18/06/13

As razões dos protestos

O Brasil tem muitos defeitos. Milhares, milhões talvez. Há alguns acertos. Milhares, milhões talvez. Já foi muito ruim para a maioria. Hoje é ruim para muitos, para milhares ou milhões. É inegável, no entanto, que mudanças significativas vêm sendo sentidas nas últimas décadas. Porém, há sim muito que protestar. O Brasil que se vê na tevê nem sempre é o Brasil que vivemos. O discurso oficial no mais das vezes não traduz a realidade sentida pela população. 
Uma das mudanças mais significativas foi a conquista da liberdade. Houve um tempo em que tudo era proibido. Organização sindical, manifestações públicas, protestos, organização partidária, pequenas reuniões, músicas, filmes, peças teatrais que manifestassem o desconforto com as coisas do país, do seu dia a dia, da economia, da política. O regime podava, prendia e matava. Verdadeira guerra havia por aqui. 
Felizmente este panorama está somente nos livros de História. História triste, mas verdadeira. Os problemas, no entanto, não foram resolvidos somente com a liberdade de expressão, com a liberdade de organização sindical, com a liberdade política. A educação ainda se arrasta. Os professores formam um exército de baixos salários. As escolas públicas em geral sucateadas. A saúde, muito embora a propaganda oficial a coloque em estágio de primeiro mundo, não satisfaz aos anseios da população, especialmente a menos assistida. 
Combustível pela hora da morte, telefonia caríssima com resultados que nos envergonham e nos revoltam. Faltam investimentos na segurança pública. Problemas, problemas e mais problemas. Sem falar na roubalheira geral que vem dilapidando as riquezas do país sem qualquer arrefecimento desde 1500.  Não haveria espaço aqui para descrever todos os setores deficitários no país. 
Combustível para protestos é o que não falta neste Brasil. Ânimo é o que vinha faltando até então. Isto porque nos acostumamos com a iniciativa dos partidos políticos. Apostamos neles como agentes de transformação da sociedade.  Esperamos pelos outros. Os outros, no entanto, parece que não estão muito preocupados com estas questões do dia a dia. Estão envolvidos em projetos mais rentáveis. 
Todos os protestos são respeitáveis, mesmo aqueles com os quais não concordamos. É o que sempre defendemos. No entanto, é importante que mantenham o foco. Um protesto contra tudo e todos não será eficaz. Objetividade ajuda. Senão facilmente perderá a identidade. Ainda mais se a turba dos vândalos, dos aproveitadores e dos que são movimentados apenas pelo barulho tomarem a dianteira e continuarem protagonizando cenas lamentáveis de destruição e de afronta a quem decisivamente não são os culpados pelo estágio em as coisas estão. 
É bonito protestar. É até fashion. Especialmente se os protestos forem movidos por propostas, por reivindicações, pela luta por um país melhor, por mais verbas para a educação, para a saúde e segurança, por mais justiça, por mudanças. Tomara que este movimento todo seja impulsionado por razões como estas. Caso contrário pode se transformar em mais combustível para alimentar as paixões e as vaidades compartilhadas nas redes sociais.

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