21/10/16

A Voz das Urnas

O indivíduo quando coloca a cara no mundo entra numa escola. Ninguém nasce sabendo, diziam nossos antepassados, com a nítida intenção de empurrar alguma missão que temíamos fosse maior do que nossa capacidade e, principalmente, nossa disposição. O trocadilho valia como uma senha. Se ninguém nasce sabendo vai lá e faz do jeito que der. De preferência com algum esforço e esmero. Se o erro vier no final ele mesmo servirá como modelo para que a prática seja modificada e tudo se ajustará mais dia menos dia.
Em praticamente tudo na vida esta regrinha básica serve. Na política, no esporte, na vida social. Ninguém nasce sabendo. Então, é importante vencer o medo. Fazer as coisas que devem ser feitas. E o resultado aparecerá. Aquele que couber.

Claro que, em muitos casos, alguma necessidade há de algum planejamento prévio. A vida é uma boa dose de improvisação, mas também há aqueles momentos que podem ser planejados.  Às vezes, os planos são atropelados pelos fatos. Um atleta se machuca e manda a escalação do time pro beleléu. Mesmo que o esquema esteja latejando na cabeça do treinador, mesmo que as jogadas tenham sido exaustivamente ensaiadas nos treinos da semana: se o músculo não resistiu, cedeu a uma carga exaustiva de tensão, foi-se o planejamento.
 No caso das campanhas eleitorais que terminaram faz pouco, imagino o trabalho dos candidatos que planejaram tudo, buscaram os apoios necessários, prepararam material impresso e coisa e tal. Correram para cima e para baixo. Lançaram pesquisas que vendiam o peixe, criaram expectativas em seu grupo. E depois ficaram reféns de silenciosas urnas que cuspiram tirinhas de papel que davam notícias de derrotas e de vitórias.
E as urnas em todo o país revelaram um misto de desencanto e de uma necessidade de mais dureza, mais força, mais organização, maior preocupação com números, com controle orçamentário e outras expressões tão em voga nas planilhas dos contabilistas, dos economistas e talvez ausentes no material de pesquisa dos sociólogos, dos filósofos e de outros seres que mais enxergam os homens do que os numerais.
A política no município é um caso a parte. É um pequeno mundo. Um lugar onde um bate-boca de esquina pode resultar na perda de alguns votos, onde uma piada de gosto duvidoso pode comprometer uma  ideia, onde um intruso qualquer admitido no palanque pode descaracterizar ou caracterizar uma campanha toda. Aqui, na planície, onde as pessoas se encontram nas esquinas, no mercado, na farmácia, há mais sutilezas.

Talvez a campanha que passou tenha ajudado a enterrar um pouco a ideia de que em política é necessário o tom agressivo. E digo isso não para condenar ou definir algo de maneira definitiva. É só uma impressão. Uma impressão que restou da voz vinda das urnas. Se é que ouvi direito!     

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