14/01/15

Praiana

Caminhamos pela praia. O sol já está indo embora.
Alguns meninos engalfinham-se na areia. Retorcem seus corpos. Se pegam, se puxam. Tentam imobilizar um ao outro. Alguns assistem à estranha luta. Riem. Apostam. Torcem.

O salva-vidas vai se retirando da guarita. Recolhe suas coisas. Desce por uma escada de madeira. E dá de costas ao mar. Não está nada interessado na dança protagonizada pelos corpos jovens na areia. Os meninos contimuam no infindável agarra-agarra. Ficam para trás. Não sei, afinal, quem ganhou a luta nem se houve vencedor.
A água é morna. O mar está surpreendentemente claro. Milhares de mariscos pequenos mortos formam um tapete sobre o qual caminhamos. Peixes de pequeno tamanho e com o corpo machucado foram trazidos para a beira. Um que outro apresentam tão somente os buracos dos olhos. 
A água leva as conchinhas para lá e para cá. Alguns pescadores já tomam parte da praia. Eles vão se adonando aos poucos.Dentro de alguns minutos estarão só com seus caniços, suas iscas, os peixes fisgados, suas camisetas de times de futebol e seus chapéus de lona. 
Damos meia volta. Seguimos pela beira ainda em cima do tapete de mariscos e vamos dando chutes na água. Dizem que fortalece a musculatura das pernas. É uma academia gratuita. Caminhamos sem pressa. Não há porque correr. O sol já se foi mesmo. Meus óculos embaçados projetam casais fantasmas que cruzaram há pouco e agora fazem o trajeto de volta.
Os meninos que lutavam abandonaram a luta. Abandonaram a praia. Os pescadores não. Agora são donos do espaço. Uma menina bela e jovem entra no mar. Leva uma prancha. Pegará algumas ondas enquanto há alguma luz. Não tem pressa. Também não tenho.
Entro só no mar. A água ainda está quente. Alguns filamentos de água-viva passam pelo meu corpo.É o preço que paga por uma água quente. Sinto uma ardência pequena. Mergulho duas três vezes. Uma onda forte me trás de volta à beira. Hora de recolher. A brisa anuncia que amanhã vai chover. Mas, só amanhã.

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