08/12/2010

A bactéria sutil

A NASA, após pesquisar a sobrevivência de uma bactéria em local desprovido de Oxigênio, Hidrogênio, Fósforo, Carbono, Enxofre e Nitrogênio, anunciou que existe viabilidade de vida fora das formas admitidas pelo conhecimento até então existente. É uma revolução. A partir daí, dizem os especialistas no assunto, os cientistas estão obrigados a mudar seus conceitos sobre a vida. Isto porque a teimosa bactéria, contrariando a lógica até então aceita, se desenvolveu em meio hostil, em contato com o venenoso Arsênico.
A descoberta abriu o leque de discussões. Ora, se depois de tanto tempo um dos princípios basilares do conhecimento foi debelado por uma simples bactéria, tantos outros haverão de cair ao longo do tempo. Aparentemente duros, inquebráveis, irremovíveis como uma rocha, os princípios científicos, como se vê, são tênues. Isto porque o Universo é grandioso, infinito e nosso conhecimento, convenhamos, ainda é rasteiro.
 
E sempre foi assim. As descobertas científicas têm nascido da sutileza. Conta-se que Isaac Newton levou em conta a trajetória de uma maçã caída do pé diretamente na sua cabeça para conceber o estudo sobre a Lei da Gravidade. Santa maçã, Batman! Mito ou realidade, não se sabe. Certo é que a Lei já existia, faltava somente alguém com conhecimento suficiente para juntar os dados e revelar o que estava escondido.
Diz-se, também, que uma das maiores descobertas da medicina nasceu por acaso. O cientista Alexander Fleming saiu para gozar suas merecidas férias e, desastrado como muitos, esqueceu placas com cultura de micro-organismos no seu laboratório. Quando retornou, notou que uma das culturas havia sido contaminada por um bolor. Estudo daqui, estudo dali, surgiu a penicilina, o que lhe valeu, juntamente com seus colegas pesquisadores Chain e Florey, o Prêmio Nobel de Fisiologia, em 1945.
Até agora parecia que as descobertas casuais estavam reservadas ao romantismo de um mundo desprovido de tecnologia. No tempo em que o estudioso era acossado pelos ares do improviso e do acaso. E, depois de milhares de equações, de quadros e quadros negros cheios de rabiscos, de números e de fórmulas, um bolor ou a queda de uma prosaica maçã pudesse levantar o véu do mistério e ofertar uma nova verdade. Uma nova e sorridente verdade!
É no mínimo curioso que nestes tempos de alta tecnologia, de estudos aprofundados sobre tudo e sobre todos, de perseguição voraz em busca de verdades, que uma sutil bactéria, um ser ínfimo, que poderia passar incólume aos olhares apressados, tenha chamado a atenção desta forma. Faminta por Arsênico, vivendo tranquilamente num lago, na Califórnia, nos EUA, a bactéria em questão está causando muito alvoroço no mundo científico. 
É o Universo se manifestando. Mostrando, como disse Carlos Alexandre Wuensche, professor titular e responsável pela linha de pesquisa em cosmologia do observatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o homem está buscando vida fora da Terra a partir de sua imagem, ou seja, algo parecido com a Terra. O foco, graças à bactéria estudada por acaso, muda e, com isso, o homem deixa um parâmetro conhecido, seu próprio umbigo, para buscar outros conhecimentos. Quantos “acasos” ainda são necessários para que os mistérios da criação sejam revelados? 

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