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02/07/2014

Não pare de sonhar

A placa diz PARE. Colocada num cruzamento de duas vias no interior de Maquiné, o sinal de trânsito recebe um acréscimo. Alguém, com alma de vândalo poeta, grafou em letras pretas: “não pare de sonhar”. Não obstante o flagrante dano ao patrimônio público, o alerta ou desabafo de um desconhecido pode ser um conselho extremamente válido nos dias de hoje.
Enquanto a cidade descansa: a menina sonha. No dia seguinte encontrará aquele que a fará feliz. Será por acaso. Caminhando num dia chuvoso, feio, baterá de frente com seu guarda-chuva no rapaz. Quase o derruba na calçada molhada. Ele sorrirá como um príncipe. Ela, estabanada, não conseguirá falar. Não sabe se dá atenção ao guarda-chuva que caiu, ao seu celular que se estatelou no chão ou ao rapaz. Murmurará um desculpe-me que não sairá de sua boca. Ele continuará a sorrir. E depois seguirá seu caminho. A menina, por sua vez, lamentará não ter falado, não ter explicado, não ter trocado o número de telefone. No fundo, sonha que o verá de novo.

25/05/2014

A pequena aldeia

Quem poderia afirmar no passado que o nosso grande mundo viraria uma pequena aldeia? 
Até o final do século passado, o tempo transitava calmamente, cerimonioso, cumprindo seu ritual sem pressa.  Morosamente ia engolindo os segundos e os minutos como quem degusta o doce preparado pela mamãe, após um almoço familiar de domingo. 
O panorama mudou drasticamente. Nos dias atuais, tudo é tão rápido e tão rasteiro. Parece até que os relógios foram contaminados pela pressa dos fast-foods. Ao invés de saborear, o tempo vai consumindo sem medo de indigestão os dias, as semanas e os meses. 
Contribuiu para esta mudança significativa o aperfeiçoamento das comunicações e uma melhoria extraordinária nos meios de transporte, que ficaram mais rápidos e mais baratos, reduzindo as distâncias e possibilitando que mais pessoas cruzassem as fronteiras. Viajar deixou de ser um privilégio. Virou um costume.