31/01/11

Verão apressado

A temporada de verão gaúcha, de uns anos para cá, mudou. Lá pelos anos 70, as pessoas fechavam suas casas na cidade e se mandavam para o litoral no final do ano e só saiam daqui no final de fevereiro. As crises econômicas, as incertezas dos anos 80, quem sabe influenciaram na mudança do costume. 
Hoje, mais do que nunca, como diria Faustão, a temporada tem se resumido aos finais de semana. Sexta-feira, depois das 17h30min, as estradas de acesso ao litoral recebem um número infindável de carros que se jogam em direção ao mar. Gente apressada que vai atropelando quem está pela frente, mudando a rotina dos nativos acostumados com o trânsito tranquilo do resto do ano. Eles têm pressa, muita pressa. Estão secos pela água salgada e pela areia. Pelo burburinho da orla, pela bermuda, pelo boné e pelas havaianas.

Uma coisa não mudou na região. Os preços. Os mercados de praia aproveitam os dois meses para faturar pelo ano todo. Tudo é infinitamente mais caro. Com isso surgiu o fenômeno do transporte de ranchos de Porto Alegre e mesmo das cidades próximas, em detrimento do mercado praiano. O churrasquinho de final de semana vem de longe. A costela, a maminha e a picanha vêm congeladas, acondicionadas em caixas térmicas e isopores, as mesmos que levarão a cerveja até a beira do mar. A ida para a praia, assim, parece um caminho de formigas, com o gentaredo marchando em fila indiana levando caixas nas costas, com tudo que tem direito.  
Esta gente tem protagonizado cenas hilárias. Há alguns dias, um grupo de vernanistas, perto do acesso da Avenida Leme, em Atlântida Sul, bem instalados em um gazebo cheio de isopores por todos os lados, chegaram ao ponto de levar uma churrasqueira, destas de latão, e promoveram uma churrascada que dava gosto. Sorte que a natureza tem colaborado com os veranistas de fevereiro. O sol estava forte, a água verdinha como nunca, a bandeira estava verde e o vento de férias. Até a brisa estava com preguiça.
O verão está cada vez mais curto. Nem bem começou e já está se preparando para ir embora. Que bom, dirão os que vêm sofrendo as agruras de temperaturas altíssimas. Que ruim, acham os que, como eu, estão de férias e gostariam de esticar um pouquinho o tempo de praia,  de descanso e de dia longo.   
Final do jogo do Gauchão, domingo, o sol já entregou os pontos e anuncia que a  rotina da volta vai começar. O atropelo reinicia. Na Estrada do Mar, milhares e milhares de carros, novamente nervosos, estão loucos para chegar  em casa. As bermudas, os chinelos e os bonés ficaram na praia. As caixas de isopor não, estão no apertado bagageiro. Voltarão, sexta-feira, à tardinha, com o churrasquinho e com a cerveja do próximo final de semana.  


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