08/02/13

A prevenção

Tranca de ferro

Depois da porta arrombada, tranca de ferro. Quem nunca ouviu este adágio popular pelo menos uma vez na vida? Hoje, no entanto, este ditado é muito mais presente.  Vem sendo repetido à exaustão após a tragédia de Santa Maria. Uma verdadeira histeria, compreensível diante do chocante número de vítimas fatais, se estabeleceu no Estado e no país, visando evitar outros incidentes semelhantes. As instituições estão em estado de alerta. Agora, só agora, é hora de fiscalizar!
A impressão que se tem é de que realmente são necessários eventos altamente danosos para que os responsáveis comecem a agir como devem. E isto não é um costume exclusivo do nosso povo.  Os EUA, que registram cada vez mais casos de extermínios com uso de arma de fogo, também têm se valido deste expediente. A situação é tão apavorante que o presidente Obama está realizando um esforço enorme para convencer os cidadãos de que é necessário sim um regulamento mais restritivo em relação à liberação de armas.
 
Os norte-americanos são ferrenhos defensores da liberdade individual e não admitem a intervenção do Estado nesta questão.  Lá ocorrem casos absurdos como crianças acionarem a justiça para que os pais não entrem nos seus quartos sob pena de violação da privacidade.  A arma é um artefato que faz parte da cultura daquele povo. Qualquer restrição não é bem vinda, mesmo que meninos e meninas sejam exterminados em escolas, que acadêmicos sejam alvejados nas universidades ou que cidadãos comuns sejam mortos em shopping centers.
Tanto lá quanto aqui as medidas de segurança são tomadas após os incidentes. Foi necessário que as Torres Gêmeas fossem destruídas, e com elas milhares de pessoas, para que os governantes tomassem duras medidas restritivas. Lá como aqui, a resposta do Estado para as famílias das vítimas chega tarde demais. A realidade vem se mostrando frustrante e dolorosa. O preço da invigilância é caro. 
Em tom de lamentação, por vezes somos levados a crer que agora realmente não há o que fazer. Na verdade, o contrário é verdadeiro. Há muito que fazer.  Há muito que prevenir.  A prevenção é a antecipação, é chegar antes visando evitar algo danoso. É tudo o que vem faltando nos tempos atuais. 
Como o exemplo é uma forma eficiente no processo de aprendizagem, que todos possam aprender com o que se viu e com o que ainda se verá. 

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