11/03/11

Tristes manchetes

Esta sexta-feira é um dia de tristes manchetes. Fúria da natureza no Estado, terremoto, destruição, mortes, tsunami. A imprensa não tem tempo para respirar. Por aqui, a tarde foi corrida. Zum-zum-zum, notícias desencontradas, informações incompletas. Tumulto, correria. Pelas ruas da cidade um movimento incomum. No Hospital São Vicente de Paulo uma aglomeração jamais vista. São centenas de pessoas na frente querendo saber algo mais. Um jovem osoriense foi assassinado. 16 anos de idade. Comoção geral. O atleta de futuro partiu.

Encontrei o Tairone no Posto de Saúde. Acompanhado da mãe, a sempre diligente Cláudia, o atleta juvenil tomava vacinas indispensáveis para sua primeira viagem internacional. Brinquei com ele, dizendo que iria ficar torcendo para que trouxesse o cinturão. Cheguei até a ameaçá-lo, lembrando que, no retorno, continuasse a ser o mesmo, caso contrário se veria comigo. Deixou escapar um sorriso tímido. Sua mãe, alegre pela projeção do pimpolho, dizia que já havia alertado o "neguinho" para que o sucesso não subisse à cabeça. Arrematei que ele deveria se acostumar com as viagens, pois esta seria uma de muitas.
Outras vezes o vi, depois da conquista. Caminhando pela cidade, continuava o mesmo. Gestos comedidos, tranquilo. Parecia que estava verdadeiramente se encaminhando para uma carreira de sucesso. Sua morte prematura, na sexta-feira sombria, dia 11 de março, colheu a cidade de surpresa. Interrompeu uma caminhada promissora. 
Torcia silenciosamente pelo Tairone. Apesar de não ser um entusiasta do boxe, torcia silenciosamente pelo esporte. Menino saído daqui conquistando o mundo. Tairone era uma boa manchete. As manchetes que os sites de notícias da região estampam hoje não são as que esperávamos. Que pena! Sofre a família, sofrem os amigos. 
Não vem ao caso os motivos que levaram ao triste desfecho da história. Não cabe aqui condenar ou absolver ninguém. Resta lembrar o menino que partiu. O neto da dona Catuta, o filho da Cláudia. Resta aqui torcer e rezar pela sua alma. Que encontre a paz!


Detalhes sobre o caso:
Litoralmania
Litoral em movimento

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