15/12/2018

A Magia

 "O ilusionista é o artista que encobre a realidade visível entregando uma outra realidade a quem se permite ver. Artistas criam. Iludem quando podem. O indivíduo que descubra, que desvende. O mistério desfeito perde a graça. O encanto se afasta".

O universo é mágico. Ou, pelo menos, deve ser. Restam incertezas a seu respeito, eis que é um gigante desconhecido. Conhecidas são algumas das leis que o regem. Outras, no entanto, ainda carecem de descoberta. Porém, uma coisa é certa: ele se expande sem parar. Ao menos é o que dizem os cientistas. Assim, se cresce ininterruptamente, pode-se crer que essa imensidão, que se convencionou chamar de universo, é um ser vivo que está se criando aos poucos. Dedução lógica. Mas, a lógica nem sempre prevalece. Não há palavra definitiva sobre isso. Então, especular é possível.

O escritor Francês Léon Denis, em O Grande Enigma, numa linguagem mansa e poética, apresenta os mistérios da criação. Discorre com salutar deslumbramento sobre o componente mágico contido nas leis naturais que determinam as mudanças de ciclos, as variações climáticas, os relevos, a incidência solar e as maravilhas incompreendidas na sua completude que, muitas vezes, escapam aos olhos cansados ou desatentos mais focados nos problemas do dia a dia e nas distrações momentâneas que a vida oferece.
Há magia por detrás dos mistérios. O ilusionista é o artista que encobre a realidade visível entregando uma outra realidade a quem se permite ver. Artistas criam. Iludem quando podem. O indivíduo que descubra, que desvende. O mistério desfeito perde a graça. O encanto se afasta.
Já que nossos sentidos encontram magia aqui e ali importa saber, enfim, de onde vem esta expressão tão em voga, pelo menos por aqui. Segundo consta, a palavra magia vem de longe. Como ocorre com muitas palavras, magia é um destes termos que vai viajando lentamente, passando por gregos, romanos, atravessando oceanos e cunhando significados distintos. Esse processo mágico (desculpem o inevitável trocadilho) é necessário para que os vocábulos tomem forma e se cristalizem na linguagem humana ao longo dos tempos.
Dizem que magia tem sua origem na língua persa, e vem de Magush, que representava uma espécie de conselheiro, sábio ou sacerdote que interpretava os sonhos. Foi incorporada no grego como magos, e deste vocábulo se derivou magiko e magike e teknine, que significam respectivamente “mágico” e “produção do sobrenatural”.
O mundo espiritual, primitivo, essencial, já esteve no rol dos mistérios e da magia. Porém, com o passar do tempo o conhecimento foi revelando as nuances que cercam os fenômenos ditos espirituais. Restam ilusões, é claro. Eis que, nem tudo é sabido, nem tudo é admitido, nem tudo foi revelado e nem tudo foi estudado. A lógica, lá vem ela de novo, porém, demonstra que os mundos se fundem, se tocam, se conectam sempre pelas percepções, num processo incessante onde não há barreiras físicas suficientes para determinar de maneira definitiva a separação entre o físico e o essencial.
Assim, de algum modo somos todos capazes de perceber e receber, em maior ou menor grau de intensidade, os reflexos do mundo um dia chamado de extrafísico. Porém, neste vasto campo resta espaço suficiente para o mistério, para a magia e para a ação dos magos. As coisas se complicam quando o humano utiliza a magia para proveito próprio. Aí nasce o reino da ilusão.

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