05/12/13

As feras de ontem e de hoje

A média de vida dos nossos antepassados mais primitivos era de 20 anos. Informa-me surpreso meu filho mais novo, o Bruno, no auge dos seus 12 anos de idade, ao sair de uma de suas aulas. Isto significa que, caso estivesse lá, convivendo com intempéries de toda ordem e com as famintas feras que espreitavam silenciosamente e atacavam homens, mulheres e crianças, com suas garras e dentes afiados, ele e seus amigos teriam tão somente mais oito anos de vida.
 Imagine a loucura que era viver num tempo desses. Uma verdadeira tortura. A incerteza permanente. Vigilância 24 horas por dia. Instintos em apuros.  Sinal de alerta ligado. Tormentosa vivência. Uma vida sem segurança. Sem prazer. Tudo era medo. A caverna era o local mais aprazível. Sem graça, é verdade; mas seguro.
Agora, nestes tempos de conquistas tecnológicas, de descobertas científicas, de aprimoramento das pesquisas em todos os campos, de facilidades das mais diversas, o homem vive mais. Muito mais. As feras não mais os espreitam. Suas garras e dentes não estão em evidência. Vive-se mais, com melhor qualidade. Facilidades e conforto são as riquezas do momento.  
Mas, não há como desconhecer que os novos tempos também têm os seus fantasmas. São feras mais silenciosas ainda que as primitivas, vorazes da mesma forma, assustadoras também. Não estão entocadas. São invisíveis. Nascem de todos os lados e, por vezes, transitam disfarçadamente tal qual um agente secreto na Guerra Fria.
Tal qual um camaleão, têm o poder da adaptação. Podem até assumir corpos sedutores. Se vendem facilmente. Não são de carne e osso. Nascem com os desejos de seguir atrás das modas, lançadas às milhares, dia a dia. Da vontade de se manter atualizados permanentemente, sem tempo para folgas, para descansos, para o lazer despretensioso. Aparecem nas redes sociais cercados de bons argumentos, superando coisas velhas como o respeito, a compaixão e a fé. É um novo mundo. Onde somente o sucesso do eu é admitido. Onde o fracasso, o erro, o defeito, a falta de competitividade são pecados mortais. O mundo da necessidade constante de agregar valores visíveis.    
O homem de hoje, cercado de tantas quinquilharias tecnológicas, vai se incluindo num mundo virtual, de humores e prazeres impessoais. Sem perceber cava uma caverna, um local para chamar de seu e dali, confortavelmente instalado, manda sinais virtuais de uma existência fútil e passageira. E se frustra. E a frustração o remete ao conforto dos remédios para dormir, para acordar, para não chorar, para rir, para ter prazer, para não ruir. 
Os homens no passado dependiam das suas pernas e de seus braços fortes. De alguma destreza, também. Morriam como morremos nós. Sofriam como sofrem tantos de nós. Fugiam o quanto podiam. Derrubavam as feras se pudessem. E assim era a luta. O suor do rosto era indispensável. Em muitos caos, hoje, parece não ser mais.  

Um comentário:

  1. Hoje mesmo estava pensando no futuro que espera meu neto de apenas seis anos, pois há muito tempo me preocupo com a "famosa geração do futuro",tão propagada por todos aqueles que tem seus interesses dissimulados nesta afirmação.É impressionante a superficialidade dos conhecimentos de nossos jovens,da falta de expectativas concretas e principalmente da total falta de valores essenciais como respeito,solidariedade, tolerância entre outros para que a sociedade continue sendo considerada humana.O que antes eram feras visíveis hoje se apresentam em forma de comprimidos, líquidos e tudo que é usado para dar 30 min de "barato" e o resto da vida de sofrimento Só nos resta rezar e lutar contra tudo isso,mas quais seriam as armas?

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