16/08/12

Sorriso londrino

Renato Sorriso mostrando
sua arte na avenida
Alguns jornalistas ingleses dizem que os londrinos foram contagiados pela vivência com os latinos durante os Jogos Olímpicos. Foi um período pequeno é bem verdade. Impossível, portanto, que os frios e circunspectos súditos da Rainha se transformem em italianos ou brasileiros. Suas mãos continuarão sendo pesadas demais para viajar em gestos continuados na tentativa de esclarecer ainda mais a mensagem. São comedidos e assim continuarão quando os espíritos que regem os jogos descansarem.
As festas de abertura e encerramento foram grandiosas. Velhos roqueiros, alguns ilustres desconhecidos nossos, saíram da inatividade e ganharam novamente os holofotes. Não incluo aqui o sempre presente e jovial Paul McCartney tocando e cantado Hey Jude (aqui sim um espetáculo magnífico que valeu pela abertura e também pelo encerramento). No mais juntaram Bee Gees, The Who, Pet Shop Boys com Mister Ben e a Orquestra Filarmônica. Luzes, som e a indispensável participação do público presente. Tudo tecnicamente perfeitinho, no horário certinho, sem nenhum errinho. Com algumas emoçõezinhas.
Encontravam-se as tochas em compasso de espera aguardando para serem apagadas. Nisto entra o Sorriso franco e livre de um brasileiro comum.  Empunhando sua vassoura, o gari-estrela, que um dia foi repreendido por limpar a avenida e, ao mesmo tempo, dançar com os restos que sobraram de um Carnaval, Renato Sorriso roubou a cena. Como é peculiar entre nós, alguém pensou ou até falou que foi bola fora mostrar um lixeiro como representante da Nação Tupiniquim. Alguns até franziram a testa mostrando certa preocupação com a abertura dos Jogos do Rio, no distante ano de 2016.
Não sei de onde vem este sentimento. Aliás, desconfio que alguns muitos acham que não é positiva a imagem dos nossos alegres sambistas, fantasiados e suados sorrindo, cantando e dançando ao mesmo tempo. Nossa cultura é diferente. Como latinos somos mais despachados, menos contidos. Aqui mesmo aqueles que estão em condições mais menos favoráveis encontram alguma possibilidade de extravasar. Nem que seja sambando com uma vassoura.
Talvez doa em muitos o despreendimento desta gente bonita que torna o nosso país algo diferente. Eu, sentado em minha confortável poltrona, na frente da tevê, só soube aplaudir o espetáculo. Não faço objeções à participação canarinho no encerramento dos jogos.  Achei engraçado não constrangedor o dançarino negro encarando o segurança inglês. E dando uma aula de molejo, de ritmo.  Eles também gostaram. 
 Cá entre nós, a presença do passista na festa contribuiu para aumentar um pouco meu sentimento de incompetência. Afinal de contas, em relação ao samba minhas pernas são londrinas.  

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