04/12/2017

Yes, nós temos racismo

Foto: Wikimedia

"Até pouco tempo atrás imperava a fantasia de que o brasileiro é um ser pacífico e que não levava em conta as diferenças pessoais. Ou seja, imperava por aqui um sentimento de democracia racial plena, um exemplo para o resto do mundo".

Sou tentado a afirmar que não existem raças. Que etnias são simplesmente definições culturais para reunir povos pelas suas características físicas. Que só existe uma espécie humanoide na Terra: o ser humano. Mas, quem entende do assunto, diz que, mesmo não havendo razões científicas para a separação do homem em grupos, ainda assim, não há porque prescindir do conceito de raça.
O professor Dr. Kabengele, congolês, diretor do Centro de Estudos Africanos, da USP, de São Paulo, ressalta que, “embora alguns biólogos antirracistas tenham chegado a sugerir que o conceito de raça fosse banido dos dicionários e dos textos científicos, ele persiste tanto no uso popular como em trabalhos e estudos produzidos na área das ciências sociais. O uso justifica-se como realidade social e política, considerando a raça como uma construção sociológica e uma categoria social de dominação e de exclusão”.

O tema felizmente vem sendo discutido no país. Até pouco tempo atrás imperava a fantasia de que o brasileiro é um ser pacífico e que não levava em conta as diferenças pessoais. Ou seja, imperava por aqui um sentimento de democracia racial plena, um exemplo para o resto do mundo. Hoje, com o advento das redes sociais, mostra-se cada vez mais que a ignorância é muito maior do que se imagina. O que era velado, agora transborda.
Uma atriz global que, numa análise rasteira pode parecer que não enfrenta qualquer problema de aceitação social, eis que bela, talentosa e, aparentemente, bem sucedida, denuncia que seu filho com certeza há de causar mal-estar em outros seres, que se verão impulsionados a mudar de calçada para não encontrá-lo. Foi execrada por gente comum e até por alto dirigente de estatal.
É certo que, infelizmente, existe um crescimento nestas teses que fortalecem o poder das camadas dominantes, cristalizando um discurso de predomínio da supremacia branca e rica. Contribui para isso, é claro, certo despreparo calculado de incrementar políticas de igualdade nas escolas públicas e privadas.
O professor Dr. Kabengele, ressalta que, apesar de existirem as leis 10.639 e 11.645 que tornam obrigatório o ensino da cultura, da história, do negro e dos povos indígenas na sociedade brasileira, criando uma educação multicultural, o panorama de racismo no país não avançou muito nos últimos tempos. “As leis existem, mas há dificuldades para que funcionem. Primeiro é preciso formar os educadores, porque eles receberam uma educação eurocêntrica. A África e os povos indígenas eram deixados de lado. A história do negro no Brasil não terminou com a abolição dos escravos. Não é apenas de sofrimento, mas de contribuição para a sociedade”.
Se tem coisa que nos aproxima do primeiro mundo é o racismo. Até algum tempo atrás ele era disfarçado. Agora não.  

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