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Um bom vinho é a dica de Sêneca |
Sábio
é aquele que não gasta energia nem tempo em coisas inúteis. É o
homem que não se mistura com a multidão simplesmente porque todos
assim o fazem. É aquele que não sente medo de contrariar a
maioria, que vota em quem acredita e não em quem os outros querem.
Também é sábio aquele que não corre atrás daquilo que no futuro
se revelará como algo totalmente inútil e desprezível.
Não
pense que tudo isso é resultado de alguma reflexão aprofundada e
minha lúcida análise das coisas do dia a dia. Não! Esta é a
interpretação que faço de uma das passagens de Sêneca, em Da
Tranquilidade da Alma. O filósofo, dramaturgo, político e escritor
latino, analisava a complexidade do ser humano e seu anseio na
construção de um estado vivencial mais feliz.
Sua
receita, no entanto, apresenta uma série de remédios amargos. Não
há doçura, não há espaço para sonhos e magias. Lúcio Anneo
Sêneca corta o corpo sem dó nem piedade. Expõe as entranhas do
homem e mostra onde se escondem as armadilhas que vão sendo
construídas ao longo dos tempos. A razão toma conta sobrando pouco
de improvisação, enterrando aquele doce sentimento de que as coisas
boas serão encontradas no olhar despretensioso e casual. De que as
respostas aos nosso anseios saem do nada, como se doces anjos
assoprassem em nossos ouvidos aquilo que nossas mentes pouco
brilhantes custam a encontrar.