13/02/14

Telejornais

Enquanto os pingos de chuva sepultam o calor intenso que incomodava a todos, dedico alguns minutos ao telejornal. Me ocorre que, diante de tudo o que o locutor apresenta, estou vivendo uma realidade particular. Ou melhor, quase todos estamos vivendo realidades particulares.
E vejo que estou muito longe de entender o que vem ocorrendo no nosso país. Nem me refiro ao mundo porque seria pretensão demasiada para quem se confessa um incompetente para entender a realidade de nossa querida pátria.
Não é falsa humildade (em princípio este sentimento não é muito comum entre os cronistas - todos eles tão senhores de si). Não é falsidade não. Confesso minha total ignorância diante destas rusgas que tomam conta das ruas, onde meninos e meninas jogam coquetéis incandescentes contra soldados, destroem veículos particulares, apedrejam ônibus (muitas vezes com mulheres, crianças e velhos no seu interior), lançam pedras e paus nas vidraças de lojas, escarafuncham no interior dos comércios levando o que não os pertence.
Alguns dizem que querem um país melhor, com mais educação e mais saúde. Com menos futebol. Convenhamos de educação estes jovens são verdadeiramente carentes. Mesmo que muitos sejam universitários, profissionais liberais, intelectuais, nota-se claramente que falta muita educação.
Sou mesmo um retrógrado. Fui criado por uma mãe que não conhecia a luta política, que viveu a vida toda sem saber o que era a luta de classes, que jamais entendeu muito bem o que querem os esquerdistas e os direitistas, que quase nada sabia de economia, que muito pouco sabia de tudo. Porém, seus conselhos (hoje totalmente ultrapassados) eram no sentido de nunca mexer em algo que não nos pertencesse, nunca se envolver em brigas, nunca atingir o patrimônio alheio e nunca atentar contra a integridade do outro. Como se vê, coisas ultrapassadas e sem sentido nos dias atuais. 
Talvez por isso, hoje não tenha compreensão do mundo que se estabelece lá fora. Talvez por isso não entenda porque jovens tem que jogar rojões tentando atingir um trabalhador. A morte como uma consequência possível, mas nem por isso algo grave. Tudo muito trivial e aceitável. como nos games que qualquer criança joga e destroça corpos com rajadas de metralhadoras e bombas explodindo. Talvez por isso não entenda como um deputado gaúcho (que nasceu no seio deste povo nada humilde que até ontem se dizia o mais politizado do país) pode afirmar  que quilombolas, índios, gays e lésbicas representam tudo que não presta. Credo! O mundo lá fora ferve de ignorância. Santa ignorância. 
Os pingos de chuva abafam um pouco a voz do telejornal. Melhor a alienação do barulho dos pingos na telha de minha casa do que as notícias do jornal.


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