra banda, medem força daqui e dali. Juntam-se em clubinhos particulares. Correm pra lá e pra cá. Gastam suas energias enquanto não são despertados pelo soar do indefectível sinal emitido pela campainha.
  Chega uma hora, porém, em que os recreios tornam-se menos mágicos. O tempo passa. Para trás vão ficando as ingênuas brincadeiras. As preocupações já são outras. As meninas deixam de cantar. Os meninos param de correr. São outros os seres que andam pelos corredores e pelo pátio da escola.
Tudo passa. Muda o tempo, muda o espaço, mudam os seres. As meninas e os meninos colhidos pela passagem do tempo não se verão mais brincando infantilmente. Alguns deles, anos mais tarde, até esquecerão que viveram dias de infantil alegria. Os que conseguem manter em suas mentes as memórias dos tempos da ingenuidade, no entanto, saboreiam um gostinho de magia.
  
Tudo passa. Tudo na vida dura um ciclo. E os ciclos se sucedem ininterruptamente. Atendem a uma inflexível lei natural. Inútil pensar em revogá-la. Não temos poder para tanto. Não há como deter os segundos que se atropelam formando minutos que, por sua vez, se juntam formando horas, dias, semanas e meses sem trégua. E assim sucessivamente como um pesado trem empurrado se vê pela energia gerada por uma caldeira em brasas, todo o tempo vai avançando e suplantando isso e aquilo e os substituindo por outras coisas. 
Tudo passa é o que diz o bilhete estrategicamente colocado no criado mudo ao lado da cama de Chico Xavier. Diante das dores, do sofrimento ou mesmo nos dias de grande prazer e satisfação, a resumida mensagem era por ele lida antes de sua prece. As duas palavras lembravam-no de que na vida tudo é passageiro. Não há mal insuperável nem glória que dure para sempre. O riso ou o choro não são permanentes, duram somente o tempo necessário. 
A mensagem também serve de alerta e de consolo. É uma garantia aos que sofrem de que encontrarão ali adiante dias melhores. A bonança após a tempestade, como diz o adágio popular. É, ainda, um lembrete aos bafejados pelos ares da glória. Acostumados com suas conquistas, muitas vezes tornam-se arrogantes e se deixam envolver por sentimentos egoísticos. Para estes também vale a máxima: tudo passa. A glória também é efêmera.

Um comentário:

  1. O texto resume a realidade de nossas vidas....
    Parabéns!

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