13/03/13

A trilha sonora


Qual será nossa trilha no futuro?  Falará de coisas estranhas, de situações mal resolvidas, de glórias, de lutas, de anseios?

Dia desses vinha de carro em direção a minha casa. Como o papo do futebol estava chato, mudei de estação e a rádio tocava uma canção antiga do Paulinho Nogueira, “Menina, que um dia conheci criança, me aparece assim de repente, linda virou mulher”. Na hora lembrei-me de tantos cantores e compositores que fazem parte do nosso dia a dia. Responsáveis que são pela nossa trilha sonora, embalam sonhos, servem de Inspiração para tantos planos. De certo modo gozam de nossa intimidade, cantando seus versos vão afogando mágoas e desencantos, enterrando romances que não foram viabilizados.  Alguns se tornam parceiros fiéis durante um período. Depois de um tempo vão se afastam de nossas vidas. Por fim, somem, sem deixar sinal.
“Pôxa, Como foi bacana te encontrar de novo/Curtindo um samba junto com meu povo/Você não sabe como eu acho bom”. Os versos acima talvez não sejam conhecidos nos dias atuais. Tenho certeza, no entanto, que 100% dos remanescentes dos anos 70 lembram com exatidão que a música Pôxa, de Gílson de Sousa, foi “o samba” de 1975. É um exemplo claro de gente que um dia marcou o cenário artístico nacional, esteve presente nas vidas de milhares de pessoas de Norte a Sul do meu Brasil e depois sumiu.
“Não temas minha donzela/ Nossa sorte nessa guerra/ Eles são muitos/ Mas não podem voar...”, Os versos são do cearense Ednardo, um daqueles que, na companhia de Belchior, Fagner e outros, desbravaram o Brasil em busca de sucesso. Em 1976, enfim alcançou a mídia nacional da maneira mais concreta possível, como tema da novela Saramandaia. A estranha canção Pavão Misterioso foi um estouro e até hoje recebeu mais de 20 regravações. Para muitos é lembrança viva. 
Na realidade, é a nossa própria história que vai tomando outros contornos. Outras situações, outras pessoas, outras opções. Resultados que vão se afastando lentamente das trilhas sonoras de então. Outras tantas trilhas vão sendo compostas e lentamente. Porém, quase que imperceptivelmente também vão ficando para trás.
Qual será nossa trilha no futuro?  Falará de coisas estranhas, de situações mal resolvidas, de glórias, de lutas, de anseios? Confesso que não sei. E nem haveria como, afinal de contas todos nós estamos ainda compondo nossa existência.  A trilha vai sendo incorporada aos poucos, conforme o andar dos protagonistas. Que ao menos possa ser de bom gosto. Uma coisa é certa: a trilha sonora de hoje, amanhã tocará numa rádio de flashback.

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