19/10/15

Fagulhas

O fogo que consome uma mata inteira pode ter como marco inicial uma simples fagulha. Um insistente raio de sol no mato seco, uma bagana de cigarro ou um estímulo outro qualquer podem iniciar um incêndio sem proporções. Consumir árvores, desalojar pássaros de seus ninhos, matar animais desatentos e organismos indefesos.  Basta que haja um ambiente propício. Calor, vegetação seca, falta de umidade. É o que se chama de causa primitiva.
Na natureza há sempre uma causa primitiva. Na vida dos homens não é diferente. Difícil é determinar qual delas dá início a uma determinada série de acontecimentos. Lembrei-me disso ao rever a história de um jogador de futebol agraciado pelo talento, pela determinação e envolto em acontecimentos que o levara à glória, mesmo tendo momentos de dissabores. 
O volante Émerson, que jogou no Grêmio, na Seleção Brasileira e em grandes times europeus, no final dos anos 90 e início deste século, enfrentou alguns desafios extraordinários em sua carreira. Uma lesão grave o afastou dos gramados no início da carreira. Chegou-se a conclusão que sua performance esportiva jamais seria a mesma. Saiu do Brasil e ganhou o mundo.  Virou multicampeão.
Convocado para uma Copa, dias antes da estreia brincando de goleiro em um treino recreativo sobreveio nova lesão. Como não havia tempo hábil para recuperação, perdeu a disputa. Foi cortado e voltou para casa. Assistiu a Copa pela televisão. Não tivesse brincado de goleiro na hora errada, talvez estivesse na Copa podem pensar alguns. Fatalidade, coisa do destino, vontade do Supremo. Sabe-se lá o que houve. Se é que algo demais houve. As possibilidades são inúmeras. Não poderia ter sido mero descuido?
Como esta, muitas outras histórias acontecem no dia a dia. Quando relacionadas a celebridades viram destaques. Porém, há vida fora do cenário acompanhado pelos sites, jornais e revistas. Dona Maria, Seu José e o Compadre Pedro também podem ter seu dia modificado por um evento qualquer: um motorista bêbado que trafega em alta velocidade sem enxergar placas de PARE ou dê a preferência, um assalto com troca de tiros ou mesmo uma torção no tornozelo ou, algo mais grave, como uma fratura num prosaico buraco em uma calçada ou numa via pública.  “Deveria ter ficado em casa, hoje”, poderia pensar a vítima ou alguém próximo dela. Bem que poderia, mesmo. Ainda assim pergunta-se: neste caso específico, o que aconteceria a Dona Maria, Seu José e o compadre Pedro? Teriam um dia de sorte, de realizações?
Quem souber a resposta correta ganha um Bis.  

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