06/12/2017

Contagem regressiva

"E o seu deputado já vem aí. Com santinho na mão. Aperto de mão, tapa nas costas e beijo nas crianças. Tenho certeza que vai gritar seu nome de longe que é para você saber que ele tá lembrando. Que você é importante no processo. Sem você ele não garante a eleição e o futuro da família".


Vamos combinar que a contagem regressiva, se não começou oficialmente, já está na cabeça das pessoas. Cada um dos dias que passa é um a menos na conta de 2017. As horas avançam e o ano de 2018 está chegando a galope. A gente pode até nem pensar sobre isso, mas, no fim, não há como ficar imune a este sentimento de final de ciclo e início de outro.
Quem assiste tevê já tá vivendo o 2018. “Compre agora e comece a pagar só no ano que vem”. Tudo fácil e sem frescura. Juro embutido é mero detalhe. Uma coisinha que não se leva em conta. Afinal, a economia vai de vento em popa. O presidente tem o apoio do mercado. Os altos empresários estão reservando grandes expectativas na recuperação econômica. A estabilidade política está garantida. E, com isso, está tudo certo. Está tudo tranquilo.
Não importa muito se uma parcela de 90% da população reprova os métodos do governo. Isso conta muito pouco. É um detalhe mínimo. João e Maria não valem nada. O que importa é que o mercado está tranquilo. A gasolina sobe todo o dia. Os preços sobem todo o dia. Tudo aumenta. Menos a esperança de quem pega no pesado. Calma lá: João e Maria querem demais. Silencio gente: o mercado tá feliz. E é isso que verdadeiramente importa.

A reforma trabalhista foi uma beleza. O mercado adorou. Salários pequenos. Lucros garantidos. O negócio é negociar com o patrão. Sorria: você foi enganado mais uma vez. E o seu deputado já vem aí. Com santinho na mão. Aperto de mão, tapa nas costas e beijo nas crianças. Tenho certeza que vai gritar seu nome de longe que é para você saber que ele tá lembrando. Que você é importante no processo. Sem você ele não garante a eleição e o futuro da família.
Enfim, 2018 vem aí. O mercado já tem candidato. Não importa se ele vota contra o trabalhador, se defende a reforma da previdência (que vai sugar o sangue de todo o mundo), se abraça o governo corrupto e antipopular. Nada disso interessa. O mercado já tem seu candidato. E ele será apresentado como o salvador da pátria. Aparecerá na tevê como alguém confiável. Como um ser especial que vai resgatar nossa gente e levar o país a um patamar de segurança nunca visto. Bobagem meninos, bobagem. É só viagem. É golpe de marketing. Propaganda enganosa.  
Não sou adivinho. Mas juro que isso tudo vai rolar. E tem tudo para colar.
Melhor nem pensar tanto. Alguém disse que pensar demais enjoa. Deixa que eles resolvem. O mercado tá tranquilo. Ele não tá nem aí para o João e a Maria. A expectativa dele é enorme. Os analistas econômicos sabem o que querem. Sabem como conseguir.

O povo? O povo é mero detalhe. Nem se assusta mais. Nem se indigna mais. Nem reage mais. A tevê diz que tá tudo bem. Onde? Não sei. Mas ela diz!

2 comentários:

  1. Perfeito! É exatamente assim que funciona. Infelizmente.

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  2. As velhas práticas não mudam. Abraço, meu irmão!

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