25/04/2010

Quem são nossos amigos?

A amizade é um dos sentimentos mais belos que existe. Não sabemos ao certo quando ela vai nascer, nem temos o poder de determinar quais as pessoas que serão nossas amigas. Não escolhemos os amigos. Eles aparecem, vão se infiltrando na nossa vida, vão se investindo de importância e, quando menos esperamos, se tornam indispensáveis.
A amizade possui, porém, algumas peculiaridades. A verdadeira é pura, desprovida de qualquer interesse. O amigo é amigo e pronto. Independe da situação, na alegria ou na tristeza, na bonança ou na tempestade, o amigo é o porto seguro, incapaz de negar apoio. Não, o amigo não aprova tudo o que fizermos. Ele pode e deve - se for amigo mesmo-, abrir nossos olhos quando investimos pelos caminhos menos indicados.
A palavra amigo nasce da raiz latina que originou o vocábulo amor. Assim, amigo é alguém que gostamos muito, que amamos. Respeito, sinceridade, confiança e cumplicidade são apenas alguns dos atributos indispensáveis em uma relação de amizade. Sem qualquer um deles e não haverá amizade.

De tão profunda, de tão séria, a amizade tem se tornado artigo de luxo. É cada vez mais rara. Nossas relações diárias, escorregadias, superficiais, rápidas, como convêm a este momento de correria, de busca desenfreada pelo presente, pelo prazer momentâneo, não têm favorecido ao aparecimento de amigos. Temos muitos colegas, muitos parceiros, muitos conhecidos e poucos verdadeiros amigos.
As relações estão efêmeras. É uma contradição, pois hoje há muito mais facilidades de contato entre os homens e, no entanto, verifica-se tanta falta de amizade. Isto que o amigo não precisa estar presente, não necessita mesmo transitar todo o dia no nosso caminho. Mesmo longe de nossos olhos, sua presença é sentida na alma. Mutuamente, mesmo distantes, os amigos emanam uma energia nobre que alimenta, dá vida e certeza de que, mais dia menos dia, hão de se encontrarem novamente.
Aqueles que se movem de um lado para outro atrás de oportunidades, que buscam espaços, que juram cumplicidade, que invadem, que se adonam egoisticamente da relação não são amigos. Na amizade sincera não há exigência. A cumplicidade é gratuita, não é cobrada. Não se vende amizade, não se negocia. O ego é deixado de lado. Os interesses são comuns. Se, por acaso, ficamos com a impressão de que a amizade terminou, tenhamos certeza: ela nem ao menos havia começado. Tudo o que existiu não passou de um engano.
O ilusionista é capaz de simular uma amizade. O estelionatário, sua maior expressão, sabe se passar por amigo. Hábil na arte de ludibriar, tal qual o mágico - mestre da ilusão-, mesmo sendo visto por aqui, pode aparecer em outro lugar. Desde que isto signifique alguma vantagem. Quem engana um pretenso amigo, engana a própria mãe. A mãe, ao menos, vai perdoá-lo. Os outros, simples mortais, aprenderão com a lição: não confiar demais em quem não se conhece. É o que dizia a minha mãe, minha verdadeira amiga, que hoje transita livre por este universo de Deus.

Ilustração: Bruno Reis

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