24/11/11

Incômodo natalino

Arte sobre foto
O mês de novembro se encaminha para o final. Na tevê a figura do Papai Noel já dá o ar de graça. Em Gramado, há algumas semanas, foi dada a largada para mais um período natalino. Pesados, com suas roupas vermelhas e suas barbas brancas postiças, centenas de bons velhinhos protagonizaram a tradicional corrida anual. Lance de marketing para promover o Natal Luz daquela cidade.
A graça e a beleza do clima de Natal, no entanto, não são percebidos por todos. Há pessoas, entre elas alguns amigos, que manifestam sentimentos divergentes neste período pré-natalino. Tédio, pavor, irritação, desconforto são alguns referidos. Talvez contribua decisivamente para esta contrariedade o hábito, nem sempre salutar, de divulgar canções típicas a todo volume pelos estabelecimentos comerciais. Se a intenção é bombar as vendas, às vezes a estratégia se revela um verdadeiro tiro no pé.
Destacam-se como protagonistas desta doença natalina a cantora Simone e seu insuportável repertório natalino. "Então é Natal" é uma música cheia de boas intenções, versão de uma canção de John Lennon e Yoko Onno, Happy Xmas. Porém, de tanta insistência causa arrepios, não de emoção, mas de enfado. Mas a implicância não fica restrita à cantora baiana. O nosso Wilson Paim, de voz límpida e interpretação forte, também é fato gerador de desagrado.
É verdade que a Simone e o Paim não são culpados de nada. Estão, na realidade, com competência vendendo os peixes que dispõem. Os sentimentos de contrariedade com o período natalino talvez tenham sido gerados pela divulgação excessiva de comerciais televisivos, da presença ostensiva do Papai Noel e sua risada caricata, aquele insuportável "oh, oh, oh!".
Eu mesmo, que sou paciente, tolerante e compreensivo (e humilde, é claro!), vez por outra me vejo incomodado com tantos "sinos de Belém" que batem insistentemente nos sistemas de sons das lojas. A repetição é desagradável. Como desagradável é também a corrida desesperada de muitas famílias às lojas atrás dos indispensáveis presentes de Natal. Muitos parecem lobos famintos se jogando sobre a presa. Exagero meu, é claro!
Como tudo na vida tem mais de uma via, há pontos extremamente positivos que devem ser ressaltados. Neste período, apesar dos exageros, dos excessos, sobrevive, mesmo que de maneira tênue, apesar do esforço hercúleo em contrário, certo clima de compreensão, de fraternidade e de alguns outros valores que são esquecidos ao longo do ano. Só isso já vale a pena. No mais, se o achaque sonoro o atingir, protetores auriculares são baratinhos e extremamente eficazes. Acho que vou nessa!

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