12/12/2016

O Figurante

Thomas Alva Edison
Era um aluno que não vibrava. As atividades propostas pelos mestres encontravam algum engajamento nos demais. Nele não. Era um estudante desligado. Tornou-se um problema para alguns professores. Avaliá-lo era difícil. Parceia que não tinha talento para nada. Não demonstrava interesse. Enfim, era um desastre. Um professor, do alto de sua sabedoria, de seu objetivismo, decretou que ele não era desprovido de talento. Ao longo da vida seria um mero coadjuvante. Isso se todos os astros conspirassem a seu favor. O esperado, porém, é de que os astros dessem as costas e o  aluno não passasse de um figurante, destes que aparecem alguns segundos na tela com o rosto desfocado caminhando enquanto as câmeras flagram as mínimas expressões dos  rostos dos protagonistas.
Rejeitado na escola, passou a ser educado pela própria mãe que lhe apresenta as lições mais de acordo com o seu gosto. Assim, o aluno rebelde e imprestável para o sistema de educação, começa a se jogar de corpo e alma nos livros de ciências. Apoiado pela zelosa mãe, monta um laboratório onde começa a fazer pesquisas. Vez por outra algum estrondo balança a casa, resultante da mistura inapropriada de elementos químicos.  
O tempo passou independentemente da vontade do professor, dos alunos e do diretor. Passou também para o aluno, aquele que não teria futuro, que não seria reconhecido. A nulidade, porém, havia trabalhado pacientemente durante longo período no desenvolvimento de suas potencialidades, já que seu interesse sempre foi para coisas mais significativas do que os conteúdos apresentados por aqueles que se diziam mestres.
Apesar de trabalhar formalmente, sempre guardava um bom tempo para desenvolver suas engenhocas. Passou por algumas desventuras. Mas, com o tempo começou a lançar seus inventos, registrá-los, produzí-los e, com o passar dos anos, fez fortuna aproveitando-se  da invenção da lâmpada elétrica. Thomas Alva Edson, que criou a Edison General Eletric, até hoje uma potência mundial, é uma prova cabal de que nunca se deve confiar em um único julgamento.
Os processos avaliativos, baseados na percepção de um só indivíduo, podem aniquilar as ricas possibilidades, podem sepultar sonhos e destruir pessoas. Um mero figurante em uma cena pode esconder um protagonista. Ou não?     

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